PEDIATRIA

Dor nos joelhos: doença de Osgood-Schlatter

A doença de Osgood-Schlatter, também conhecida como “doença de crescimento”, é uma doença benigna que tende a curar-se espontaneamente. Foi descrita em 1903 por Robert Osgood e Carl Schlatter e é uma causa frequente de dor nos joelhos, principalmente na adolescência.
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Qual a sua causa?
A causa desta doença permanece desconhecida. Contudo pensa-se que pode resultar de fenómenos de tração repetida, por contração do músculo quadríceps femoral sobre o tendão da rótula no local de inserção óssea na tíbia (logo abaixo do joelho), onde ocorrem microavulsões. Os fatores de risco que atualmente se conhecem associados à doença são: idade entre os 8 e 15 anos, género masculino, crescimento ósseo rápido e desportos que envolvam salto repetitivo.

Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico é iminentemente clínico, através da história clínica e do exame físico. O principal sintoma é a dor no joelho, localizada à tuberosidade da tíbia, geralmente unilateral (60-70%), mas pode também ocorrer nos dois joelhos. As crianças/adolescentes referem dor no joelho que ocorre durante atividades como corrida, salto, subir ou descer escadas, por isso esta doença é mais frequente nos atletas que praticam futebol, basquetebol, voleibol, ginástica ou ballet. A dor geralmente melhora com o repouso e modificação da atividade, acabando por desaparecer em média um a dois anos após o diagnóstico. Em alguns casos nota-se ao exame físico uma proeminência da tuberosidade da tíbia, que é dolorosa à palpação. A radiografia do joelho pode ser normal mas por vezes é possível visualizar-se uma irregularidade na tuberosidade da tíbia. Os exames laboratoriais não estão indicados para o diagnóstico.

Como se trata?
A doença de Osgood-Schlatter é autolimitada, portanto recomenda-se um tratamento conservador, nomeadamente com limitação da atividade, aplicação local de gelo e anti-inflamatórios não esteroides. O tratamento cirúrgico ou injeções locais de corticosteroides não estão indicados.

Qual o prognóstico?
O prognóstico da doença de Osgood-Sclatter é excelente. Geralmente resolve um a dois anos após o diagnóstico ou perto dos 18 anos quando a tuberosidade da tíbia está ossificada. Contudo, em cerca de 10% dos casos as queixas podem persistir na idade adulta apesar do tratamento conservador.

Marlene Rodrigues e Joana Oliveira, com a colaboração do Dr. Eduardo Almeida, Ortopedista Infantil do Centro Hospitalar do Porto
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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