OCDE defende avaliação de professores para detetar e melhorar falhas

A avaliação de professores com o objetivo de detetar e melhorar as suas falhas é uma das políticas aplicadas nos países onde os alunos conseguem ter melhores resultados escolares, revela um relatório da OCDE ontem divulgado.
O estudo da OCDE – “Effective Teacher Policies” - analisou as políticas de desenvolvimento profissional dos professores para tentar descobrir quais as medidas que podem fazer a diferença.
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Entre as estratégias aplicadas em 72 países e economias analisados, os investigadores encontraram três pontos comuns nas políticas dos países com melhores desempenhos.

Criar “mecanismos de avaliação de professores com um forte foco no seu desenvolvimento contínuo” é uma das medidas apontadas no estudo.

Para os jovens que se iniciam na carreira é preciso um “período obrigatório e prolongado de prática” durante a formação inicial, segundo o estudo, que defende ainda a necessidade de existir formação continua e variada ao longo da vida.

A OCDE defende ainda que os professores mais experientes podem apoiar os mais jovens “nas tarefas mais desafiadoras” e que devem existir ações “de desenvolvimento profissional sob medida”, para que os docentes tenham as habilidades necessárias para conseguir trabalhar, em especial, nas escolas mais desafiantes.

Sublinhando que os professores são a peça chave para o sucesso dos alunos, a OCDE lembra que é preciso criar condições para que consigam fazer o seu trabalho.

Numa tentativa de perceber como é que os professores podem afetar a equidade do sistema educativo, os investigadores concluíram que os docentes com mais formação e experiência devem estar “nas escolas e salas de aulas mais desafiadoras”.  

No entanto, na maioria das escolas mais problemáticas estão os professores mais jovens e com menos experiência, uma situação que é preciso inverter dando incentivos aos que aceitam trabalhar com aqueles alunos.

Aumentar os salários dos docentes que dão aulas em escolas remotas ou problemáticas ou reduzir-lhes o horário de trabalho são algumas das práticas aplicadas em países como a Austrália, Inglaterra, França, Alemanha, Suécia ou Estados Unidos da América.

Já em Portugal não existem políticas de discriminação positiva para quem aceita estes desafios. Resultado: As escolas mais desafiantes acabam por ser aquelas que têm mais professores jovens, com menos formação e com mais contratos a termo.

A idade dos docentes é importante para o sucesso académico dos alunos, segundo o relatório que ao analisar a situação em 25 países da OCDE concluiu que nas turmas com professores com mais de 30 anos houve uma redução das taxas de reprovação.

Portugal e França são precisamente os países com as taxas de reprovação mais elevadas, apesar de terem vindo a reduzir essa percentagem, segundo dados que compararam a situação vivida em 2005 e em 2015.

Para ter bons professores é preciso atrair os melhores alunos para a profissão, mas os dados da OCDE mostram outra realidade: Apenas 4,2% dos alunos de 15 anos dos países da OCDE tinham como plano futuro ser professor, sendo que é nos países onde os salários dos docentes são mais altos que se encontram mais jovens a querer seguir aquela carreira.

Em Portugal, apenas 1,3% dos jovens que desejam prosseguir estudos no ensino superior têm como objetivo seguir a profissão de professores, ficando assim entre os 13 países com uma taxa abaixo de 1,5%, juntamente com a Letónia, Canada, Dinamarca, Albânia, Colômbia, República Dominicana, Estónia, Indonésia, Jordânia, Peru, Qatar e Emiratos Árabes Unidos.
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