APM contra metas e exames acusa Ministério da Educação de medidas inapropriadas

A Associação de Professores de Matemática (APM) criticou hoje as metas curriculares estabelecidas para a disciplina, considerando que contrariam o programa, introduzem tópicos matemáticos inapropriados e alteram a sequenciação de outros, sem justificação.
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"Ainda mais grave é a desvalorização de capacidades de exigência cognitiva mais elevada sugeridas pelas metas curriculares, como a compreensão e a memorização de factos e procedimentos", afirma a APM, em comunicado.

A pretexto de uma análise sobre as conclusões de um estudo internacional divulgado no dia 11 (Tendências Internacionais no Estudo da Matemática e das Ciências - TIMSS), a APM diz que, à luz dos resultados e recomendações dos recentes estudos internacionais "não se entende o pressuposto das recém-criadas metas".

A APM sublinha que Portugal, ao nível dos alunos do 4.º ano, se enquadrou no grupo dos países em que houve melhoria do desempenho, "com um resultado a matemática 12 lugares do valor central do estudo".

Para a APM, as melhorias registadas nas avaliações internacionais resultam do trabalho dos professores em sala de aula.

A Associação considera também que a introdução de exames nos 4.º e 6.º anos podem trazer "fortes perturbações" ao processo de aprendizagem e avaliação dos alunos e ao próprio funcionamento das escolas.

"Consideramos que o Ministério da Educação se prepara para implementar medidas sem qualquer ancoragem nas conclusões dos estudos internacionais", lamenta a APM, falando de retrocesso "muito sério" no setor.

As metas curriculares para as várias disciplinas e anos de escolaridade ganham caráter obrigatório a partir do próximo ano letivo e introduzem-se de forma progressiva até 2017-2018, ano de aplicação obrigatória para o 12.º ano.

O calendário foi publicado em Diário da República na semana passada, depois de em agosto terem sido homologadas as metas curriculares do ensino básico para Português, Matemática, Tecnologias da Informação e Comunicação, Educação Visual e Educação Tecnológica.

As metas estabelecem o que de essencial nos programas os alunos devem saber no final de cada ano ou de cada ciclo às várias disciplinas.

"São meio privilegiado de apoio à planificação e à organização do ensino, incluindo a produção de materiais didáticos e constituem-se como referencial para a avaliação interna e externa, com especial relevância para as provas finais de ciclo e exames nacionais", lê-se no despacho.

O ministro da Educação, Nuno Crato, havia já anunciado no Parlamento que pretendia adotar metas curriculares a mais disciplinas, nomeadamente no ensino secundário.

Assim, fica agora estabelecido que estas metas serão obrigatórias no 10.º ano, em 2015-2016, para as disciplinas de Biologia e Geologia, Físico-Química, Português e Matemática A.

No ano letivo seguinte (2016-2017), serão obrigatórias para as mesmas disciplinas no 11.º ano e em 2017-2018 para o 12.º ano.

As metas começam a ser aplicadas com carácter obrigatório no ensino básico a partir do próximo ano letivo a Português e Matemática, também progressivamente até ao final de 2014-2015.
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