PSICOLOGIA

Agressividade infantil

Nos primeiros anos de vida, por não dominar os recursos da linguagem e, consequentemente, não conseguir exprimir verbalmente as suas contrariedades, a criança expressa a sua agressividade através de gritos, choro ou até com agressões físicas.
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A agressividade infantil é um dos assuntos que mais preocupam atualmente pais, educadores e a sociedade em geral. A apresentação constante, sobretudo nos meios de comunicação social, de cenas marcadas por grande agressividade leva os pais a questionarem-se se este não será um fenómeno em forte crescimento. E esta questão levanta imediatamente outras, nomeadamente, a origem da agressividade. Só conhecendo a origem do fenómeno é possível encontrar estratégias para o alterar.

Entre psicólogos, a resposta a esta questão tem gerado controvérsia, uma vez que, enquanto algumas correntes se apoiam no pressuposto de que a agressividade é largamente herdada, outras defendem que a agressividade é o produto da influência do meio. Colocando de lado estas questões polémicas sabe-se que o comportamento é o resultado de múltiplos fatores e talvez a conclusão mais correta seja que a agressividade é o resultado de fatores genéticos, em interação com o meio, num contexto temporal específico.

Ao longo do processo de desenvolvimento da criança, há tendências agressivas inatas que emergem, embora estas possam ser diferentes, consoante a criança em questão. Nos primeiros anos de vida, por não dominar os recursos da linguagem e, consequentemente, não conseguir exprimir verbalmente as suas contrariedades, a criança expressa a sua agressividade através de gritos, choro ou até com agressões físicas. Nesta fase, a agressividade é essencialmente manipulativa, porque o seu objetivo é alcançar determinados fins, por exemplo, ganhar um brinquedo ou defender-se. Este comportamento é a forma que a criança encontra para controlar o ambiente, ou seja, é a forma mais eficaz para satisfazer as suas necessidades.

Com a passagem do tempo, a agressividade não desaparece. No entanto, a criança aprende com os adultos que existem outras formas de obter o que se deseja, nomeadamente através da partilha e da negociação.

Vários estudos mostraram que, quando as condutas agressivas persistem com o tempo, isso se deve essencialmente às interações familiares e ao ambiente social. Podem ser enumeradas várias 'condutas de risco' da parte dos pais, que podem potenciar o desenvolvimento de padrões comportamentais agressivos nos filhos. Uma dessas condutas é a inconsistência no estabelecimento de limites. Quando um comportamento é punido num determinado momento e ignorado no momento seguinte, a criança vai ficar confusa, tornando-se difícil para ela distinguir o certo do errado. Por esta razão, é fundamental os pais definirem claramente o que a criança pode ou não fazer e serem coerentes quando for necessário castigá-la.

A violência doméstica é outra aliada da agressividade, uma vez que crianças que assistem a cenas de violência em casa ou são elas próprias vítimas de violência aprendem que esta é uma forma 'normal' e aceitável de lidar com a raiva e a frustração. Famílias bem estruturadas e atentas tendem a ter filhos menos agressivos. Estimular os filhos a resolver os conflitos recorrendo a comportamentos agressivos pode também ser considerada uma 'conduta de risco'.

A escola pode também contribuir para aumentar consideravelmente a agressividade. Professores excessivamente autoritários e ambientes marcados pela rivalidade e competição podem também potenciar o aparecimento de padrões comportamentais agressivos.

Para além de tudo o que já foi referido é fundamental ter consciência que a agressividade, quando bem doseada, é saudável. Quando as crianças são demasiado passivas é sinal que guardam tudo para elas e que reprimem sentimentos e mágoas, o que também é preocupante. Por esta razão, o grande desafio que se coloca aos pais na educação dos filhos é ajudá-los a aprender a defenderem-se, mas sem ultrapassarem determinados limites!

Adriana CamposLicenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de nnConsulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia nEscolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia,n entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Atualmente, é psicóloga no agrupamento de Escolas Eng. Fernando Pinto de Oliveira, para além de dinamizar ações de formação em diversas náreas.
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