Stephen Hawking, o cientista feliz, deixou uma enorme herança na ciência e na educação

Físico britânico queria perceber a origem do universo, como funcionavam os buracos negros, e não colocava de parte a possibilidade de viajar no tempo. Viveu preso a uma cadeira de rodas e continuou a estudar, a investigar, a produzir conhecimento. Morreu esta madrugada aos 76 anos. 
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O físico que fintou as leis da vida, vivendo muito além dos três anos que lhe sentenciaram quando lhe diagnosticaram uma esclerose lateral amiotrófica aos 21 anos, morreu na madrugada desta quarta-feira em casa, em Cambridge. Stephen Hawking tinha 76 anos, um humor incrível, e deu um contributo precioso para a ciência e para a educação, abrindo novas perspetivas sobre o cosmos, o tempo, os buracos negros do universo. Um dos maiores nomes da ciência, reconhecido mundialmente, deixa um legado incomensurável.

A doença definhou-lhe o corpo, mas não a mente. Viveu numa cadeira de rodas, sem se mexer, além do seu conhecido e expressivo piscar de olhos, mas nunca desistiu de pertencer à comunidade científica. Continuou a investigar, a partilhar os seus conhecimentos, a contribuir para a história científica, para o que se estuda nas escolas de todo o mundo. Demonstrou que afinal os buracos negros emitem radiação até se transformarem em nada, quando se pensava que esses buracos apenas engoliam tudo o que lhes aparecia à frente. Abanou ideias feitas.  

Um físico de mente brilhante, muitas vezes referido como o mais famoso cientista do mundo desde Einstein, que curiosamente nasceu no dia em que Hawking morreu, mas no ano de 1879. Dedicado e persistente queria perceber a origem do mundo. Focou-se nos buracos negros e na teoria da relatividade, publicou o livro “Uma Breve História do Tempo: do Big Bang aos Buracos Negros” que se tornou um bestseller, “entrou” num dos episódios dos Simpsons. Não excluía a hipótese de a humanidade, por um cataclismo qualquer, vir a desaparecer do planeta. Há cerca de 15 anos, referiu que queria a sua fórmula, a fórmula da entropia dos buracos negros, gravada na sua lápide.

Os seus três filhos reagiram à sua morte numa nota divulgada pelo jornal britânico The Guardian. “A sua coragem e persistência, com a sua inteligência e humor, inspiraram pessoas no mundo inteiro. Ele disse um dia: ‘Isto não seria um grande universo se não morassem lá as pessoas que amamos’. Vamos sentir a sua falta para sempre”, escreveram os filhos. Há sete anos, o cientista referia, no mesmo jornal, que não tinha medo da morte, mas que não tinha pressa de morrer. “Há tanta coisa que quero fazer primeiro”, dizia. Garantiu sempre ser um homem feliz.  

A teoria de tudo
“A vida seria trágica se não fosse divertida.” A frase é sua e mostra a forma de encarar a vida, apesar de preso a uma cadeira de rodas e de não conseguir falar, comunicando através de um sintetizador de voz ligado a um computador. “A desvantagem da minha fama é que não posso ir a qualquer lugar sem ser reconhecido. Não serve de nada usar óculos de sol e uma peruca. A cadeira de rodas denuncia-me”, disse com graça.  

Contornou as probabilidades médicas, a sua história deu um filme, “A Teoria de Tudo” que valeu um Óscar ao ator Eddie Redmayne pela sua interpretação. O seu espírito aventureiro é conhecido. Andou pelo mundo, celebrou os 60 anos de vida num balão de ar quente, e até participou num voo de gravidade zero. E questionava a existência de Deus. “A explicação mais simples é que não há Deus. Ninguém criou o universo e ninguém dirige o nosso destino. Isso leva-nos a uma profunda perceção de que provavelmente não há céu, nem vida após a morte. Temos esta vida para apreciar o grande universo e, por isso, estou extremamente grato”, referiu.

A sua tese de doutoramento “Propriedade dos Universos em Expansão” é considerada um documento histórico. Escreveu-a quando ainda andava na faculdade e divulgou-a no ano passado. Lembrava que havia estrelas, além do chão. “Lembre-se de olhar para as estrelas e não para os seus pés. Tente entender o que vê e pergunte a si próprio o que faz o universo existir. Seja curioso. Mesmo que a vida possa parecer difícil, há sempre algo que pode fazer e ter sucesso. É importante não desistir.” 
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