Duas menções honrosas nas Olimpíadas Internacionais de Astronomia e Astrofísica

Diogo Cruz, da Secundária Domingos Sequeira de Leiria, e Maria Eduarda Marta, da Secundária Infanta D. Maria de Coimbra, não passaram despercebidos na competição. Pela primeira vez, Portugal esteve representado por uma equipa constituída por quatro estudantes. Alunos e professores chamam a atenção para a falta de apoios.
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Os 208 alunos do Ensino Secundário de 36 países tiveram pela frente quatro provas individuais e uma de grupo. Nas individuais, vários testes: uma prova teórica, uma prova prática de análise de dados, uma prova de observação astronómica com telescópio e ainda uma prova prática de observação a olho nu. Pela primeira vez, Portugal esteve representado por uma equipa de quatro estudantes nas Olimpíadas Internacionais de Astronomia e Astrofísica. À oitava edição, e pela primeira vez, o país conquistou duas menções honrosas.

Diogo Cruz da Escola Secundária Domingos Sequeira de Leiria e Maria Eduarda Marta da Escola Secundária Infanta D. Maria de Coimbra saíram da cidade Suceava, na Roménia, onde decorreu a competição, com menções honrosas. Duarte Magano do Colégio Luso Francês do Porto e Pedro Ribeiro da Escola Secundária de Caldas das Taipas também fizeram parte da equipa que está satisfeita com os resultados obtidos.

Maria Eduarda Marta tem 17 anos, terminou o 12.º ano, candidatou-se a Medicina no Ensino Superior e não tem muitas dúvidas de que entrará no curso que escolheu. Chegou a Portugal com uma menção honrosa. Muita satisfeita, a nível pessoal, mas com a perceção de que se tivesse havido mais apoios, os alunos portugueses poderiam ter saído das olimpíadas internacionais com medalhas ao peito. A equipa nacional partiu com duas semanas de treino intensivo no mês anterior à competição. Maria Eduarda não estava muito confiante. “Quando cheguei lá, conheci muitas pessoas de outros países que estavam muito bem treinadas”. “Era intimidante ver tanta gente com tanta preparação”, confessa ao EDUCARE.PT.

Os quatro alunos portugueses não baixaram os braços. A primeira prova foi a mais difícil e Maria Eduarda conta que chegou a bloquear perante as constelações e as localizações de galáxias no céu. “Nunca tinha realizado exercícios daquele tipo”. Na parte teórica, os alunos portugueses destacaram-se. “A equipa teve uma boa prestação na parte teórica. Se não tivéssemos a parte das constelações, poderíamos ter chegado às medalhas”, afirma. “Não há muitos apoios para estas olimpíadas que são muito difíceis”, diz a aluna que quer se médica, mas sempre foi fascinada por Física - “é uma ciência que dá muitas cartas e onde se faz muita investigação”.

“O resultado obtido é o fruto do esforço realizado por este grupo de jovens altamente motivados. Portugal participa há quatro anos nas Olimpíadas e iniciámos em 2013 um programa de treino de forma a colmatar a menor preparação dos alunos do Ensino Secundário numa área do conhecimento tão específica como esta”, refere Jorge Grave, responsável pelo treino da equipa portuguesa, membro do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto e professor na Universidade Lusófona do Porto.

O responsável está atento para melhorar a prestação dos alunos portugueses. Este ano, e pela primeira vez, foi incluído no programa de treino sessões de observação a olho nu e com telescópio. “Se na vertente teórica, estes alunos já se podem equiparar aos estudantes das equipas com maior tradição nesta competição, reconhecemos por outro lado que a preparação na vertente prática ainda não permite aos nossos estudantes estar em pé de igualdade com esses concorrentes”. A ideia é começar o treino mais cedo, estendê-lo mais no tempo, para que os estudantes contactem com as várias especificidades da vertente prática algum tempo antes.

O líder da equipa portuguesa Manuel Silva, também responsável pelo treino da equipa, reconhece as dificuldades. “As provas foram bastante duras, com problemas incidindo sobre quase todas as áreas da Astronomia e Astrofísica, incluindo componentes teórica, prática observacional e de análise de dados. Os nossos alunos enfrentaram com grande coragem países com grande tradição olímpica, tendo realizado excelentes provas”.

A Sociedade Portuguesa de Astronomia (SPA) traçou dois grandes objetivos: aumentar o número de candidatos nas olimpíadas nacionais e aumentar a representação do nosso país na competição internacional. “Conseguimos concretizar ambos com sucesso. Este é um excelente resultado”, sublinha Alexandre Aibéo, membro da direção da SPA e responsável pelas Olimpíadas de Astronomia deste ano. O responsável lembra que “foi feito um grande esforço financeiro para reunir uma equipa de quatro elementos para participar na competição internacional na Roménia”. 
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Parabéns à Eduarda Sá Marta e ao Diogo Cruz!
Anónimo
A jovem Eduarda Sá Marta e o seu colega Diogo Cruz estão de parabéns! É um excelente resultado para Portugal que apenas há poucos anos participa nestas olimpíadas.
16-08-2014
 
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