PEDIATRIA

Efeitos da radiação dos exames de imagem em idades pediátricas

Nem sempre é compreendida a decisão do médico em requisitar este tipo de exame de imagem, porque não se trata de uma decisão estanque. Isto é, a decisão irá residir na situação individual de cada criança. Acima de tudo há que pesar os riscos e os benefícios existentes.
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É comum os pais perguntarem ao médico ou perguntarem-se se o filho não vai fazer "um raio-x". Parecem ser muitas as dúvidas a este respeito, se por um lado em certas situações há pais que pensam que os seus filhos deveriam realizar esse "raio-x", outros enfrentam com muito receio os possíveis danos que esse exame poderá causar. A complicar ainda mais, estão fatores economicistas em voga, motivo de apreensão frequente. Porém, esta questão não se prende com o carácter financeiro.

Nem sempre é compreendida a decisão do médico em requisitar este tipo de exame de imagem, porque não se trata de uma decisão estanque. Isto é, a decisão irá residir na situação individual de cada criança. Acima de tudo, há que pesar os riscos e os benefícios existentes.

São indiscutíveis os benefícios que as técnicas de imagem trouxeram para a medicina. Muitos foram os avanços a nível de rastreios, diagnóstico precoce, tratamento, seguimento e mesmo prognóstico.

Contudo, cedo se soube que nem todas as técnicas de imagem seriam inofensivas. Aquelas que têm como base a onda de raio-x como as radiografias ou as TACs, emitem radiação que, de facto, poderá ser prejudicial ao ser humano. Outras como a ecografia ou a ressonância magnética não emitem radiação, contudo não substituem as primeiras.

Invariavelmente, as radiografias e as TAC são técnicas valiosíssimas como procedimentos diagnósticos, detetando por exemplo fraturas ósseas ou pneumonias. A TAC é um exame de imagem mais pormenorizado, porém, a radiação de uma TAC equivale a centenas de radiografias. Estudos científicos têm vindo a demonstrar que crianças que fazem mais TAC têm um risco maior de no futuro vir a desenvolver tumores cerebrais ou leucemias.

Desta forma, há que fazer um uso criterioso destes exames, utilizando-os quando imprescindíveis e na menor dose de radiação possível. Até porque a radiação tem poder cumulativo.

Ou seja, a carga recebida é acumulada no organismo, somando-se a uma futura radiação recebida ao longo da vida.

Os benefícios deverão sempre ultrapassar os riscos, sobretudo em idades pediátricas, porque as crianças são mais sensíveis à radiação dos exames de imagem que os adultos. Por este motivo, a necessidade de realização de exames radiológicos deve ser muito bem avaliada, ponderando a eliminação ou redução da exposição à radiação em situações desnecessárias.

Vítor Cardoso, com a colaboração de Augusta Gonçalves, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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