Escola mergulha na arte e cria cadeiras

A EB 2,3 de Cristelo, em Paredes, transforma nobre material da região em objetos artísticos. Alunos dos 10 aos 16 anos pintaram 39 cadeiras que percorrem o país. O "Cadeira Parade 2007" pode voar até à Tate de Londres.
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O projeto inspirou-se no "Cow Parade" do suíço Pascal Knapp. Pelo segundo ano consecutivo, os alunos das turmas do 2.º e 3.º ciclos da EB 2,3 de Cristelo, Paredes, utilizaram cadeiras de madeira, material nobre da região, para dar largas à imaginação. Resultado: 39 cadeiras pintadas e transformadas tendo como ponto de partida artistas plásticos nacionais e estrangeiros. Mais resultados: os objetos juntaram-se na exposição "Cadeira Parade 2007" que passou pela Casa da Música, Exponor, Feira Internacional de Lisboa, pavilhão Rota dos Móveis de Paredes e pelo Clube Literário do Porto. A mostra despertou entretanto a atenção de um responsável da Tate Modern de Londres, que mostrou interesse em expor as cadeiras num dos museus mais conceituados do mundo. Aguardam-se contactos.

No primeiro ano do projeto, 2006/2007, as atenções concentraram-se em obras de artistas portugueses. No segundo, 2007/2008, abriu-se o leque e os alunos puderam também explorar conceitos de artistas estrangeiros. Almada Negreiros, Andy Warhol, Paula Rego, Gustav Klimt, Picasso, Matisse, entre outros. O trabalho artístico dentro das salas das 39 turmas desenvolveu-se em três fases. Tudo começou com a investigação dos artistas plásticos, do século XIX à atualidade, para analisar diferentes meios de expressão e apreender conceitos de diversas linguagens artísticas. Depois da pesquisa, os alunos analisaram a cor, a forma, a textura, o movimento de obras do artista selecionado, um por cada turma, para criar um projeto criativo. Com um requisito: as cadeiras tinham de ter traços facilmente identificáveis com o artista selecionado. Passou-se então para a concretização das ideias. Uma fase para desenhar e aplicar diferentes técnicas da pintura, escultura, modelagem.

Beatriz, Marco e André têm 11 anos e estrearam-se na iniciativa. Gostaram da experiência, esperam repeti-la e garantem que o resultado final superou o que estava desenhado no papel. "Pintámos, serrámos madeira e fizemos colagens", adianta Beatriz Rocha. A cadeira inspirada em Jesus Souto ficou "gira e engraçada". "Colocámos discos que giravam, quando puxados por um fio", acrescenta. Marco Silva usou pincéis com azul, preto, cor de laranja e verde para criar a cadeira inspirada no espanhol Miró. "Fizemos desenhos nas cadeiras", revela. André Barros também esteve envolvido na criação desse objeto. "Gostei de pintar, a experiência foi boa", conta. Os alunos estão satisfeitos com o trabalho e orgulhosos com a projeção da "Cadeira Parade 2007".

O projeto foi lançado pelo departamento de Artes e Tecnologia. Susana Faustino, uma das professoras que coordenaram a iniciativa, tem um resumo do que aconteceu e no qual se garante que as expectativas foram amplamente superadas e os objetivos alcançados. Com conclusões a retirar. "Hoje em dia já é comum encontrarmos o que era impensável há dois anos: alunos que comentam programas televisivos de índole artística pedem aos pais que os levem a visitar uma exposição de pintura, ou ainda, que não nos 'deixam' ir ao intervalo porque querem trabalhar mesmo nos seus tempos livres", revelam os coordenadores. "Com este projeto que 'pegou' num objeto que lhes é comum, que faz parte integral da sua vida (quase todos os alunos têm um familiar que se dedica à indústria do mobiliário), foi bastante notório o aumento da sensibilização e motivação dos alunos para a fruição/contemplação e produção do objeto artístico", acrescentam.

Promover o gosto pela experimentação. Estreitar laços entre a escola e a indústria que mais gente emprega no concelho. Tentar diminuir o abandono escolar. Objetivos que contaram com uma rede de parceiros. Câmara Municipal de Paredes, Associação Empresarial de Paredes e várias empresas do município contribuíram para que o projeto se tornasse realidade. Nadir Afonso visitou a escola, o pintor Júlio Resende escreveu um postal, Armanda Passos e Paulo Neves receberam alunos nos seus ateliers, o jornalista Carlos Magno ajudou a promover o projeto. "Com este projeto todos os discentes e o grupo de Artes deste agrupamento, sem esquecer a calorosa e sempre bem-vinda ajuda de alguns carolas, mostraram como é possível lutar por uma escola inclusiva, aprendendo, crescendo e amadurecendo ideias e conhecimentos". As palavras são do presidente do Conselho Executivo da escola de Cristelo, Mário Rocha.
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