PSICOLOGIA

“Vidas Ubuntu na Escola”

Por favor, não façam da escola uma imensa panela de massa cozida.
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“Ubuntu – a essência do ser humano. Ubuntu fala especialmente do facto de que não é possível existir como ser humano de forma isolada. Fala sobre a nossa interligação. Não é possível ser humano por si só, e quando se tem essa qualidade de Ubuntu, é-se conhecido pela generosidade.” Desmond Tutu, 2008


Quando me deparei com a divulgação da 2ª edição da formação "Vidas Ubuntu na Escola", destinada a professores e técnicos da área da educação, fiquei curiosa. A designação “ubuntu” era para mim muito estranha, nunca tinha ouvido falar em semelhante e por isso o meu interesse aumentou.

O projeto “Vidas Ubuntu” é promovido pelo Instituto Padre António Vieira e foi um dos vencedores do programa Cidadania Ativa, um programa cofinanciado pela EEA Grants e gerido pela Fundação Calouste Gulbenkian. A importância de valores com destaque para os de comunidade, solidariedade, partilha, harmonia, hospitalidade e respeito preside a esta filosofia humanista, que considera que o verdadeiro potencial humano só pode ser reconhecido quando estamos em interligação com os outros.

Toda a formação Ubuntu gira à volta da elaboração e partilha de histórias: a minha própria história e a dos outros. As histórias têm um poder transformador porque “É nas histórias e nos seus heróis que procuramos a resposta para perceber quem somos, aquilo com que nos identificamos, aquilo que nos faz correr e nos anima, que nos dá alma”. (Nuno Artur Silva, diretor de Produções Fictícias).

É difícil explicar com exatidão o que é o Ubuntu. Por isso, o melhor é ir pesquisar em “Academia Ubuntu” e esclarecer as dúvidas que esta breve abordagem certamente não permitiu clarificar. Passo a partilhar uma história, já que as histórias estão no centro deste projeto, que um dos participantes nesta formação, Albino Pereira, generosamente me cedeu e que intitulou “Por favor, não!”.

“Há necessidades que a vida impõe – aconteceu assim com o meu pai, que se viu na contingência de ter que cozinhar porque a sua mulher estava, por vezes, a trabalhar na fábrica durante a hora de almoço e havia um filho que tinha de alimentar. Eu gostava dos almoços do meu pai. Fazia, quando lhe tocava (e não eram muitas vezes), sempre a mesma coisa – massa cozida. E sabia-me sempre a pouco. Elogiava e queria sempre mais. Um dia, o meu pai, cansado de me ouvir dizer que comia mais se mais houvesse, trouxe uma imensa panela tirada do fogão diretamente para o centro da mesa da cozinha e, com um sorriso meio irónico meio furioso, exclamou:

– Come o que quiseres!

E foi o último dia em que gostei, por muitos, muitos anos, de massa cozida.

Esta história remete-me para a escola que hoje temos e para a escolarização de tudo a que os miúdos de agora estão sujeitos. Não é a melhor aposta, esta de ocupar os nossos filhos, jovens, com esta brutalidade de tempo de forma escolarizada… Por favor, não façam da escola uma imensa panela de massa cozida.

Depois desta história, tão rica e que traduz tão bem o que penso relativamente à escola atual, resta-me sugerir que, se ficarem curiosos como eu, procurem saber mais sobre “Vidas Ubuntu”.
Adriana CamposLicenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de nnConsulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia nEscolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia,n entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Atualmente, é psicóloga no agrupamento de Escolas Eng. Fernando Pinto de Oliveira, para além de dinamizar ações de formação em diversas náreas.
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