PEDIATRIA

Prurigo Estrófulo

Esta patologia aparece principalmente na primavera e no verão, afetando quer as meninas quer os meninos. As crianças com dermatite atópica parecem ter maior predisposição para esta patologia.
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O que é?
A palavra prurigo, originada do latim "pruire", significa prurido, comichão, e foi utilizada para caracterizar pápulas e nódulos que dão prurido.
O prurigo estrófulo é também chamado de prurigo agudo simplex e de urticária papular. Trata-se de uma patologia inflamatória e alérgica da pele. Caracteriza-se pelo aparecimento de uma erupção maculopapular, isto é, de alterações da cor da pele como manchas (máculas) e áreas de elevação da pele, com relevo (pápulas). São normalmente eritematosas, isto é, com cor avermelhada, e dão prurido. Podem ou não ter, também, vesículas (pequenas bolhas).

É mais frequentemente observada na sequência de picada de insetos e mais raramente após a ingestão de alimentos ricos em histamina ou com propriedades histamino-libertadoras, como, por exemplo, peixe, tomate, ovo, cacau, morango, beterraba, soja, amendoim e alguns aditivos alimentares.

O que acontece?
Os animais que desencadeiam mais frequentemente esta patologia são os insetos. Muitos são ectoparasitas, isto é, necessitam de picar o hospedeiro para conseguirem alimento, e as proteínas da saliva destes insetos causam uma reação alérgica. Foram relacionados com esta patologia os mosquitos, moscas, pulgas e carraças. A melga comum (Culex pipiens), a pulga e o percevejo da cama (Cimex lectularius) são os mais frequentemente associados.

Esta patologia aparece principalmente na primavera e no verão, afetando quer as meninas quer os meninos. As crianças com dermatite atópica parecem ter maior predisposição para esta patologia.

Atinge principalmente crianças pequenas, com idades compreendidas entre os 4 e os 7 anos. Ocasionalmente pode aparecer em jovens e adultos.

As lesões apresentam-se dispersas pelo corpo, mas ocorrem principalmente nas zonas descobertas - nos membros e tronco (principalmente na zona onde terminam as meias e na área da cintura). A zona das axilas, couro cabeludo e área das fraldas raramente são afetadas. Fatores como a permanência prolongada no exterior dos edifícios, o suor, os odores fortes, a pele quente e o movimento parecem aumentar a suscetibilidade à picada.

Pode apresentar-se com lesões papulares, vesiculares (pequenas bolhas) ou lesões de urticária (placas avermelhadas com relevo e que provocam comichão). Geralmente aparecem, no início, como pápulas avermelhadas e duras, que provocam muito prurido, desenvolvendo uma vesícula central no período de 1 a 3 dias - lesões em alvo.

As crianças tendem a coçar e arranhar, podendo desenvolver lesões de coceira, ferida e crosta. Pode evoluir para uma infeção no local, necessitando de antibióticos.

A evolução dá-se por surtos que coincidem com a picada do inseto. Apenas uma picada é capaz de desencadear várias lesões dispersas por todo o corpo. A maioria das lesões persiste por 4 a 6 semanas e depois da resolução pode existir, temporariamente, eritema (área avermelhada) ou hipo/hiperpigmentação (área de cor mais clara ou mais escura) pós-inflamatórios.

A recorrência com a exposição continuada aos agentes provocadores vai diminuindo na adolescência e na idade adulta. Vai-se desenvolvendo uma tolerância imune às proteínas da saliva desencadeantes. Daí que frequentemente afete apenas um membro da família. Seria de esperar que, sendo a causa a picadela de mosquitos ou pulgas, os outros membros da família também fossem afetados, no entanto, estes podem ter já desenvolvido tolerância.

Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico é feito através do reconhecimento das lesões e, em alguns casos, da identificação do inseto provocador.
Não está indicada a realização de exames de diagnóstico.

Como se trata?
O tratamento baseia-se na eliminação e evicção da causa. De forma a evitar as picadelas de insetos devem ser usadas roupas que cubram as áreas do corpo normalmente expostas (camisolas com mangas e calças). Devem, também, ser utilizados repelentes de insetos, inseticidas e mosquiteiros. No caso de haver animais em casa, devem ser tomadas medidas contra as pulgas e carraças - uso de coleiras e medicação próprias e banhos frequentes dos animais. Em muitos casos não é possível eliminar a causa.

O outro ponto importante do tratamento é o controlo dos sintomas das crianças. Podem ser utilizados cremes tópicos de corticoides, que têm um efeito anti-inflamatório local, e anti-histamínicos orais. Estes medicamentos vão diminuir o tamanho da pápula, da vermelhidão e da intensidade do prurido. Deve-se desinfetar as lesões de coçeira de forma a prevenir a infeção.

Esta patologia pode ser recorrente e persistente, causando um grande incómodo. Assim, o seu tratamento pode ser algo desanimador e frustrante. No entanto, é de focar que se trata de uma patologia benigna, que melhora com o tempo (com o desenvolvimento de tolerância) e que não está associada a patologia alérgica respiratória como a asma.

Ana Português, com a colaboração de Carla Moreira, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos
Serviço de Pediatria do Hospital de BragaEste espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
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A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
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