TV: “Um pilar fundamental no quotidiano dos portugueses”

Estudo sobre hábitos de consumo noticioso mostra que os portugueses preferem a televisão para verem as notícias. Mas cada vez mais pessoas usam as redes sociais e o smartphone para estarem informadas.
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A televisão continua a ser o ecrã preferido dos portugueses para saber as notícias. Mas no que toca ao acesso à informação através da Internet, o smartphone está a ganhar terreno ao computador. As conclusões são do “Reuters Digital News Report 2017”, um relatório anual publicado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism, em que se avaliam os hábitos de consumo de notícias de mais de 70 mil indivíduos em 36 países. Em Portugal foram inquiridos 2007 pessoas.

A TV continua a ser “um pilar fundamental no quotidiano dos portugueses”, escrevem os investigadores do OberCom - Observatório da Comunicação, entidade que em Portugal é responsável pela coordenação deste estudo internacional. Ver televisão é uma prática assumida por 54,5% dos inquiridos. O consumo ganha mais dois pontos percentuais face a 2016. A Internet surge em segundo lugar para 31,5% dos inquiridos, mas descendo cerca de três pontos percentuais.

As redes sociais ganham “peso expressivo” nos hábitos de consumo informativo dos portugueses: 13,3% dizem que esta é a sua principal fonte de notícias (11,8% em 2015 e 15,9% em 2016). Sempre popular, o Facebook é utilizado por 54,3% dos inquiridos para saber o que se passa no mundo. Apenas seguido pela plataforma de streaming Youtube, usada por 19,9% dos inquiridos, e pelo Twitter, usado por 6,4%.  

Olhando para o número de pessoas que navegam nas redes sociais, não apenas fazendo delas fonte de notícias, cerca de 62% dos portugueses dizem-se utilizadores. Voltando à função informativa, o Facebook tem vindo a perder pontos como fonte de acesso às notícias, lê-se no relatório. Em 2015, 67% dos inquiridos usavam essa rede para se informar, em 2016 a percentagem caía para 62,7%, para em 2017 se fixar em 54,3%. Ganham popularidade as redes sociais de mensagens instantâneas, como o Facebook Messenger e o Whatsapp, utilizados por 16,4% e 6% dos inquiridos em 2017.  

Ter as notícias no bolso
A que dispositivos recorrem os portugueses para aceder às notícias? Computadores e portáteis são os mais usados, seguidos do smartphone que, segundo os investigadores do OberCom, “continua a ganhar um peso significativo na relação dos portugueses, não só com as notícias, mas com a Internet em geral”.

Considerando os três últimos anos, analisados por sucessivos relatórios da Reuters, o PC está a perder importância e o smartphone a ganhar cada vez mais. Ainda assim, em 2017 o computador continua a ser o dispositivo mais usado para ver as notícias. É o que respondem 66,6% dos inquiridos. Logo seguido pelos 51,4% de inquiridos que dizem recorrer ao smartponhe e pelos 22,4% que usam o tablet.

De acordo com os investigadores, os dados sobre a utilização dos dispositivos apontam para “uma mudança de paradigma que, com o passar dos anos, se tem vindo a revelar cada vez mais consistente”. Considerando os dispositivos móveis, em 2017, o smartphone e o tablet são utilizados por 73,8% dos inquiridos, ou seja, “a vertente tecnológica mobile ultrapassa claramente o computador”, lê-se no relatório.

Ler online a imprensa escrita
Olhando para as fontes de notícias na Internet, os portugueses preferem ler online as versões digitais dos jornais, televisões e rádios mais tradicionais. Ainda assim, no mercado português de notícias, as marcas de comunicação com existência apenas virtual “têm sido particularmente bem sucedidas nos últimos anos, dinamizando o mercado português de forma significativa”, lê-se no relatório do Reuters.

A plataforma “Notícias ao Minuto” figura entre as mais usadas. É escolhida por 31,5% dos inquiridos, sendo também considerada uma fonte fiável de notícias. Em segundo lugar surge o portal Sapo, reunindo as preferências de 28,9% dos inquiridos. Quem usa este portal destaca a vertente entretenimento como o seu melhor recurso. Nos relatórios anteriores, de 2015 e de 2016, as duas marcas obtinham lugares inversos, com o Sapo a liderar. As notícias do Google surgem em terceiro lugar como opção para 22% dos inquiridos portugueses.   

Confiança nas notícias
Numa altura em que aumentam as designadas “notícias falsas”, um dos objetivos do estudo é perceber qual a confiança das pessoas nas notícias. Os portugueses continuam a ser dos que mais acreditam no que leem, comparativamente aos restantes países participantes no estudo. Em 2017, 58,4% dos inquiridos dizem confiar em notícias. No entanto, nos últimos três anos, a desconfiança tem vindo a aumentar. Como provam os valores de 2016 em que 59,6% dos inquiridos mostravam ter confiança nas notícias que liam. E os valores de 2015 em que essa percentagem atingia os 66%.   

Quem paga para ler notícias? O “Reuters Digital News Report 2017” mostra o quão dispostos estão os inquiridos para “comprar” informação, seja em papel ou online. Dos 2007 inquiridos, 36,9% tinham comprado algum título de imprensa escrita na semana anterior à da resposta do inquérito. Apenas 39% tinham feito essa compra em 2016. Por outro lado, 9,5% afirmam ter pago por notícias online no último ano. Entre 2015 e 2017 o número de inquiridos que pagou por informação subiu de 7% para 9,5%. Mas estes valores são ainda considerados bastante abaixo dos praticados em países como a Alemanha e os Estados Unidos, escrevem os investigadores do OberCom.

