Alteração nos destacamentos dificulta vida a professores "desterrados"

O Movimento de Quadros de Escola Desterrados contesta o fim dos destacamentos por aproximação à residência, alegando que irão piorar as condições de vida dos cerca de 5 mil docentes que lecionam a mais de 30 quilómetros de casa.
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"Com o fim dos destacamentos é também a qualidade de ensino que piora. Como é que podemos ser bons professores quando temos a cabeça nos nossos filhos que estão a 100 ou 200 quilómetros de distância?", questionou Fernando Machado, membro do Movimento de Quadros de Escola Desterrados, em declarações à agência Lusa.

O Ministério da Educação (ME) anunciou sexta-feira aos sindicatos do setor a intenção de manter apenas os destacamentos por razões de doença, pondo fim aos destacamentos por aproximação à residência e preferência conjugal. Até aqui, os docentes desterrados tinham todos os anos a hipótese de pedir para mudar de escola, de modo a ficarem mais perto da área de residência, situação o que deixará de ser possível já no próximo concurso de professores.

Tirando os destacamentos, a única possibilidade que restava a estes docentes para se aproximarem de casa era concorrer anualmente a vagas em escolas mais próximas da residência, através do mecanismo normal do concurso.

A tutela anunciou igualmente que a colocação de professores passará a ser válida por três ou quatro anos, o que significa que os docentes ficam obrigados a permanecer na escola durante esse período de tempo, sem poder concorrer a outro estabelecimento de ensino. "Antes ainda havia esperança de conseguirmos aproximar-nos concorrendo todos os anos. Agora é a desgraça por três ou quatro anos, sem sequer podermos pedir destacamento", lamentou. O responsável do movimento deu como exemplo a sua própria situação familiar.

Fernando Machado vive em Azeitão (Setúbal) e é efetivo em Vendas Novas (Évora), a 75 quilómetros de distância, enquanto a mulher, também professora, está colocada em Aljustrel (Beja), a 150 quilómetros. Este ano, os dois conseguiram destacamento para escolas mais próximas de casa, em Setúbal e na Damaia (Lisboa), respetivamente, mas no próximo ano terão de regressar ao Alentejo, onde se encontram efetivos.

Por não poder fazer 300 quilómetros diariamente, a mulher, Isabel Machado, terá de alugar uma casa em Aljustrel, o que financeiramente pesará no orçamento desta família, já que os docentes "desterrados" não têm quaisquer ajudas de custo por parte do Estado. "A nossa filha, de três anos, só vai ver a mãe aos fins-de- semana e não se trata de fazer uma lamechice. É a vida real dos professores", afirmou Fernando Machado.

O Movimento de Quadros de Escola Desterrados, criado há um ano, propõe ao ME que sejam abertas mais vagas em quadros de escolas e que os professores sejam colocados a partir de uma lista ordenada com base apenas na graduação.

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