Literacia 3Di: “Do you speak English?”

O EDUCARE.PT acompanhou a realização das provas de Inglês do concurso Literacia 3Di da Porto Editora, numa escola básica da Maia.
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Entram na sala descontraídos e vão ocupando os lugares vazios em frente aos computadores. “Asseyez-vous, s'il vous plaît!” Sentem-se, se fazem favor! O apelo é da professora de Francês, Virgínia Machado, que está prestes a  anunciar, em Português, as regras da prova de Inglês que os alunos do 8.º ano farão dentro de minutos. O concurso Literacia 3Di, promovido pela Porto Editora, estreia este ano a avaliação dos conhecimentos em língua inglesa. Na Escola Básica EB 2,3 Gonçalves Mendes da Maia participam 900 alunos do 5.º ao 8.º ano.

“Têm de mostrar as vossas capacidades, por mérito próprio. A prova é individual, portanto, façam o melhor que souberem!” As instruções estão dadas e a prova começa. Os conteúdos foram concebidos pela Universidade de Cambridge, instituição universitária do Reino Unido. Luísa Geão, diretora da Cambridge English Language Assessment, um departamento da prestigiada universidade inglesa, explica ao EDUCARE.PT que a importância da participação no Literacia 3Di reside na “possibilidade de levar o Inglês a escolas de todo o país onde, normalmente, as pessoas não associam os exames da Cambridge”. “Há uma intenção muito grande da nossa parte de democratizar a aprendizagem do Inglês e explicar que é cada vez mais uma competência que tem de ser provada no mundo académico e profissional e não só uma língua que se aprende.”

O Literacia 3Di é o projeto bandeira da área da responsabilidade social da Porto Editora. A iniciativa decorre desde 2015/2016. “Entusiasma-nos pelo impacto tremendo que está a ter nas escolas portuguesas de todo o país”, assegura Paulo Rebelo Gonçalves, o responsável pelo gabinete de comunicação da editora. Nesta edição estão inscritos 900 estabelecimentos de ensino, participam mais de 130 mil crianças. Só nesta escola da Maia fazem as provas todos os alunos que frequentam o 5.º, 6.º, 7.º e 8.º anos.

“Os alunos vão aferindo conhecimentos, conseguem mostrar o seu valor e ao mesmo tempo acaba por ser um teste um bocadinho diferente do que aqueles a que estão habituados”, comenta Virgínia Machado, adiantando que “seria importante alargar o concurso a outras disciplinas para que os alunos possam mostrar as suas capacidades noutros campos.”

A hipótese não está descartada. O Literacia 3D testa atualmente os conhecimentos dos alunos do 2.º e do 3.º ciclos em quatro áreas do conhecimento, são elas a Leitura, Matemática, Ciência e o Inglês. Antes de alargar o desafio a outras disciplinas, como sugere Virgínia Machado, a professora de Francês que vai “vigiar” a prova, “é preciso consolidar o trabalho desenvolvido”, responde Paulo Gonçalves. “Testar estas quatro áreas dá-nos muito trabalho (risos), implica o envolvimento de uma equipa vastíssima. Mas é óbvio que gostaríamos de abraçar mais dimensões do conhecimento. E se algum dia for esse o caminho, queremos fazê-lo com qualidade.”

Nas escolas, pôr em marcha o Literacia 3Di é mais fácil, garante Fernando Sousa, professor de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). É quem está responsável por adaptar a sala de informática à realização das provas, feitas em computador. Do ponto de vista “técnico”, ter os computadores prontos para a realização dos testes não podia ser mais “simples”, assegura o professor de TIC. “Os computadores e os recursos são os que existem na escola e que são utilizados no dia a dia no nosso trabalho. Basta uma pequena configuração das máquinas para que tudo corra na normalidade. Nada de complicado.”

Os participantes no Literacia 3Di acedem de forma gratuita a conteúdos da Escola Virtual. Conseguem avaliar as suas competências e medi-las nas mesmas circunstâncias  e em comparação com alunos de todo o país. A avaliação acontece ao nível nacional, com recurso às novas tecnologias e está em curso até dia 24 de novembro. Os alunos têm 45 minutos para ler e interpretar textos, completar frases preenchendo as palavras que faltam nos espaços e escolher as respostas corretas.

Na escola da Maia, vários alunos completam a tarefa muito antes do tempo previsto. Gabriela, de 13 anos, é uma das primeiras. Não teve dificuldades nenhumas. “Talvez só a última pergunta fosse mais complicada”, conta ao EDUCARE.PT. Qualquer coisa como completar a frase “eles tinham de ligar (espaço) casa”. “For não podia ser, to também não.” Fora da sala de aula, Gabriela confere algumas respostas com Joana, de 13 anos, outra aluna que terminou a prova em cerca de 20 minutos. Ambas concluíram o 7.º ano com nota 5 à disciplina de Inglês. E este ano, o primeiro teste à disciplina também correu bem, dizem os alunos. Mas terão de esperar pela próxima aula para receber os testes e confirmar o sucesso.

Do lado dos rapazes, as opiniões são idênticas. Tal como as boas notas obtidas no ano passado à disciplina: todos conseguiram os 5 valores. Talvez por isso, Diogo, de 13 anos, tenha achado a prova “tão fácil” que facilmente, diz, “podia ter feito duas”. Como não era esse o desafio, aproveitou o tempo de outra forma: “Revi as minhas respostas três vezes.” O amigo Tomás, também de 13 anos, no início da prova estava preocupado que o tempo não chegasse, mas no final descobriu – com grande felicidade – que “era tempo mais do que suficiente”.

No computador, esclarece Luísa Geão, “os alunos têm a sensação de que o teste é fácil”. Mas o grau de dificuldade das perguntas e dos exercícios vai ao encontro do perfil de conhecimentos que devem ser adquiridos em Inglês no final do 8.º ano. “O teste não é fácil mas pela interface e a forma como as questões estão elaboradas os alunos têm a sensação de que é fácil e ganham motivação para aprender.”

Para George Heritage, da Cambridge English Language Assessment, já não é preciso convencer as pessoas da importância de aprender a língua inglesa. Importa agora, sublinha, explicar aos jovens que “ao nível mundial é importante a certificação dos conhecimentos”, nomeadamente através da realização dos famosos exames de Cambridge. “Em Portugal, o nível geral de conhecimentos de Inglês é já suficientemente elevado”, reconhece. “Mas para todos aqueles que querem trabalhar fora do país é importante a certificação reconhecida internacionalmente das competências linguísticas.”
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