“É um orgulho para nós e para os nossos pais também por terem filhos escritores”

Alunos do 1.º ciclo da Escola Básica José Manuel Durão Barroso, em Armamar, conseguiram o 1.º e o 3.º lugares no Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes D'Escrita da Porto Editora 2016/2017.
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Sorrisos dos professores. E muita agitação entre os alunos. A biblioteca da Escola Básica José Manuel Durão Barroso, em Armamar, foi pequena para conter tanto entusiasmo. A alegria dos concorrentes que no ano letivo passado encheram páginas com histórias para concorrer ao Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes D'Escrita da Porto Editora 2016/2017… e ganharam. Os alunos que este ano se preparam para seguir os passos dos colegas e se estrear na escrita mostram o mesmo frenesim. As ideias já andam no papel mas ninguém quer desvendar detalhes sobre o que as letras andam a escrever. "O segredo é a alma do negócio", diz um professor na assistência.

Depois da viagem para a entrega dos prémios até à Póvoa de Varzim, a cidade que todos os anos organiza o Festival Correntes d'Escrita, os alunos aguardam a esperada entrega do livro que reúne as três histórias vencedoras. Feito inédito, a Escola Básica José Manuel Durão Barroso, em Armamar, conseguiu ter duas histórias premiadas no concurso. O  1.º lugar foi para o conto "Uma Limpeza Necessária” no qual se relatam as aventuras de uma menina encolhida por acidente numa experiência científica. E que, por obra e graça do seu tamanho, acaba dentro da cabeça de um militar com a missão de limpar o seu pensamento belicoso. 3.º lugar foi para "A História que o Miki contou”, um conto inspirado na vivência da turma e que dá a conhecer o dia a dia de um menino portador de uma deficiência.  

O Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes D'Escrita da Porto Editora é dirigido aos alunos e professores do 4.º ano de escolaridade e "tem como objetivos promover os hábitos de leitura e de escrita, a criatividade e a imaginação através do desenho. E, não menos importante, contribuir para o desenvolvimento de um espírito de grupo, de colaboração e de partilha de objetivos comuns", refere Paulo Gonçalves do Grupo Porto Editora.

Luís Diamantino, vereador da Cultura da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, deslocou-se a Armamar para lembrar a importância do prémio "na promoção da literacia" e incentivar novas participações: “Quem nunca concorreu vai sempre a tempo de o fazer!” Desengane-se, porém, quem pensa que a tarefa é fácil. Frederico, de 10 anos de idade, faz parte da turma que escreveu a "A História que o Miki contou". Ao EDUCARE explica algumas das dificuldades por que ele e os colegas passaram durante a escrita. “Foi complicado e demorou alguns dias e o mais difícil foi reconstruir a história com as ideias de toda a turma.”

Arminda Cardoso, professora do 1.º ciclo há 33 anos, esteve sempre envolvida no processo. Entre risos e muita alegria por encontrar a antiga turma, acaba por confirmar o relato de Frederico. Numa idade em que abunda a criatividade, parar a corrente da escrita parece ser de facto o verdadeiro desafio: “Foi difícil porque estavam a surgir muitas, muitas ideias... Mas em conjunto foi possível chegar a um consenso.” A ajuda chegou também através de César Carvalho, um professor bibliotecário, que todos os anos organiza as Oficinas de Escrita. E que, numa outra iniciativa, já tinha reunido em livro poemas e desenhos de alunos da escola.

Além da criação dos textos, os alunos têm também a seu cargo a ilustração da história. “Os desenhos foram uma tarefa mais simples para eles”, conta Arminda Cardoso. “Aproveitámos o que cada um fez de melhor, recortámos e depois fizemos o trabalho final”, explica. Agora que o desafio foi vencido, Rodrigo, de 10 anos, outro dos vencedores do 3.º prémio, só pensa em “guardar o livro como uma recordação do 4.º B”.

Escreveram, desenharam e até viajaram à Póvoa do Varzim. E do ponto de vista pedagógico? O cortar e colar de letras teve resultados surpreendentes. “Os alunos até começaram a escrever melhor. Aprenderam formas diferentes de escrita.” Resume a professora Arminda Cardoso. Hoje, ao ver o trabalho de tantos dias publicado em livro, Frederico diz ao EDUCARE que gostaria de voltar a participar. Mas sabe que terá de dar a vez aos colegas que estão agora no 4.º ano. Por isso, aproveita o momento da entrevista para deixar um incentivo aos colegas que este ano vão participar. “É um orgulho para nós e para os nossos pais também por terem filhos escritores.”    
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