Alterar pedagogias e reformular métodos para acabar com os chumbos

Seis agrupamentos escolares têm “luz verde” para testar medidas pedagógicas a partir do próximo ano letivo. Podem dividir turmas, fazer menos testes, redistribuir conteúdos das disciplinas, acabar com os três períodos.
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Seis agrupamentos escolares têm “luz verde” a partir do próximo ano letivo, e por um período de três anos, para mudarem algumas regras estabelecidas e em prática no atual sistema de ensino. O Projeto-Piloto de Inovação Pedagógica (PPIP), criado pela tutela, permite várias alterações. Redistribuir os conteúdos das disciplinas por ciclos, dividir turmas, criar áreas curriculares, ter dois e não três períodos no calendário escolar, diminuir o número de testes, apostar numa avaliação contínua e qualitativa, investir na inovação pedagógica. O objetivo maior é eliminar os chumbos de uma forma gradual. Portugal continua a ser um dos países da OCDE com mais alunos que já chumbaram pelo menos uma vez antes dos 15 anos.

Pedro Cunha, subdiretor da Direção-Geral da Educação (DGE), entidade que coordena este projeto-piloto, explica o que se pretende em declarações ao semanário Expresso. “As escolas podem optar por fazer a sua gestão na distribuição dos tempos, dos programas, e das metas, desde que garantam que os alunos adquirem as competências previstas em cada final de ciclo. Ou podem criar áreas curriculares próprias”, adianta.

Os agrupamentos escolares do Freixo em Ponte de Lima, do Cristelo em Paredes, da Marinha Grande Poente em Leiria, Fernando Casimiro Pereira da Silva em Rio Maior, de Vila Nova da Barquinha em Santarém, e de Boa Água em Sesimbra, todos com mais de 7500 alunos, são as estruturas selecionadas para testar as medidas pedagógicas e modelos de organização escolar diferentes do que estão a ser aplicados neste momento. Os seis agrupamentos terão liberdade e autonomia, mas todos os passos terão de ser devidamente fundamentados e caminharem no sentido da eliminação progressiva das retenções.

“Não se trata de decretar a transição obrigatória dos alunos. Nem de decretar a erradicação da retenção. Trata-se de dar a estas escolas todas as opções de que precisem para agir preventivamente e assim eliminar, de forma progressiva, a retenção e o abandono escolar, garantindo que todos os alunos aprendem”, explica o responsável.

Neste programa de autonomia reforçada, os agrupamentos selecionados podem definir e propor os projetos que considerem mais adequados para eliminar as retenções e estancar o abandono escolar. São escolas com problemas distintos, localizadas em meios urbanos e rurais, com taxas de insucesso diferentes. Os projetos que se revelarem eficazes poderão ser replicados noutros estabelecimentos de ensino.

As realidades não são iguais e os seis agrupamentos podem propor vários caminhos e alternativas. Pedro Cunha dá um exemplo de reorganização de conteúdos, uma das matérias que as escolas escolhidas podem trabalhar. “Atualmente, a Revolução Industrial é tratada em várias disciplinas, em anos diferentes, em ciclos diferentes. Estas escolas podem condensar o tema num determinado momento e colocar várias disciplinas e trabalhá-lo de forma integrada, evitando repetições”, diz em declarações ao Expresso.

As mexidas poderão estender-se à própria constituição das turmas. O subdiretor-geral admite que a atual configuração tem fragilidades. “A unidade turma é algo completamente burocrático. Nada nos diz que aquele grupo de alunos é o melhor possível e que deve trabalhar junto ao longo de todo um ano letivo ou de um ciclo. Se os alunos têm interesses e necessidades diferentes pode ser útil desconstruir essa organização e partir as turmas em vários grupos”, diz.

O mesmo pode acontecer com o calendário escolar. “Há três períodos e, tipicamente, em cada um os alunos fazem dois testes. No final atribui-se uma nota. Mas é possível repensar esta avaliação e criar mais momentos de avaliação formativa ao longo do ano e não quantitativa”, refere Pedro Cunha.
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