PEDIATRIA

Mas afinal, o que é a laringomalácia?

A laringomalácia é a alteração congénita da laringe mais frequente e traduz-se pela presença de um ruído agudo (chamado “estridor”) ao inspirar que resulta de um movimento inadequado das estruturas da laringe durante a respiração. Ou seja, estas, em vez de abrirem na inspiração, fazem o movimento contrário levando a uma obstrução da via aérea. Manifesta-se desde as primeiras semanas de vida.
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Parece grave…
É natural os pais ficarem preocupados, mas na maioria das vezes (cerca de 90% dos casos) é um problema benigno que se deve provavelmente a um atraso na maturação das estruturas da laringe e que acaba por se resolver por volta dos 2 anos de idade. No entanto, há casos mais graves que podem condicionar atrasos de crescimento, apneias do sono, episódios de dificuldade respiratória ou mesmo alterações pulmonares, mas estes são mais raros.

E quais são os sintomas?

O principal sintoma é o estridor inspiratório intermitente. Este é o tal ruído que surge na inspiração e que agrava com o exercício, o choro, a alimentação e quando a criança se deita de barriga para cima. Melhora com a extensão do pescoço, o repouso e quando se deita de lado ou de barriga para baixo. A voz é tipicamente normal e a rouquidão não é característica. Nas crianças com laringomalácia, o estridor tende a aparecer nas primeiras semanas de vida e tende a aumentar progressivamente nos primeiros meses.

É importante explicar que a intensidade do som não se relaciona com a gravidade, ou seja com a quantidade de ar que passa pela laringe. Uma vez que o estridor (ruído inspiratório) é provocado pela passagem do ar, a presença do som significa que o ar está a circular, por outro lado, se o encerramento for total não há passagem de ar para produzir o estridor. Como é feito o diagnóstico? Que exames são precisos?

O diagnóstico é geralmente clínico, ou seja, a história e o exame físico são suficientes para o estabelecer. No entanto, pode ser necessária avaliação/observação por Otorrinolaringologia/Pneumologia. Esta avaliação é mandatória nas formas mais graves que se associem a outra sintomatologia como, por exemplo, atraso de crescimento, paragem respiratória, episódios em que fica roxo - cianose. Pode ser necessária a laringoscopia ou outro exame semelhante, que permite, através de um fibroscópio flexível (uma câmara semelhante às usadas nas endoscopias), visualizar o movimento das estruturas da laringe.

Uma vez que se tem verificado grande associação com o refluxo gastroesofágico (retorno do ácido do estomago ao esófago), pode ser necessário dirigir os estudos nesse sentido se houver sintomatologia que o justifique.

E tem tratamento?

Como já referido, é um distúrbio benigno e que tende a resolver espontaneamente com o crescimento.

Os casos mais graves podem implicar tratamento cirúrgico e devem ser acompanhados por Otorrinolaringologia.

Nos casos em que se estabeleça a presença de refluxo gastroesofágico este também deverá ser tratado.

Em suma, a laringomalácia é um diagnóstico que assusta muitas vezes os pais, não só pela complexidade do nome, mas principalmente porque pode acompanhar-se de um ruido respiratório muito exuberante e aflitivo.

Assim, o fundamental é esclarecer a sua benignidade e quais são os sinais que devem realmente alarmar os pais.


Fábia Ginja de Carvalho, com a colaboração de Carla Moreira e Augusta Gonçalves, Pediatras da área da Pneumologia do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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