PSICOLOGIA

Síndrome de Asperger - estratégias de intervenção

Um entrave à aprendizagem das crianças com esta síndrome é o seu limitado campo de interesses. Frequentemente, estas apresentam uma fixação numa determinada área e recusam aprender tudo o que não se enquadra nessa área específica.
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" Meu filho tem a síndrome de Asperger, está na 4.ª classe e tem recebido vários apoios médicos (pedopsiquiatra e psicólogos), além de frequentar apoio especial na APPT 21. Gostaria de saber como é que ele será avaliado em termos pedagógicos, ou seja, será avaliado como os outros alunos ou terá alguma avaliação diferente? Que tipo de apoios poderei pedir para ele?"

Isaura Fontes

Embora a expressão "cada caso é um caso" já esteja velha e cansada de tanto uso, não há dúvida que continua muito atual. Se a partir de um caso concreto pudéssemos fazer generalizações, então tudo seria mais fácil, pois teríamos finalmente encontrado a receita pela qual tantas vezes suspiramos. Tudo isto para dizer que, embora não existam receitas relativamente à melhor forma de lidar com jovens com a síndrome de Asperger, existem algumas estratégias que ao serem usadas na sala de aula ajudarão a dar resposta às necessidades educativas especiais destas crianças. As sugestões que aqui serão apresentadas são gerais, tendo por isso de ser ajustadas às necessidades únicas de cada criança portadora desta síndrome.

As mudanças, ainda que mínimas, e a incerteza são fontes de grande ansiedade para estas crianças, sendo por isso fundamental criar-lhes um ambiente marcado pela previsibilidade e segurança, onde as transições sejam minimizadas. A existência de rotinas consistentes e a preparação prévia para qualquer eventual surpresa é fundamental para o seu bem-estar.

Pelo facto de estas crianças apresentarem grandes dificuldades em compreender as complexas regras de interação social e consequentemente não saberem interagir têm muita dificuldade em estabelecer laços de amizade, acabando frequentemente por funcionar como bodes expiatórios. Esta característica implica que crianças com esta síndrome devam ser alvo de maior proteção e devam ser mais incentivadas a envolverem-se com os pares. Estas crianças devem também ser ensinadas e treinadas a estabelecer interações bidirecionais e a desenvolver um reportório de respostas a usar em várias situações sociais. Mobilizar um colega mais sensível, no sentido de lhe dar um apoio especial quer no interior, quer no exterior da sala de aula, pode também ser muito útil.

Um entrave à aprendizagem das crianças com esta síndrome é o seu limitado campo de interesses. Frequentemente, estas apresentam uma fixação numa determinada área e recusam aprender tudo o que não se enquadra nessa área específica. Uma estratégia para lidar com esta situação é usar as fixações da criança para abrir o seu reportório de interesses. Se a criança só se interessa por estudar os animais, pode, por exemplo, ser levada a interessar-se pela floresta (casa dos animais) e por tudo aquilo que lhe está associado. Limitar o tempo em que é permitido à criança falar sobre os seus interesses específicos e usar o reforço positivo para aumentar a frequência do comportamento desejado são também estratégias geralmente eficazes.

Uma outra área fraca destas crianças é a concentração, uma vez que estas estão frequentemente mergulhadas no seu complexo mundo interior. Para fazer face a esta situação, é fundamental o professor estruturar muito bem as atividades e colocar estas crianças nas carteiras da frente. Além disto, poderá também ser vantajoso o uso de sinais não verbais, por exemplo, um toque no braço, sempre que a criança não estiver atenta.

Embora, na maioria dos casos, as crianças com síndrome de Asperger tenham uma inteligência média ou acima da média (especialmente na esfera verbal) e uma excelente memória, apresentam dificuldades de compreensão, um baixo nível de abstração e défices na resolução de problemas. Atendendo às razões expostas, é importante que estas crianças tenham um currículo académico altamente individualizado e estruturado de forma a obterem sucesso. Em determinados casos poderá também ser benéfico que beneficiem de explicações adicionais, sobretudo se os temas a estudar forem abstratos.

No que se refere à avaliação, tendo em conta que se tratam de crianças com necessidade educativas especiais permanentes (Decreto-Lei n.º 6/2001), têm todo o direito de beneficiar de uma avaliação individualizada que vá de encontro a essas mesmas necessidades, assim como também usufruir das diferentes medidas de apoio que a escola disponha e que os professores considerem necessárias.

Apesar de "cada caso ser um caso", espero que estas sugestões gerais possam ser úteis, depois de devidamente adaptadas.

Bibliografia:

    Síndrome de Asperger - Ao longo da vida. Stephen Bauer

    Una Guía para profesores. George Thomas, Penny Barratt, Heather Clewley, Helen Joy, Mo Potter, Philip Whitaker

    Entendendo estudantes com a Síndrome de Asperger - Guia para professores. Karen Williams

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Adriana CamposLicenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de nnConsulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia nEscolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia,n entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Atualmente, é psicóloga no agrupamento de Escolas Eng. Fernando Pinto de Oliveira, para além de dinamizar ações de formação em diversas náreas.
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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