OCDE: Diplomados nas áreas STEM aumentam em Portugal

O número de diplomados em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês) em Portugal é dos mais elevados entre os países da OCDE. Em 2015, 28% dos alunos do Ensino Superior concluíam estudos nestas áreas, acima da média de 23% dos países-membros e economias parceiras desta organização.
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De acordo com o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) “Education at a Glance 2017”, divulgado hoje, o elevado número de diplomados nas áreas STEM deve-se sobretudo à percentagem de licenciados dos cursos de Engenharia, Construção e Indústria. No entanto, Portugal conta apenas com 1% de diplomados em Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), uma das percentagens mais baixas de todos os países da OCDE, cuja média é de 4%.

Ainda segundo o relatório, e apesar de a escolha pelas áreas STEM ser maior nos homens do que nas mulheres, a disparidade de género é menos acentuada em Portugal. Cerca de 23% e 28% dos recém-chegados aos cursos superiores de TIC e de Engenharia, Construção e Indústria são mulheres, em comparação com a média da OCDE que é de 19% e 24%, respetivamente.

No que diz respeito ao Ensino Superior, “Portugal experimenta uma mudança geracional relativamente à escolha das áreas de estudo, optando os alunos sobretudo pelas engenharias, mas também pela saúde e bem-estar”, diz a OCDE. Considerando os diplomados entre os 25 e os 64 anos, apenas 15% se formaram em Engenharia, Construção e Indústria. Em 2015, já 21% dos estudantes do Ensino Superior obtinham um diploma nestas áreas, quando a média da OCDE se ficava em 14%. Do mesmo modo, apenas 14% dos adultos com escolaridade superior detinham cursos na área da saúde e bem-estar, mas em 2015 no mesmo campo de estudo formavam-se 19% dos diplomados.

Pré-escolar “no bom caminho”
Portugal conseguiu aumentar o número de crianças envolvidas na educação pré-escolar, na última década. De acordo com a OCDE, entre 2005 e 2015, a participação aos três anos subiu de 61% para 79% e aos quatro anos de 84% para 90%. Duas percentagens acima da média da OCDE: “Este é o caminho certo para atingir a meta da educação para a infância universal entre os 3 e os 5 anos até 2020”, lê-se no relatório pormenorizado sobre o sistema educativo português.  

Metade destas crianças, cerca de 47%, frequentam instituições privadas, a maioria financiada pelo Estado. Uma percentagem muito acima da média de 34% da OCDE. Portugal, alerta a organização, é dos países que menos investimento público faz no pré-escolar: 66% contra 83% da OCDE.

31% dos adultos não têm o 10.º ano
Numa análise à evolução da escolaridade da população portuguesa, a OCDE refere que o ensino profissional pode ajudar a elevar os baixos níveis de frequência no Ensino Secundário. Cerca de 31% dos adultos entre os 25 e os 34 anos não têm o 10.º ano, o dobro da média da OCDE e uma das percentagens mais elevadas entre os países da organização. Ainda assim, esta percentagem representa uma melhoria assinalável, aponta o relatório, tendo em conta que, nas gerações mais velhas, cerca de 53% dos adultos entre os 25 e 64 anos não têm o Ensino Secundário.

No futuro, o cenário pode ser ainda melhor. “Tendo por base os padrões atuais, quase 90% da atual população jovem portuguesa concluirá o Ensino Secundário, em algum momento, ao longo da sua vida”, realça a OCDE. Mas “aumentar a frequência do Ensino Secundário implica ultrapassar dois desafios: assegurar o acesso, em primeiro lugar, e a conclusão, uma vez que os alunos tenham atingido este nível”.

O primeiro passo parece estar concluído. Em Portugal, 96% dos alunos entre os 15 e os 17 anos – as idades teoricamente de referência – frequentam o Ensino Secundário. “A conclusão, no entanto, permanece um desafio significativo”, contrapõe a OCDE, lembrando que apenas metade dos alunos conseguem terminar o 12.º ano nos três anos de duração deste ciclo, quando a média da OCDE é de 68%, entre os países com dados disponíveis.

Retenção e abandono
Feitas as contas, em cinco anos, ou seja, dois anos mais tarde que o período de duração do Ensino Secundário, a taxa de conclusão aumenta para 61%, ainda consideravelmente abaixo dos 75% da OCDE. Outro aspeto negativo são as retenções e consequente abandono ao nível do Ensino Secundário, atualmente a escolaridade obrigatória. Portugal tem a mais elevada percentagem de alunos que deixam a escola sem completar o 12.º ano e após terem permanecido neste ciclo mais dois anos além dos três esperados.

A OCDE destaca o esforço português no desenvolvimento de programas de ensino profissional, como forma de aumentar as taxas de conclusão do Ensino Secundário e de promover a entrada direta dos jovens no mercado de trabalho. Em 2015, 45% dos estudantes portugueses frequentavam cursos profissionais no Ensino Secundário. Ao contrário do que acontece na maioria dos países, o ensino profissional português é mais eficaz em conseguir que os alunos permaneçam nos cursos até ao fim do que o ensino geral. Ao fim de cinco anos de frequência do Ensino Secundário, 64% dos alunos do profissional conseguem concluir a formação, ao passo que no geral apenas 59%.  

Superior com “acesso limitado”
Ainda no Ensino Superior, a OCDE constata que “o acesso continua limitado e o investimento a descer desde 2010”. Em 2016, 24% da população adulta portuguesa (entre os 25 e os 64 anos) tinha formação superior, abaixo dos 37% da média da OCDE. Na geração mais nova, dos 25 aos 34 anos, 35% são diplomados, totalizando um acréscimo de 16 pontos percentuais desde 2005.

Cerca de 15% dos estudantes universitários frequentam mestrados integrados, com duração mínima de cinco anos. Como resultado, apenas 6% dos adultos detêm uma licenciatura, na OCDE a percentagem é de 16%, comparativamente superior é a percentagem da população com grau de mestrado: 18% comparada com os 12% da média na OCDE.    

Investimento abaixo da média
O investimento público anual por aluno em instituição de ensino em Portugal está abaixo da média da OCDE em todos os níveis de escolaridade. Mas a diferença é mais visível no Ensino Superior. As instituições de Ensino Superior portuguesas gastam 11 800 dólares americanos, por aluno seja na licenciatura, mestrado ou doutoramento. Menos 4000 dólares americanos que a média da OCDE. “O baixo investimento deve-se sobretudo aos baixos gastos nos serviços educativos básicos, uma vez que o investimento em investigação e desenvolvimento (I&D) está ligeiramente acima da média da OCDE”, lê-se.  

Enquanto o investimento público no Ensino Superior baixava em 9%, entre 2010 e 2014, acompanhando também a descida do número de estudantes, a parcela gasta pelo Estado no Ensino Básico, Secundário e pós-secundário não universitário aumentava 12% no mesmo período.
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