Metade das crianças expostas ao tabaco
Um estudo realizado pela Universidade do Minho no concelho de Braga concluiu que quase metade dos alunos do 4.º ano de escolaridade estão sujeitos ao fumo do tabaco em casa.
Teresa Sousa
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Quarenta e dois por cento dos alunos do 4.º ano de escolaridade de Braga são fumadores passivos na sua própria casa. Os resultados fazem parte do estudo "Exposição das crianças ao fumo ambiental do tabaco", que será apresentado hoje no I Congresso Internacional Escolar, a decorrer na cidade minhota.
Os dados apurados na investigação coordenada por José Precioso, do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho (UM), vão ao encontro dos valores de referência da Organização Mundial de Saúde. No passado ano letivo, foram selecionadas 35 escolas do 1.º ciclo do Concelho de Braga, num total de 793 alunos do 4.º ano de escolaridade. Os dados recolhidos na investigação permitem concluir, conforme adiantou ao EDUCARE.PT José Precioso, que "cerca de metade das crianças estão expostas ao fumo ambiental do tabaco, diária ou ocasionalmente".
A exposição das crianças ao fumo ambiental do tabaco (FAT) é considerada um problema de saúde pública. Com ela, aumentam o risco de morte súbita, pneumonia, infeções nos ouvidos e de ataques de asma mais severos. Por isso, os autores da investigação, que foi realizada em parceria com a Escola de Ciências de Saúde da Universidadade da Beira Interior e o Hospital de S. Marcos de Braga, alertam para a necessidade de focar a prevenção nos pais. "Fumar em casa é uma forma de agredir as crianças", alerta José Precioso.
Não há dados estatísticos que mostrem a dimensal nacional do FAT, mas os números obtidos até agora nos estudos focalizados vão ao encontro aos valores internacionais. Nos anos de 2002/2003, uma outra investigação da UM (mas com a faixa etária dos 12 aos 15 anos) concluiu que 38% dos inquiridos estavam expostos diária ou ocasionalmente ao fumo do tabaco em casa. O levantamento, permitiu também perceber que "o consumo de tabaco pelos pais e pelas mães, particularmente no domicílio, é um fator microssocial de risco, relacionado com o consumo de tabaco pelos filho". Apesar disso, e a avaliar pelas respostas dos alunos do 4.º ano, 99% das crianças inquiridas sabe que fumar faz mal à saúde e apenas 1,6% pensa vir a fumar no futuro.
Domicílios livres de fumo
Sendo os adultos o público-alvo das estratégias de prevenção e tratamento do tabagismo, a sensibilização poderá começar pelas crianças. Foi através desta estratégia para a alteração de comportamentos que nasceu, em novembro de 2007, o projeto Domicílios Livres de Fumo. Trinta e cinco escolas do concelho de Braga (as mesmas que foram selecionadas para a investigação que agora é dada a conhecer) foram integradas no programa, que abrange oitocentos alunos.
No projeto trabalha-se com as crianças, nomeadamente através da elaboração de desdobráveis, cartas para os pais e exercícios de role-playing em que se tenta convencer o interlocutor a não fumar, para obter resultados dentro de casa, junto dos pais ou irmãos. Até porque a investigação na área prova que "a maioria dos pais está disposta a parar de fumar em casa a pedido dos filhos", declara José Precioso.
Mas, para além das escolas, o investigador realça também a importância que os profissionais de saúde têm nesta área. "Os pediatras e os médicos de outros especialidades têm que ser sensibilizados para aconselharem os pais a não fumarem em casa e a não permitirem que outros o façam", defende. Ainda assim, Precioso aponta alguns sinais de otimismo: "Já começa a haver muitos médicos de família bastante envolvidos no tratamento dos fumadores e as consultas de apoio ao fumador têm aumentado em todo o país".
O estudo da Universidade do Minho irá ser apresentado hoje no I Congresso Internacional Escolar, que tem precisamente como temas de debate o ambiente, a saúde e a educação.
Mais informações:
www.cie-portugal.net
Os dados apurados na investigação coordenada por José Precioso, do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho (UM), vão ao encontro dos valores de referência da Organização Mundial de Saúde. No passado ano letivo, foram selecionadas 35 escolas do 1.º ciclo do Concelho de Braga, num total de 793 alunos do 4.º ano de escolaridade. Os dados recolhidos na investigação permitem concluir, conforme adiantou ao EDUCARE.PT José Precioso, que "cerca de metade das crianças estão expostas ao fumo ambiental do tabaco, diária ou ocasionalmente".
A exposição das crianças ao fumo ambiental do tabaco (FAT) é considerada um problema de saúde pública. Com ela, aumentam o risco de morte súbita, pneumonia, infeções nos ouvidos e de ataques de asma mais severos. Por isso, os autores da investigação, que foi realizada em parceria com a Escola de Ciências de Saúde da Universidadade da Beira Interior e o Hospital de S. Marcos de Braga, alertam para a necessidade de focar a prevenção nos pais. "Fumar em casa é uma forma de agredir as crianças", alerta José Precioso.
Não há dados estatísticos que mostrem a dimensal nacional do FAT, mas os números obtidos até agora nos estudos focalizados vão ao encontro aos valores internacionais. Nos anos de 2002/2003, uma outra investigação da UM (mas com a faixa etária dos 12 aos 15 anos) concluiu que 38% dos inquiridos estavam expostos diária ou ocasionalmente ao fumo do tabaco em casa. O levantamento, permitiu também perceber que "o consumo de tabaco pelos pais e pelas mães, particularmente no domicílio, é um fator microssocial de risco, relacionado com o consumo de tabaco pelos filho". Apesar disso, e a avaliar pelas respostas dos alunos do 4.º ano, 99% das crianças inquiridas sabe que fumar faz mal à saúde e apenas 1,6% pensa vir a fumar no futuro.
Domicílios livres de fumo
Sendo os adultos o público-alvo das estratégias de prevenção e tratamento do tabagismo, a sensibilização poderá começar pelas crianças. Foi através desta estratégia para a alteração de comportamentos que nasceu, em novembro de 2007, o projeto Domicílios Livres de Fumo. Trinta e cinco escolas do concelho de Braga (as mesmas que foram selecionadas para a investigação que agora é dada a conhecer) foram integradas no programa, que abrange oitocentos alunos.
No projeto trabalha-se com as crianças, nomeadamente através da elaboração de desdobráveis, cartas para os pais e exercícios de role-playing em que se tenta convencer o interlocutor a não fumar, para obter resultados dentro de casa, junto dos pais ou irmãos. Até porque a investigação na área prova que "a maioria dos pais está disposta a parar de fumar em casa a pedido dos filhos", declara José Precioso.
Mas, para além das escolas, o investigador realça também a importância que os profissionais de saúde têm nesta área. "Os pediatras e os médicos de outros especialidades têm que ser sensibilizados para aconselharem os pais a não fumarem em casa e a não permitirem que outros o façam", defende. Ainda assim, Precioso aponta alguns sinais de otimismo: "Já começa a haver muitos médicos de família bastante envolvidos no tratamento dos fumadores e as consultas de apoio ao fumador têm aumentado em todo o país".
O estudo da Universidade do Minho irá ser apresentado hoje no I Congresso Internacional Escolar, que tem precisamente como temas de debate o ambiente, a saúde e a educação.
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