EDUCAÇÃO

Será a casa o lugar mais seguro do mundo?

Com efeito, todas as crianças são diferentes, mas todas vão crescendo e explorando o que as rodeia, com a sua curiosidade natural, sem terem consciência dos riscos.
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Alberto era um verdadeiro desafio para a capacidade de antecipação e para a criatividade dos pais. Desde muito pequeno, tornou-se mestre na arte de se colocar em perigo, não dando avisos das novas habilidades que ia conseguindo adquirir. Desde ter saído sozinho da cama de grades quando era muito pequenino (atirando-se de lá, claro), até trepar para sítios inimagináveis, passando por descobrir maneiras de ludibriar as medidas de segurança tomadas pelos pais, aquela "migalhinha de gente" era mesmo um verdadeiro desafio, cujas capacidades de se colocar em perigo aumentavam com a idade, até, finalmente, ter adquirido a consciência dos perigos. Entretanto nascia um novo irmão, que, para surpresa dos pais, não possuía essa tendência para explorar o mundo de forma tão aventureira. Não era que não fosse necessário tomar providências para evitar os perigos; mas o seu crescimento processou-se de uma forma mais serena, nesse domínio, e não como se os pais vivessem continuamente num thriller, como com Alberto.

Com efeito, todas as crianças são diferentes, mas todas vão crescendo e explorando o que as rodeia, com a sua curiosidade natural, sem terem consciência dos riscos. Por isso, a casa, que deveria ser o local mais seguro do mundo, é, muitas vezes, uma fonte de perigos. A comprová-lo está o grande número de acidentes domésticos revelado pelas estatísticas. Os pais precisam de olhar para a sua casa pelos olhos (tamanho, idade e características) do seu filho e de antecipar a fase de crescimento que se avizinha, para tomarem as necessárias medidas de precaução. Algumas medidas são mesmo imprescindíveis em qualquer lar, com ou sem crianças por perto. Como "mais vale prevenir que remediar", vamos dar uma "voltinha" pela casa, deixando ficar algumas sugestões pelo caminho.

Gavetas:
As gavetas devem ter travões para não haver o risco de se soltarem e caírem em cima dos pés de quem as abre.

Portas:
As portas não devem ter chave na fechadura, quando as crianças são pequenas. A mãe do nosso Alberto colocou pregos em lugar elevado, ao lado de cada porta, neles pendurando a respetiva chave. O problema foi que o "rebento" aprendeu rapidamente a ir buscar uma cadeira, mesmo que não a houvesse por perto, e a trepar para ela para tirar a chave.

Escadas:
As escadas devem sempre ter corrimão(s).
Enquanto as crianças não sabem descer e subir escadas com segurança, estas devem estar protegidas, no primeiro degrau e no último, por cancelas que elas não consigam transpor. Essas cancelas poderão continuar a ser utilizadas depois disso para manter os meninos num determinado andar da casa.

Janelas:
É necessário tomar medidas para garantir que as crianças não conseguem abrir as janelas sozinhas. Como existem janelas de diversos tipos, é preciso ver qual a forma mais adequada. É também forçoso evitar que a criança consiga alcançar uma janela aberta. Se uma cadeira serve para ir buscar uma chave pendurada, também serve para trepar até uma janela aberta. Há dispositivos que limitam o seu grau de abertura, diminuindo o perigo.

Tomadas:
Qualquer orifício pode ser uma tentação para enfiar um dedo ou um objeto. Por isso, as tomadas precisam de estar protegidas, havendo vários processos de o fazer.

Cozinha e despensa:
Os produtos de limpeza, os medicamentos e outras substâncias tóxicas devem estar arrumados fora do alcance das crianças. O mesmo deve ser feito com fósforos, ferramentas, facas e outros objetos perigosos.
Nunca se deve guardar produtos não comestíveis em embalagens de alimentos ou bebidas, para evitar a sua ingestão pelas crianças.
Nunca se deve deixar uma criança sozinha na cozinha quando o fogão está ligado. Pode alcançar e entornar uma panela que esteja ao lume ou então queimar-se na chama ou na porta do forno, por exemplo. Quando se frita, a pega da sertã deve estar virada para dentro e não para fora.
É fundamental ter cuidado com o chão, onde não deve existir nenhuma gota de água ou de outro líquido, ou pedacinhos de alimentos que caem enquanto se prepara a refeição, se come ou se levanta a mesa. Podem ser altamente escorregadios e provocar acidentes graves.

Quarto de banho:
Os bebés e as crianças mais pequenas não devem nunca ficar sozinhos na banheira, porque correm o risco de afogamento. Como já vimos na televisão, em alguns reclames, ele processa-se de uma forma rápida e silenciosa.
Deve existir sempre um tapete anti-derrapante na banheira, para evitar quedas.
É preciso muito cuidado com o chão, para que não haja gotas (ou rios) de água, um sabonete caído ou até restos de champô ou de qualquer creme ou óleo.
Aparelhos elétricos, como máquinas de barbear ou secadores, devem estar arrumados em local não acessível às crianças e fora do quarto de banho.
Não deve existir chave na fechadura, do lado de dentro, para que a criança não corra o risco de se fechar por dentro sozinha. Esta medida, aliás, deve também ser tomada nas outras divisões da casa, embora possam conter menos riscos. Claro que, se a chave estiver do lado de fora, quem corre o risco de lá ficar fechado é o adulto, como aconteceu com a mãe do Alberto, que lhe resolveu "pregar essa partidinha", indo buscar a chave ao tal prego.

Quarto da criança:
A cama deve ser adequada à idade da criança e ir ser sendo substituída, de acordo com as necessidades do seu crescimento.
Devem ser evitadas arestas e esquinas pontiagudas nos móveis, tal como no resto da casa, para suavizar o impacto de possíveis pancadas decorrentes de quedas.
O chão deve estar arrumado, sem brinquedos ou peças de roupa que possam fazer tropeçar.

Sala de jantar, sala de estar, escritório:
Os móveis, como já foi referido, não devem ter esquinas ou arestas pontiagudas. As mesas não devem ter tampos soltos nem de vidro.
É necessário garantir que as estantes estão bem fixas à parede e que não cairão sobre a criança, se ela tentar pendurar-se nelas.
Os objetos de adorno pesados ou quebráveis devem estar fora do alcance das crianças (ou guardados até elas crescerem).
Os quadros devem estar bem presos e colocados em local não alcançável pela criança.

Seria impossível enumerar todos os riscos e todas as soluções. Relembro que é fundamental olhar a casa pelos olhos e pelo tamanho da criança e antecipar todos os riscos da fase de crescimento em que ela está e da que se avizinha, a qual pode chegar sem aviso prévio, como prova(m) a(s) história(s) do Alberto. Termino com a sugestão de um site onde os pais poderão encontrar informações mais aprofundadas:

tinoni.cm-lisboa.pt/html/seguranca_casa.php
Armanda ZenhasMestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQA do grupo 220 no agrupamento de Escolas Eng. Fernando Pinto de Oliveira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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