PSICOLOGIA

Síndrome de Asperger

O que diferencia a síndrome de Asperger do autismo é o facto de os seus portadores terem menos problemas com o desenvolvimento da linguagem e menos probabilidades de terem dificuldades de aprendizagem, uma vez que apresentam um coeficiente intelectual médio ou acima da média.
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"Gostaria de sugerir, caso seja possível, uma atenção especial sobre a síndrome de Asperger. Antecipadamente grata pela disponibilidade."

Sara Candeias, Coimbra

A síndrome de Asperger é um transtorno global de desenvolvimento cuja etiologia não foi ainda completamente estabelecida, embora existam fortes evidências de que esta síndrome seja provocada por fatores orgânicos diversos, que afetam o desenvolvimento de algumas áreas do cérebro. Esta síndrome é geralmente considerada como uma forma de autismo, tendo sido descrita pela primeira vez pelo psiquiatra alemão Asperger, em 1940.

Embora os indivíduos com este tipo de diagnóstico possam diferir muito uns dos outros, todos compartilham um grupo comum de dificuldades de base. Todos eles apresentam desvios e anormalidades em três áreas do desenvolvimento: relacionamento social, comunicação e flexibilidade mental.

As dificuldades de relacionamento social, contrariamente ao que acontece no autismo, não resultam do facto de a criança viver "no seu próprio mundo" e não interagir, mas da falta de efetividade das interações, é como se estas crianças tivessem dificuldade em estabelecer conexões sociais. Gillberg, médico sueco, descreveu isto como uma "desordem de empatia", ou seja, como uma incapacidade de "ler" as necessidades e perspetivas dos outros e de lhes responder apropriadamente.

Em termos de comunicação, os indivíduos com esta síndrome, apesar de apresentarem um bom desenvolvimento da linguagem, têm uma compreensão alterada de tudo o que gira à volta da comunicação. Assim, frequentemente falam num tom de voz monótono e com um controlo pobre de volume e entoação, centram as conversas nos seus temas preferidos repetindo-os com uma monotonia excessiva, têm dificuldade em compreender brincadeiras, duplos sentidos e metáforas, têm défices ao nível da expressão facial e no uso de gestos e dificuldade de compreender a linguagem corporal das outras pessoas.

A falta de flexibilidade mental manifesta-se na resistência à mudança, na insistência pela manutenção do mesmo ambiente e pelo desenvolvimento de rotinas e rituais. As pessoas com esta síndrome desenvolvem de uma forma muito intensa interesses limitados e pouco usuais demonstrando, por vezes, uma certa obsessão por áreas intelectuais específicas.

A descoordenação motora parece ser outra particularidade de grande parte dos portadores desta síndrome, que apresentam dificuldades específicas em atividades que requerem coordenação, como, por exemplo, andar de bicicleta. Tal como os autistas, muitos deles apresentam movimentos repetitivos e estereotipados, como balançar e executar movimentos oscilatórios.

O que diferencia a síndrome de Asperger do autismo é o facto de os seus portadores terem menos problemas com o desenvolvimento da linguagem e menos probabilidades de terem dificuldades de aprendizagem, uma vez que apresentam um coeficiente intelectual médio ou acima da média. Além disto apresentam importantes áreas fortes, tais como uma memória mecânica inusual, uma extraordinária concentração, ainda que centrada em interesses limitados, um vocabulário extenso, conhecimentos muito avançados e habilidades em áreas da tecnologia ou ciência.

Após esta caracterização será provavelmente mais fácil compreender as estratégias e sugestões que serão apresentadas num próximo artigo, com o objetivo de ir ao encontro das necessidades educativas especiais destas crianças.

Bibliografia:

    Síndrome de Asperger - Ao longo da vida. Stephen Bauer.

    Una Guía para profesores. George Thomas, Penny Barratt, Heather Clewley, Helen Joy, Mo Potter, Philip Whitaker.

    Entendendo estudantes com a síndrome de Asperger - Guia para professores. Karen Williams.

Adriana CamposLicenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de nnConsulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia nEscolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia,n entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Atualmente, é psicóloga no agrupamento de Escolas Eng. Fernando Pinto de Oliveira, para além de dinamizar ações de formação em diversas náreas.
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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