Modelos educativos positivos, líderes mais eficazes

Duas investigadoras analisaram as vantagens de ter filhos e irmãos. Boas relações entre irmãos significam melhor desempenho nas tarefas de equipa. Pais com atitudes positivas com os filhos são melhores no trabalho. Tudo começa dentro de casa e, por isso, a educação é fundamental.
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As relações familiares são estruturantes no dia-a-dia de cada um. Seja em que contexto for. Na escola, nas brincadeiras, nas atividades extracurriculares, no trabalho. Da infância à velhice. Duas alunas da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa mergulharam nestas ligações e concluem que ter filhos e irmãos favorece o desempenho laboral. A vários níveis. As estatísticas indicam que más relações entre irmãos podem comprometer a relação entre colegas, mesmo que as tarefas sejam concretizadas.

“O nosso estudo evidencia que os colaboradores que se consideram pais ‘autoritativos’ (os que exigem com afeto) têm uma maior propensão para serem líderes transformacionais no trabalho, ou seja, os indivíduos que exercem um modelo educativo positivo com os seus filhos, são líderes mais eficazes”, adianta a investigadora Cláudia Dias, autora da tese de mestrado “Parentalidade, um vínculo permanente: o papel mediador do enriquecimento família-trabalho na relação entre os estilos parentais e a liderança transformacional”.

Carolina Henriques, também investigadora da mesma faculdade, sublinha que “a existência de uma boa relação entre irmãos e de uma parentalidade positiva estão associadas a competências que são cada vez mais procuradas nas organizações e que são fundamentais para o bom desempenho dos colaboradores e, em última instância, para o bom funcionamento das próprias organizações”. Está tudo ligado. O que acontece em casa tem repercussões em outros contextos. E a educação é um pilar importante nessa transmissão entre pais e filhos e entre irmãos.

Família, trabalho, estilos parentais, lideranças. Cláudia Dias investigou estas dinâmicas. O mundo do trabalho mudou, há mais mulheres no mercado laboral, mais famílias com duplos empregos, mais homens envolvidos nas tarefas domésticas. Família e trabalho acabam sempre por ser dois fatores da mesma equação. Há novos e constantes desafios, mudanças de papéis, uma vontade de conciliar tarefas.

“Os resultados do estudo sugerem que uma parentalidade positiva está associada a uma liderança positiva e eficaz no trabalho, demonstrando que os colaboradores que apresentam um estilo parental autoritativo também apresentam um estilo de liderança transformacional”, conclui a Cláudia Dias. “O facto de se ser pai/mãe potencia o desenvolvimento de competências importantes para o desempenho profissional dos colaboradores”, acrescenta.  

Afetos em casa, tarefas em equipa  
Por seu turno, Carolina Henriques verificou que a relação positiva entre irmãos está relacionada com um melhor desempenho das tarefas em equipa e com uma melhor relação com os colegas. “Melodia que dá ritmo às equipas? A relação entre os irmãos e o funcionamento de equipas: o papel mediador do enriquecimento família-trabalho” é o tema da sua tese de mestrado integrado em Psicologia.

A relação entre irmãos é vantajosa em várias fases da vida, não só na infância, como também na adolescência e na idade adulta. “Pode afirmar-se que ter irmãos é uma vantagem perante quem é filho único, uma vez que a relação entre irmãos permite o desenvolvimento de várias competências interpessoais fulcrais ao longo da vida”, sublinha. “A qualidade da relação entre irmãos influencia o funcionamento de equipas, tanto ao nível do desempenho das tarefas como ao nível da relação com os colegas de equipa”, repara.  

O estudo revela que são os indivíduos que consideram positiva a relação que têm com os irmãos que mais valorizam a relação família-trabalho, e que também consideram mais positivo o funcionamento da sua equipa de trabalho. A investigação demonstra que as competências e os recursos gerados na relação entre irmãos “potenciam a transferência positiva de recursos e de afetos do domínio da família para a atividade profissional e esta transferência, por sua vez, permite aos indivíduos funcionar melhor nas suas equipas de trabalho”.

As investigações envolveram um trabalho de campo organizado em duas fases, focus groups e questionários, em três empresas portuguesas, num universo de cerca de 400 indivíduos com idades compreendidas entre os 22 e os 69 anos. Os estudos foram promovidos pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas e a Quasar Human Capital. Os resultados foram recentemente apresentados numa cerimónia pública no auditório da Faculdade de Psicologia.

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