PEDIATRIA

A criança e a disciplina

É natural que um dos pais assuma o papel de disciplinador, mas se esse papel não for igualmente partilhado por ambos, os filhos podem ver um dos pais como o "bom" e o outro como o "mau".
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"A disciplina é o segundo presente mais importante que um pai pode dar a uma criança. O amor vem em primeiro lugar."
T. Berry Brazelton

Um dos objetivos essenciais da educação, a ser alcançado a longo prazo, com constantes avanços e recuos, é ensinar os filhos a serem disciplinados, orientando-os para que ajam de maneira aceitável e aprendam a conviver com regras e limites:

- Em pequenos, conseguir que tenham, desde cedo (primeiro dia de vida), uma rotina para fazerem as suas refeições, tomar banho e dormir sem muitas confusões.

- Quando maiores, que façam adequadamente os trabalhos de casa, sejam educados, aprendam a cumprimentar as pessoas, agradecer um presente, sem nunca perderem a iniciativa própria.

- Na adolescência, que saibam aceitar horários para chegar a casa, tenham responsabilidade e autonomia com as suas tarefas escolares e os seus pertences.

Estes são apenas alguns exemplos, pois os limites variam muito em função do que é esperado em cada cultura e em cada família.

Todo o lar deve ter as suas próprias regras, que devem ser respeitadas e aplicadas coerentemente e com o comum acordo dos pais (tarefas domésticas, mesada, televisão, horários para dormir, etc.).

É natural que um dos pais assuma o papel de disciplinador, mas se esse papel não for igualmente partilhado por ambos, os filhos podem ver um dos pais como o "bom" e o outro como o "mau" - situação que é muito difícil de reverter. É, por isso, fundamental uma partilha constante de cuidados.

Existem várias formas de disciplina. Seguem-se algumas que vale a pena experimentar:
    • Avisos - ajudam a criança a estabelecer limites e a prepará-la para a mudança;
    Silêncio - como são constantemente interpeladas, corresponde a uma forma surpreendente de captar a atenção da criança;
    Fazer uma pausa - cessa o mau comportamento e permite aos pais acalmarem-se;
    Repetir as coisas, da forma certa - ao incentivar as boas ações vamos encorajar a criança, o que lhe permitirá readquirir autocontrolo e sentir-se recompensada;
    Reparar - leva a criança a pedir desculpas e fá-la entender que "o crime não compensa";
    Perdão - incentivo para melhorar o seu comportamento. É importante a criança sentir que pode ser perdoada;
     Planeamento - os pais enfrentam em conjunto os problemas, levando a criança a planear e a resolver problemas;
    Humor - uma forma agradável de ultrapassar os problemas, "quebrar o gelo", sem nunca entrar no gozo.
Formas que se revelaram inúteis:
    • Castigos corporais;
    • Vergonha, humilhação;
    • Lavar a boca com sabão;
    • Comparar as crianças umas com as outras;
    • Suprimir comida ou usá-la como recompensa;
    • Deitar mais cedo ou fazer uma sesta extra (a criança pode associar o ato de dormir a situações negativas, o que pode provocar alterações no sono);
    • Retirar o afeto, ameaçar com o abandono - a criança não se sente amada, sente medo.
"Educar é conviver com a criança, caminhar a seu lado e não por ela, podendo oferecer o seu exemplo, que é uma das melhores formas de ensinar e nunca esquecer que para educar é necessário tempo para dar dedicação e amor."
E. Pisani Leite

Bárbara Pereira, com a colaboração da Dra. Carla Sá, pediatra do Hospital de São Marcos de Braga


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Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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