O percurso pioneiro do Inglês nas escolas da Madeira

Criaram-se oficinas de trabalho, material pedagógico, testes diagnósticos, um portefólio e um passaporte linguístico para perceber conhecimentos e dificuldades dos alunos. Professores e educadores tiveram formação e foi ainda definido um perfil do docente adequado à realidade regional.
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A introdução do Inglês na educação pré-escolar e no 1.º ciclo do Ensino Básico na Região Autónoma da Madeira, de uma forma consistente e sustentada, tem dado frutos. Em 2015, a Madeira surgiu em 8.º lugar a nível nacional no exame de Inglês - Preliminary English Test (PET), que era realizado na altura. “Neste sentido, importará manter uma linha que contribua para a melhoria desses resultados e para a introdução precoce de uma segunda língua estrangeira”, destaca a equipa que coordena este projeto, constituída por Sandra Gomes, Carla Ferreira, Renato Carvalho, Neusa Costa e Paula Freitas.

No ano letivo de 2016/2017, todas as escolas públicas da Madeira proporcionavam acesso ao Inglês em todos os anos de escolaridade. Na educação pré-escolar, a sensibilização à língua inglesa chegava a cerca de 98% das escolas públicas e a algumas salas de creche. Os passos dados, as atividades organizadas e o percurso feito são partilhados num texto publicado no último relatório do Estado da Educação do Conselho Nacional de Educação.

Oficinas de trabalho com várias temáticas, testes diagnósticos aplicados aos alunos, formação específica para docentes e educadores, produção de material pedagógico, criação de um portefólio e de um passaporte linguístico com informações sobre os conhecimentos da língua, definição de um perfil do docente adequado à realidade regional, estas foram algumas das iniciativas realizadas nas escolas madeirenses no âmbito deste processo.

Manter o trabalho desenvolvido e, se possível, consolidá-lo tem sido um objetivo. A equipa do projeto defende o acesso precoce mas coerente a línguas estrangeiras desde tenra idade. “A reflexão recente em torno do perfil do aluno e da flexibilização curricular deixa espaço para que a região trilhe um caminho num contexto único. Aferir perfis adequados de 1.º e 2.º anos e promover o trabalho de portefólio regional com vista a uma avaliação, que se preconiza cada vez mais formativa e contínua, são possíveis áreas de investimento”, refere o grupo que defende as componentes de formação, de partilha e cooperação docente, a distinção entre atividades curriculares e extracurriculares num trabalho inclusivo direcionado para as novas salas do futuro.

Em 2014, o Inglês foi introduzido no currículo do 1.º ciclo como disciplina obrigatória a partir do 3.º ano de escolaridade e foi definida a habilitação profissional para a docência desta disciplina. A mudança nacional estendeu-se à Madeira que “aplicou as diretrizes em termos curriculares e, aproveitando a possibilidade existente na legislação, estende a vertente curricular ao 1.º e 2.º anos com a integração de uma hora curricular para cada ano e mantendo a oferta AEC de Inglês de uma hora semanal para todos os anos de escolaridade”.

Nessa altura, o guião de trabalho mantém-se, são criadas propostas de trabalho para o 1.º e 2.º anos, assentes nas metas definidas para o 3.º e 4.º anos. “Este documento é revisto anualmente com base nas avaliações e apreciações dos docentes que os aplicam em contexto sala de aula”, adianta a equipa.

Colmatar o isolamento
Em 1995, o conceito de Escola a Tempo Inteiro começou a ser implementado na Madeira com características distintas do modelo nacional. Desta forma, o acesso a pelo menos uma língua estrangeira ainda no 1.º ciclo tornou-se uma realidade para a maior parte dos alunos madeirenses. Entretanto, integraram-se também salas de creche devido à realidade demográfica. Alguns anos depois, a Secretaria Regional de Educação da Madeira criou equipas para constituírem um referencial metodológico e pedagógico para acompanhar as várias áreas de intervenção nas escolas, incluindo as línguas estrangeiras como o Inglês.

Em 2002, criou-se um projeto para formação linguística e linhas orientadoras de intervenção direcionado a docentes. Incentivar a cooperação e colaboração entre docentes, para colmatar situações de isolamento e o acesso, na altura nem sempre constante, a materiais adequados e específicos, era um dos objetivos. Foi ainda definido um perfil do docente adequado à realidade regional e os professores participaram na implementação de uma ferramenta de trabalho comum no 1.º ciclo, o chamado portefólio no ensino do Inglês.

Esse portefólio tornou-se um elemento uniformizador de práticas e de avaliação dos alunos. Um instrumento que integra o percurso de vida do aluno, preferências e crescimento pessoal, um passaporte linguístico com informações sobre o conhecimento que o estudante tem da língua, redes de autoavaliação e outros documentos relacionados com os objetivos de aprendizagem, e ainda o dossiê, ou seja, um conjunto de trabalhos reunidos pelo aluno, de acordo com as suas escolhas pessoais, reunindo também elementos significativos do seu processo de aprendizagem. Posteriormente, foi adicionada uma quarta secção, o Caderno, no qual, os alunos, principalmente do 3.º e 4.º anos, podem registar rotinas da aula e fazer a recolha de conhecimentos assimilados ao longo dos dias na escola.

Em 2005, surgiu um despacho, reflexo de uma aposta regional, para facultar aos alunos, “tão cedo quanto possível, competências no domínio das línguas, para fazer face a um mundo globalizado e a uma região predominantemente turística”. O Inglês entrou na componente curricular de todas as escolas do 1.º ciclo e no pré-escolar com uma hora por semana.

Neste processo, há outro projeto que surge, o “Peek-a-boo” para proporcionar aos educadores suporte material, linguístico e até metodológico para que possam sensibilizar as crianças para a língua inglesa, “caso esta não exista no seu contexto, e a dar continuidade e reforço ao trabalho desenvolvido pelo docente de Inglês”. Esta iniciativa prolongou-se por quatro anos e abrangeu cerca de 40 educadores.
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