BE questiona cultura do "chumbo" em Portugal e criação de “guetos educativos”

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A deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua criticou hoje a "cultura da retenção" de alunos em Portugal e aquilo que considera ter sido a criação de "guetos educativos" pelo anterior ministro da Educação, Nuno Crato.

A parlamentar bloquista comentava, nos Passos Perdidos do Parlamento, o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA, na sigla em inglês), estudo internacional que avalia os conhecimentos dos alunos de 15 anos em Matemática, Leitura e Ciências.

"Confirma-se a tendência de 16 anos em Portugal de ir melhorando nos resultados internacionais. Qualquer reforço positivo é um indicador positivo e temos de ficar contentes. Agora, não devemos entrar numa luta para ver quem é o responsável por estes resultados", alertou.

Joana Mortágua sublinhou em especial a "dualização precoce do ensino" iniciada pelo Governo PSD/CDS-PP, através da vertente "vocacional profissionalizante", para a qual foram sendo recomendados, "desde os 12 ou 13 anos, aqueles que tinham um mau desempenho escolar, ou seja, retirados do sistema e da amostra representativa do universo para o PISA".

"Houve um aumento da seletividade do sistema e um encaminhamento para guetos educativos, cerca de 20 mil alunos no Básico, outros 20 mil no Secundário, afastados do ensino regular", condenou.

A deputada bloquista referiu também que Portugal tem "uma taxa de retenção que é o dobro da da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) e os alunos que chumbam têm resultados piores".

"Metade foi ficando pelo caminho e tinha resultados piores. Tem de ser analisada e combatida a cultura de retenção em Portugal. Se formos ver, a maioria dos alunos não apanhou algumas das reformas mais emblemáticas de Nuno Crato, por exemplo os exames precoces ou reformas curriculares, portanto seria espúrio tentar dizer de quem é o mérito, a culpa, de qualquer resultado em que se cruzam políticas educativas", afirmou.

O PISA, promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), é coordenado em Portugal pelo IAVE – Instituto de Avaliação Educativa e, no relatório hoje divulgado, os alunos portugueses conseguiram pela primeira vez resultados "significativamente superiores" à média da OCDE em Ciências e Leitura.

O principal domínio avaliado nesta edição foi a literacia científica, em que Portugal mais se destacou, ao obter uma classificação de 501 pontos (superando os 459 pontos no ano 2000, 468 em 2003, 474 pontos em 2006, 493 pontos em 2009 e 489 em 2012), numa escala de zero a 1000.

Além dos 501 pontos em literacia científica, os alunos portugueses conseguiram atingir 498 pontos em Leitura e 492 pontos em Matemática.
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