“Ajuda como Podes” é mais do que um projeto de cidadania

Todas as semanas, alunos do Colégio Valsassina, em Lisboa, pensam sobre conceitos importantes para a cidadania ativa. Envolvem-se em debates para compreender o mundo, perceber emoções e ajudar quem precisa. Este projeto-piloto, da Associação Um Por Cento, pode chegar a mais escolas.
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Todos os dias são dias de pensar no outro, pensar como ajudar quem precisa, refletir sobre ideias importantes para uma cidadania ativa. Desde o início deste ano letivo que alunos do Colégio Valsassina, em Lisboa, têm esta oportunidade no projeto-piloto “Ajuda como Podes” da Associação Um Por Cento, estrutura sem fins lucrativos que dinamiza programas e atividades que contribuam para o progresso social. Tolerância, compaixão, cooperação, o eu e o outro, o mundo, a sociedade são alguns dos temas que estão a envolver alunos do colégio.

O projeto pretende que os estudantes adquiram competências socioemocionais e sentido crítico apurado, de uma forma criativa e responsável, que lhes permitam fazer escolhas socialmente responsáveis no futuro. Oportunidades para se conhecerem melhor, partilharem ideias e preocupações, alegrias e tristezas. Para Madalena Basílio, aluna da turma do 5.º ano, os assuntos abordados fazem-na pensar. “Ajudam-me a pensar os meus sentimentos”. O aluno Tomás Martins está contente com as aulas. “Gosto do projeto porque faz-nos pensar melhor no que aconteceu, no que acontece e no que acontecerá connosco e com os outros." E Luís Henriques, da mesma turma, garante que o projeto tem melhorado “o trabalho em grupo”.

Há mais comentários sobre esta experiência. Afonso Canas gosta das aulas que falam de cidadania porque, além de escrever no caderno, também tem oportunidade de fazer atividades. “Acho que este projeto é divertido e ajuda-nos a manter-nos à vontade e com confiança”, diz Caetana Gomes. Gonçalo Cruzeiro garante que o projeto é “muito divertido e interessante” porque há “atividades giras e aprendemos a ser melhores cidadãos”. Inês Dias também partilha a sua opinião. “Gosto muito porque ajudamos as pessoas que estão na atividade a perceber que devemos mudar, e não devemos fazer nada de mal." 

Todas as semanas, num total de 24 a 30 horas ao longo do ano letivo, numa lógica de complemento de atividades, os alunos de uma turma do 5.º ano de escolaridade do colégio são estimulados a pensar em vários conceitos para que compreendam melhor o mundo e o seu papel na sociedade. A educação é um caminho para a cidadania e hoje há valores que são constantemente colocados à prova. Além disso, a presença e participação dos pais nas atividades extrassessões são reveladoras de que o projeto está a cumprir o seu papel.

Agentes de mudança
“Os alunos sentem-se mais comprometidos e preocupados uns com os outros, percebem que juntos podem fazer coisas diferentes e importantes para a comunidade onde estão inseridos”, refere Maria Palha, psicóloga e responsável pelo desenho do projeto que tem uma equipa que o acompanha e mede o impacto que está a ter na vida escolar e pessoal dos alunos.

No final do ano letivo, há um Speed Date Solidário, um encontro em que os alunos, divididos em grupos, desafiarão os adultos a dar respostas a necessidades da comunidade onde o colégio se encontra inserido. Ou, por outras palavras, arregaçar as mangas e pôr mãos à obra para concretizar o que se foi aprendendo ao longo do ano. Criar grupos de voluntariado é um dos frutos do “Ajuda como Podes”.

E que necessidades são essas? Não é apenas teoria. O levantamento dessas necessidades está já a ser feito por uma equipa da Associação Um Por Cento que se tem reunido com várias pessoas, atores sociais, dos bairros à volta do colégio, para anotar quais os bens, serviços ou tempo que se pode disponibilizar para melhorar os dias de quem precisa de apoio.

Os alunos terão aqui um papel importantíssimo, uma vez que terão de envolver os seus colegas, familiares, amigos, professores, auxiliares, para que sejam criados grupos de voluntariado que fiquem na escola nos próximos anos. A continuidade é um dos objetivos. Trata-se de um trabalho de articulação com a escola, com a professora de Educação para a Cidadania, e que conta ainda com a participação da Junta de Freguesia de Marvila.

“Até ao momento já conseguimos reunir com as instituições dos bairros circundantes ao colégio. É gratificante perceber que ao darmos 1% de nós, podemos transformar 100% da vida de alguém, e esse é o nosso propósito”, refere Filipe Canto e Castro, fundador da Associação Um Por Cento.

“Ajuda como Podes” poderá chegar a outras escolas. Haja vontade das escolas em desenvolver este projeto que envolve crianças e jovens em debates importantes para consolidar cidadãos mais conscientes. “O envolvimento da sociedade civil em causas sociais está estreitamente ligado com a clareza dos custos associados aos projetos”, sublinha o responsável pela associação.

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