Publicidade em troca de informação
Quem lê notícias na Internet sabe que vai ter de fechar algumas “publicidades” antes de conseguir aceder ao artigo que pretende. Mas, em Portugal, 34,3% dos inquiridos está mesmo dispostos a visualizar anúncios em troca de notícias gratuitas. O mesmo não dirão 28% dos inquiridos que usam software de adblocking em algum dispositivo que utilizam para se ligarem à Internet. Entre esses, 92,8% têm software idêntico instalado no computador e 25,1% no smartphone.  

Os investigadores quiseram ainda saber a perceção dos inquiridos sobre qual a duração “ideal” de um vídeo publicitário. Ou seja, os anúncios que “pulam” nos ecrãs antes dos vídeos noticiosos. Para 50,4% dos inquiridos esses vídeos não deveriam exceder os cinco segundos.

A publicidade não é a única coisa que incomoda os utilizadores da Internet. Uma nova questão, introduzida no relatório de 2017, mostra que 49,1% dos inquiridos costumam evitar notícias. As razões são diversas: 37% justificam-se com “a influência negativa” sobre o seu estado de humor, 23,6% com o facto de as imagens explícitas serem chocantes e 19,4% com a falta de confiança nas notícias.

O “Reuters Digital News Report 2017” analisa nesta edição a relação dos públicos com as notícias em função das várias respostas dos inquiridos. As conclusões indicam que os portugueses “tendem a enquadrar-se em maior percentagem (54,5%) no grupo dos consumidores que não acompanham a realidade noticiosa de forma intensiva, mas que também não o fazem de forma casual”.
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A TV como desastre educacional - I
Prof. Raul Guerreiro - Pedagogo Waldorf
O título aplicado, bem como o respetivo conteúdo, não se enquadra no espírito da educare.pt como respeitada página internética dedicada à educação. O tema constitui em si uma lastimável constatação do fato que a mentalidade da nossa população (em um país com uma das maiores taxas de analfabetismo na Europa) continua a ser moldada por meios de comunicação ao serviço sobretudo de interesses económicos e do mundo político. O artigo refere-se a uma suposta audiência feita de adultos interessados em "notícias", mas evita tocar no aspecto fundamental das consequências perniciosas do consumo audiovisual macisso imposto a milhões de crianças. A triste realidade é que em inúmeros lares o dia da família começa com "ligar a TV". Até mesmo crianças de tenra idade ficam assim condicionadas à presença de cenas e seres virtuais confinados a um ecrã com alguns palmos de largura. Todos os estudos de pediatria, psicologia e neurologia já atestaram que hoje em dia as crianças e jovens consomem imagens artificiais em uma quantidade 5 vezes maior do que é possível ser digerida pela consciência. O cérebro humano está em contínua transformação desde o nascimento até aos 21 anos de idade, e o estímulo causado por um excesso de exposição a meios audiovisuais causa défice de atenção, atrasos cognitivos, deficiências na aprendizagem, impulsividade, e diminuição da capacidade de auto-domínio emocional. A fixação dos olhos em ecrãs, sejam eles grandes ou pequenos, durante muitas horas por dia, provoca uma desastrosa restrição dos movimentos do corpo, o que vai afetar diretamente um desenvolvimento orgânico harmonioso. Hoje em dia, um crescente número das crianças que entram para a escola apresentam atraso de desenvolvimento, o que vai dificultar a alfabetização e o desempenho escolar. A TV (tendenciosamente glorificada no artigo como "Pilar fundamental do quotidiano dos portugueses") constitui um perfeito desastre educacional. Em termos orgânicos imediatos, ela é um dos principais elementos promotores da obesidade infantil. Há pais que inclusive instalam aparelhos de TV ou vídeo-games nos próprios quartos de dormir dos filhos, o que pode promover diabetes e maior risco de problemas vasculares cerebrais e até um ataque cardíaco. Um estudo científico chegou à sinistra conclusão: Em grande parte devido à obesidade, as crianças do nosso século poderão ser a primeira geração na história da humanidade que não viverá mais do que os seus pais.
20-11-2017
A TV como desastre educacional - II
Prof. Raul Guerreiro - Pedagogo Waldorf
A maioria dos pais não supervisiona o uso da TV ou outros aparelhos pelos seus filhos, e mais de metade da população infantil sofre de privação do sono, o que vai afetar automaticamente o desempenho escolar. Essa exposição descontrolada é uma das principais causas de depressão infantil, ansiedade, transtorno de relações, défice de atenção, psicose, autismo, transtorno bipolar e comportamento infantil desordenado. Milhares de crianças têm doenças mentais em desenvolvimento, e sofrem com a aplicação forçosa de medicamentos perigosos. Os conteúdos da TV são concebidos fundamentalmente para adultos e estão repletos de emotividade, violência e provocações sensacionalistas ou sexistas. Isto vai colaborar para a promoção da agressividade infantil. Em vários países, a violência nas mídia já foi denunciada como um risco para a saúde pública, derivado da pré-disposição injetada no subconsciente das crianças. Por outro lado, a moda em voga de realizar vídeos de propaganda, noticiários ou comentários montados com cenas individuais de apenas alguns segundos de duração e em rápida alternação contribui para o défice de atenção, bem como para a diminuição da concentração e da memória, conforme o cérebro sofre alterações no córtex frontal. Crianças expostas a constantes interrupções da consciência simplesmente não podem aprender. Por outro lado, pais viciados eles próprios em TV e outras aparelhagens tendem a desapegar-se dos seus filhos, os quais por sua vez, sentindo-se carentes de um convívio autenticamente humano, recorrem ainda mais intensamente às mesmas aparelhagens, caseiras ou de bolso, o que pode resultar em uma miserável dependência psíquica, como acontece com qualquer droga.
20-11-2017
 
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