PEDIATRIA

Escarlatina

A escarlatina é uma doença infeciosa aguda contagiosa, causada pela bactéria Streptococcus pyogenes. É mais comum nos meses de inverno e início da primavera, em crianças acima dos 3 anos de idade.
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A doença é rara em lactentes, embora possa ocorrer em situações de epidemia, nomeadamente em infantários. Cerca de 15% a 20% das crianças são portadoras assintomáticas desta bactéria na faringe.


Como se transmite?
A bactéria Streptococcus pyogenes costuma ser transmitida principalmente por contacto direto com um doente ou portador, através de gotículas de saliva ou secreções nasais. Entre as formas possíveis de transmissão da bactéria estão a tosse, o espirro, o contacto através do beijo ou de gotículas durante a fala. A transmissão pode fazer-se também indiretamente por objetos, mãos e alimentos contaminados.

Quais são os sintomas? A escarlatina só ocorre em aproximadamente 10% das faringites por Streptococcus pyogenes. Após o período de incubação de 2 a 4 dias, nos casos típicos, a doença manifesta-se de forma aguda pela tríade: febre, amigdalofaringite e exantema (erupção cutânea) característico. A febre alta (acima de 38,5º c) persiste durante 3 a 5 dias, acompanhada de sintomas como dores de cabeça, dor de garganta, dor abdominal e vómitos.

Cerca de 24 a 48 horas depois do início da febre, surge um exantema maculopapular avermelhado (mancha – mácula, com discreto relevo – pápula) muito fino de aspeto gratinado e áspero (tipo lixa) confluente, diminuindo de intensidade quando se faz pressão com o dedo. Inicia-se na face/pescoço, progredindo rapidamente para o tronco e extremidades, num padrão chamado craniocaudal. É mais acentuado nas pregas de flexão, como as axilas, virilhas e pregas do cotovelo (sinal de Pastia). Na face encontram-se lesões punctiformes com a testa e bochechas avermelhadas, contrastando com a palidez perioral (sinal de Filatov). Em 4 a 8 dias a erupção regride, surgindo descamação fina da pele atingida, a qual pode durar entre 1 e 3 semanas.

Na boca observam-se amígdalas, úvula e véu do paladar ruborizados. No palato e úvula podem observar-se pequenos pontinhos vermelhos. A língua adquire um aspeto típico de “língua de framboesa” devido à cor (avermelhada) e ao ingurgitamento das papilas. Verifica-se uma placa esbranquiçada nas amígdalas com pontuado amarelado.

Como se faz o diagnóstico e qual o tratamento?
O diagnóstico é essencialmente clínico. No entanto o médico pode recorrer à zaragatoa da orofaringe para comprovação da etiologia estreptocócica: um teste em que se raspa um cotonete nas amígdalas e se envia para o laboratório para análise. A partir deste material, será feito um teste rápido (10-15 minutos) que permite orientar o tratamento: se o resultado for positivo será iniciado antibiótico. Os antibióticos habitualmente de escolha no tratamento da escarlatina são a Penicilina ou a Amoxicilina.

Qual o prognóstico?
O prognóstico da escarlatina, quando correta e atempadamente tratada, é excelente. Não existe prevenção primária da infeção por Streptococcus pyogenes, nomeadamente vacina ou método de erradicar a bactéria do hospedeiro. O período de evicção escolar das crianças doentes é de apenas 24 horas após o início do tratamento com antibiótico, desde que a criança esteja sem febre.

Quais as possíveis complicações?
Quando não tratada, a escarlatina pode complicar com formação de abcesso na garganta ou infeções nos pulmões (pneumonia), ouvidos (otite média aguda), sistema nervoso (encefalite). A glomerulonefrite pós-estreptocócica e a febre reumática são complicações raras atualmente.

Catarina Macedo, com a colaboração de Augusta Gonçalves, Pediatria do Hospital de Braga
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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