Mais crianças transportadas em cadeirinhas

Estudo nacional revela erros graves e muito graves em 64,4% dos casos em que é utilizada a cadeira com cintos internos.
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Os dados foram hoje divulgados. Em cerca de 5300 crianças observadas em ambiente urbano, 87,7% eram transportadas em cadeirinhas e em cerca de 65% dos casos a proteção era a adequada. Porto, Coimbra, Faro, Beja e Setúbal são os distritos que registam uma maior percentagem de utilização de cadeirinhas. Na qualidade da proteção, Guarda, Leiria, Lisboa e Santarém são os distritos com mais crianças corretamente transportadas, entre as que usam o sistema de retenção. Há uma conclusão que salta à vista: os distritos que mais usam cadeirinhas não são necessariamente os que transportam melhor as crianças. Certo é que em ambiente de autoestrada, a intenção de uso de cadeirinhas aumentou de 76% em 2006 para 83% em 2007. A taxa de proteção correta aumentou ligeiramente, ou seja, de 48% em 2006 para 55% em 2007.

Estes são os principais resultados do projeto "Centro de Informação Itinerante: Segurança da Criança no Automóvel - Intervenção Local 2007", promovido pela Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI). Um projeto que mereceu o primeiro lugar no concurso "Prevenção e Segurança Rodoviária", promovido pelo Ministério da Administração Interna, que teve como tema para 2007 "Crianças e Jovens - Novos Comportamentos nas Estradas". As conclusões foram hoje apresentadas na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa.

Há mais elementos a reter. O estudo revela que há mais crianças a serem transportadas em cadeirinhas em ambiente de autoestrada e que a proteção é melhor nas que usam. Uma diferença que é mais acentuada nas crianças a partir dos quatro anos. "Se considerarmos a totalidade das crianças observadas, podemos dizer que apenas 46% é corretamente transportada em autoestrada e 57% na cidade", lê-se no relatório. A APSI avaliou 387 sistemas de retenção de crianças dos zero aos 12 anos. E as conclusões não são animadoras: "Nas cadeiras com arnês (cintos internos), verificámos que em 64,4% dos casos existiam erros graves e muito graves. Nas cadeiras sem arnês (cadeira de apoio e banco elevatório), a taxa de erros graves registada é mais baixa, com 10%". No grupo até aos 18 meses, muitas crianças ainda viajam viradas para a frente, "situação que representa um risco acrescido de morte e traumatismo grave". Hoje sabe-se que mais de 75% dos acidentes rodoviários que envolvem crianças podem ser evitados com a adoção de medidas de prevenção adequadas. A taxa de eficácia das cadeirinhas, quando corretamente utilizadas, é de 60% a 95%.

Esta é a primeira vez que a APSI faz um estudo sobre o transporte de crianças no automóvel em ambiente urbano. Este estudo, realizado no âmbito de uma campanha de segurança rodoviária infantil, centrou-se nos 18 distritos de Portugal continental e foi feito entre junho e novembro de 2007. Conhecer melhor os riscos que existem no transporte de crianças, verificar e aumentar a taxa de utilização das cadeirinhas no automóvel, diminuir a incidência de erros na utilização das cadeirinhas foram as principais motivações. Diminuir a mortalidade e morbilidade das crianças e jovens enquanto utilizadores do ambiente rodoviário foi a meta traçada.

A APSI percorreu o território nacional. Observou mais de cinco mil carros, promoveu sessões de esclarecimento abertas à comunidade e ações de formação que envolveram mais de 1400 crianças em idade escolar, demonstrando como se instala e utiliza corretamente a cadeirinha nos automóveis. Tudo para aumentar o conhecimento das situações de risco de acidentes da criança enquanto peão e passageiro, verificar e aumentar a taxa de utilização das cadeirinhas, informar e demonstrar como se utiliza o cinto das cadeirinhas, identificar e corrigir erros nessa utilização.

Além disso, a APSI observou, em setembro do ano passado, o transporte de crianças, dos zero aos 12 anos, em veículos ligeiros em ambiente de autoestrada, em Lisboa e no Porto. Da análise, verificou-se que 17% das crianças viajam sem qualquer proteção, ou seja, soltas. Nos 83% dos casos em que existe intenção de proteção, 55,2% das crianças viajam com proteção correta. A intenção de proteção é mais elevada no grupo etário dos zero aos três anos. Nos dois grupos etários, ou seja, dos zero aos três e dos quatro aos 12 anos, a proteção correta verifica-se apenas em cerca de metade das situações. "No último ano, verificou-se um aumento da taxa de utilização de sistemas de retenção para crianças em todos os grupos etários, confirmando-se a tendência para o crescimento da intenção de proteção das crianças no automóvel", conclui-se.
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