Maioria de diretores e presidentes estão contra municipalização de escolas - Inquérito

A maioria dos diretores de agrupamentos escolares e presidentes de Conselhos Gerais rejeitam o atual processo de municipalização escolar, revela um inquérito a que a Lusa teve ontem acesso.
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O responsável pelo inquérito sobre “O que pensam os Diretores e os Presidentes de Conselhos Gerais sobre questões pertinentes da escola portuguesa?”, Alexandre Henriques, professor e autor do blogue ComRegras, avançou à agência Lusa que num universo de mais de 300 inquiridos, quase 90% desses diretores e presidentes das escolas portuguesas rejeitam o atual modelo de municipalização escolar.

O inquérito demonstra que 89,0% dos diretores de agrupamentos escolares de todo o País “não concorda com o atual processo de municipalização escolar”.

Com um resultado semelhante - 86,3% - aparecem os presidentes dos Conselhos Gerais manifestarem igualmente oposição ao atual processo de municipalização das escolas.
“A rejeição do atual processo de municipalização escolar é evidente para ambos os inquiridos”, conclui Alexandre Henriques.

Segundo disse à Lusa Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escola Pública (ANDAEP), haverá uns 15 concelhos piloto em Portugal que arrancaram com essa experiência da municipalização escolar, mas essa ideia “ainda não foi discutida até à exaustão por toda a comunidade educativa”, designadamente pelos encarregados de educação, alunos, associações de diretores e autarquias.

Em declarações à Lusa, o presidente da ANDAEP disse que não se admira com o resultado do inquérito porque “ainda não houve discussão”, nem um “amplo debate nacional”, sobre a municipalização das escolas públcias.

Filinto Lima avança mesmo que há alguns concelhos onde as coisas “ainda não estão a correr normalmente ou de uma forma pacífica”.

“Estes resultados são reveladores de que é necessário um amplo debate nacional”, reitera Filinto Lima, considerando que poderes que foram dados aos presidentes de câmaras municipais devem ser repartidos pelos órgãos diretores das escolas, que são os profissionais das escolas.

“Não devemos colocar tudo nas mãos de um presidente da câmara”, alertou o presidente da ANDAEP.

O inquérito sobre “O que pensam os diretores e os presidentes de Conselhos Gerais sobre questões pertinentes da escola portuguesa?” foi realizado em julho através de uma plataforma de formulários online e envolveu um universo de 312 diretores e presidentes de escolas.
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