PSICOLOGIA

Será que sou uma boa mãe?

Quem conhece o meu estado atual, talvez entenda a escolha deste tema tendo em linha de conta um outro dado: o tamanho da minha barriga. Na verdade quando ela deixar de aumentar terei de assumir um novo papel: o papel de mãe!
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Provavelmente já colocou várias vezes a si própria a questão com que iniciei este artigo. Se lá em casa tem um Calvin ou mais que um, então a probabilidade de a ter colocado aumenta exponencialmente. Associada a esta questão estão geralmente muitas outras e em muitos casos elevadas doses de angústia e ansiedade. Ninguém foi ensinado a ser pai ou mãe e muitas vezes não existem modelos para ajudar a definir linhas orientadoras.

Muitas das dúvidas colocadas pelos pais têm como pano de fundo esta questão, daí a decisão de abordá-la... Quem conhece o meu estado atual, talvez entenda a escolha deste tema tendo em linha de conta um outro dado: o tamanho da minha barriga. Na verdade quando ela deixar de aumentar terei de assumir um novo papel: o papel de mãe!

Neste momento, às preocupações profissionais relacionadas com este tema juntam-se as preocupações pessoais, até porque não quero que se aplique o ditado "Em casa de ferreiro espeto de pau". João Diniz faz uma abordagem muito interessante deste tema. Segundo este autor, podemos apontar vários elementos indicativos de uma boa capacidade materna, devendo estes ser devidamente apreciados no seu conjunto. Para João Diniz, a capacidade de fantasiar, imaginar e sonhar coisas boas e belas para o bebé mesmo antes de ele nascer, é um indicador da boa capacidade materna.

Não ser demasiado ansiosa é outra qualidade que se pode apontar às boas mães. O excesso de ansiedade está geralmente associado à dificuldade em tolerar as desilusões, as frustrações e os sentimentos de desvalorização pessoal que frequentemente aparecem ligados ao desempenho do papel parental. Mães demasiado ansiosas fazem uma leitura alterada da realidade transformando problemas relativamente pequenos em problemas colossais, o que implica necessariamente sofrimento mental em vez de um estado emocional equilibrado.

Sentir um prazer autêntico no contacto com o seu filho, sentir que este veio enriquecer a sua vida, sentir que já não é possível pensar em si sem pensar nele e que é impossível planear o seu dia a dia sem o incluir são também bons indicadores da boa capacidade materna.

A boa mãe é aquela que não precisa utilizar a relação com a criança para ultrapassar as suas próprias carências, depressões ou ansiedades. A relação é organizada em função do que a criança é e precisa e não em função de falhas pessoais que é preciso compensar. Além disto, o filho é percecionado como um ser autónomo com direitos próprios e com sentido de responsabilidade e liberdade. O processo de separação/individuação é vivido com naturalidade, sendo encarado como uma etapa importante do desenvolvimento. E o facto de o filho ser cada vez mais independente e capaz de resolver problemas sozinho não provoca sentimentos negativos, antes pelo contrário.

Para além de respeitar esta progressiva autonomia, a boa mãe respeita a intimidade do filho e aceita que ele tenha segredos que não quer partilhar. O termo "boa mãe" aqui usado não tem qualquer conotação de carácter moral, referindo-se somente à boa capacidade de corresponder às exigências da função materna.

Há tanto ainda a referir que continuarei a abordar o tema num próximo artigo... depois de tudo isto, resta-me concordar com o Calvin, de facto "Há mulheres que não nasceram para ser mães".

Bibliografia:"Este meu filho que eu não tive. A adoção e os seus problemas". João Seabra Diniz. Edições Afrontamento.

Adriana CamposLicenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de nnConsulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia nEscolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia,n entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Atualmente, é psicóloga no agrupamento de Escolas Eng. Fernando Pinto de Oliveira, para além de dinamizar ações de formação em diversas náreas.
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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