EDUCAÇÃO

Espantalhada (na) Amorosa

Soube que esta atividade se integra no projeto curricular da escola, denominado "Escola - Espaço de relação", que, como o próprio nome sugere, procura envolver toda a comunidade na vida da escola.
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Um dia cheguei à escola-sede do agrupamento a que pertence à EB da Amorosa e deparei-me com enormes espantalhos artesanais, que me acompanharam ao longo da escola. Eles encontravam-se logo à entrada. Estavam no átrio, em espaços de acesso no interior do edifício, na biblioteca. Tinham um cartãozinho identificando a autoria: turmas dessa escola EB. Os alunos da escola-sede aproximavam-se dos espantalhos. Alguns, visivelmente orgulhosos, diziam: "Foi nesta escola que eu andei antes." Fiquei com curiosidade de saber como tinham nascido estes espantalhos e assim cheguei à Amorosa, nome não tão bonito como os espantalhos que de lá vieram.

Conversando com a coordenadora, soube que esta atividade se integra no projeto curricular da escola, denominado "Escola - Espaço de relação", que, como o próprio nome sugere, procura envolver toda a comunidade na vida da escola.

Todos os anos são desenvolvidas várias atividades para/com as famílias. Tem havido a intencionalidade de envolver cada vez mais as famílias e a comunidade, necessidade que se fez sentir há alguns anos atrás, transformando-se num objetivo que tem dado lugar a diversas iniciativas, já com resultados positivos visíveis. E com esse objetivo em vista, bem como o de dar significado às aprendizagens realizadas na sala de aula, foi programada a Comemoração do Dia Mundial da Alimentação, a ter lugar no dia 14 de outubro de 2012.

Falando-se de alimentação saudável, partiu-se para o início de uma horta na escola, em que cada turma ficou com o seu talhão, tendo as famílias sido chamadas a colaborar na plantação, nesse dia 14 de outubro. Mas uma horta chama os passarinhos e estes, tradicionalmente, eram afastados por espantalhos. A ideia nasceu. Os meninos e as famílias foram convidados a fazer espantalhos. Espantalhos de verdade, feitos com roupas velhas (recicladas) e outros materiais, numa atividade de colaboração familiar. E assim foi tomando forma a ideia da "espantalhada".

Dia 31 de outubro, Dia das Bruxas. Os seus "parentes" espantalhos tinham esse dia como data-limite para chegarem à escola. E lá se encontraram muitos. Tantos, que foi difícil resolver o problema do seu alojamento. Começaram por tomar parte numa exposição-concurso, na cantina da escola. Cada um com uma bolsinha especial, todos esperavam (im)pacientemente que os visitantes (meninos, familiares, professores) colocassem na sua bolsinha o papel de voto que recebiam à entrada, para escolherem o espantalho de que mais gostavam. Os espantalhos sofriam à espera da escolha. Mas a tarefa dos votantes não foi mais fácil.

E que destino dar a tantos espantalhos, já que o tamanho das hortas não dava "emprego" a todos? Uns foram exercer o seu ofício natural, no talhão da horta da sua turma; outros ficaram a fazer companhia aos meninos nas salas de aula; outros, ainda, ficaram em espaços públicos da escola, a receber os visitantes, entre os quais os pais que tinham ajudado a que eles ganhassem vida. E os outros? Que tal irem visitar os antigos alunos da escola, agora na escola-sede do agrupamento? E foi assim que os meninos do 2.º e 3.º ciclos foram surpreendidos pela entrada na sua atual escola daquela que tinham frequentado antes, e mostravam, orgulhosos, aos seus colegas provenientes de outras escolas aquilo que de bonito se fazia na sua.

Esta espantalhada foi, sem dúvida, o espaço de relação desejado no projeto curricular da escola: relação com a natureza, relação das aprendizagens dentro e fora da sala de aula, relação da atualidade com a tradição e relação interpessoal a diversos níveis: dos meninos com as famílias em tarefas dinamizadas pela escola, das famílias com a escola, das várias escolas do agrupamento, dos alunos de vários ciclos. Foi uma alargada partilha de conhecimentos e afetos diversos.
Armanda ZenhasMestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQA do grupo 220 no agrupamento de Escolas Eng. Fernando Pinto de Oliveira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.
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