PSICOLOGIA

Dificuldades de atenção/concentração

A atenção é um fenómeno que implica esforço. Por isso é tão difícil mantê-la, quando o interesse é reduzido. Para muitas crianças a escola é uma 'seca', porque os temas que são abordados nas aulas não têm qualquer tipo de afinidade com as suas experiências de vida.
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'Tenho duas filhas fantásticas, superinteligentes e muito doces, mas a mais velha (9 anos) tem muitas dificuldades de concentração. Gostaria de saber quais os testes que poderei pedir para ter um diagnóstico e também a solução adequada.'

Telma janeiro

Antes de ler este artigo gostaria que respondesse às seguintes questões: que razões o levam a ler algo sobre dificuldades de atenção/ concentração? O que é que o motiva a procurar saber mais sobre este tema? Se este assunto lhe fosse indiferente, gastaria o seu tempo e energia a dedicar-lhe atenção?

Pois é... se este assunto não lhe suscitasse interesse, provavelmente nem sequer consultava esta página do
site. A atenção é um fenómeno que implica esforço. Por isso é tão difícil mantê-la, quando o interesse é reduzido. Para muitas crianças a escola é uma 'seca', porque os temas que são abordados nas aulas não têm qualquer tipo de afinidade com as suas experiências de vida. Estar a mexer no material escolar ou a olhar para o recreio pode ser bem mais interessante que ouvir falar sobre o sistema digestivo, sobre equações ou sobre a interpretação de um determinado texto. Um dos fatores que mais influenciam o processo de atenção é, sem sombra de dúvida, o interesse suscitado. Não é por acaso que, nos episódios depressivos onde o prazer e o interesse estão seriamente comprometidos, a atenção e a memória ficam também severamente prejudicadas. Não é também por acaso que, frequentemente, os pais referem que, apesar de os filhos não conseguirem estar atentos nas aulas, veem televisão com muita atenção e são capazes de fazer relatos minuciosos de tudo o que viram.

Apesar de não ter interesse, o aluno pode esforçar-se por estar atento, pois pode sentir que o sucesso escolar está associado a reforços positivos. Imagine agora aqueles alunos que, mesmo esforçando-se por estar concentrados, não conseguem compreender nada. Naturalmente, ao fim de algum tempo desistem, procurando ocupar-se de uma forma menos frustrante. A desestabilização da sala de aula pode e é uma das soluções mais encontradas para vencer o tédio. Nestes casos concretos, que não são tão poucos como isso nas escolas portuguesas, a falta de atenção é apenas a máscara de um problema mais profundo: a incapacidade para aprender num determinado sistema de ensino, quantas vezes demasiado teórico para determinadas cabecinhas...

As hipóteses explicativas da falta de atenção não terminam aqui. Pensemos, por exemplo, na vida de muitas crianças que, desde muito cedo, convivem com ambientes marcados por grande agressividade, constantes discussões, álcool, droga e outras formas de violência eventualmente mais subtis, mas igualmente perturbadoras. Nestas e em muitas outras situações, a atenção estará provavelmente centrada na discussão do dia anterior, na tareia que a mãe levou ou eventualmente no medo de perder o afeto de pessoas queridas...

Estou a pensar agora naqueles que, devido ao agravamento das condições socioeconómicas das famílias portuguesas, passam a manhã a pensar, não na Matemática, nem no Estudo do Meio, mas no almocinho da cantina, porque 'a barriga não para de dar horas'... Isto já não existe nos tempos que correm? Infelizmente, posso garantir que existe... A experiência assim o diz.

A incapacidade para estar atento pode também ser atribuída ao distúrbio de défice de atenção que resulta de uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal. Como a abordagem deste distúrbio dá 'pano para mangas', ficará para um próximo artigo.

Face à multiplicidade de hipóteses explicativas da falta de atenção, torna-se muito difícil responder à questão inicial. A consulta de um técnico especializado, nomeadamente um psicólogo, poderá ajudar a clarificar melhor a situação e a definir estratégias de intervenção.

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Adriana CamposLicenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de nnConsulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia nEscolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia,n entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Atualmente, é psicóloga no agrupamento de Escolas Eng. Fernando Pinto de Oliveira, para além de dinamizar ações de formação em diversas náreas.
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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