Crato garante que os exames nacionais não aumentaram as retenções

Ex-ministro da Educação não comenta as mudanças que o seu sucessor vai aplicar nas escolas. Numa entrevista ao jornal Público, Nuno Crato refere que a avaliação externa ajuda os alunos a chegarem a patamares mais elevados.
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O anterior ministro da Educação não fala das alterações que o seu sucessor, Tiago Brandão Rodrigues, quer colocar em prática nas escolas já no decorrer deste ano letivo. Nuno Crato saiu do Governo e a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PAAC), tão criticada pelas associações que representam os docentes, foi extinta. Os exames nacionais de Português e de Matemática do 4.º e 6.º anos desapareceram do calendário escolar. Em contrapartida, os alunos do 2.º, 5.º e 8.º anos terão provas de aferição. Os exames finais do 9.º ano e do Secundário mantêm-se. “Os exames e provas finais não aumentaram as retenções”, afirma numa entrevista dada ao jornal Público e em que refere que não quer criticar o que está a ser feito pelo atual Governo. Nuno Crato, que no final da última semana foi condecorado pelo Presidente da República Cavaco Silva, faz a apologia dos exames. Se os colocou no sistema de ensino, se tanto os defendeu, é porque fazem sentido. A metáfora da chuva e do guarda-chuva reforça a sua política de atuação quanto à avaliação externa. “Existe um exemplo em estatística que diz que não é por se deixar de usar guarda-chuva que a chuva acaba”, refere na entrevista. É direto no que quer transmitir. “Não é por deixar de haver avaliação que os alunos vão saber mais. Isso é uma falácia. A avaliação deve ser vista como algo que ajuda todos a melhorar, que estabelece critérios mais uniformes e ajuda todos a ter objetivos e a ultrapassá-los.” Além disso, lembra, essas provas são iguais para os alunos de todo o país o que, na sua opinião, ajuda a que todo o país chegue aos mesmos patamares.

Sem qualquer referência direta ao seu sucessor, o ex-ministro da Educação diz o que pensa, mantendo-se coerente com o que preconizou durante o seu mandato, e com alguns recados nas entrelinhas. Crato sabe que nem tudo está bem no reino das retenções, que Portugal continua a ser um dos países europeus com maiores taxas nessa área, e, por isso, avisa que é preciso olhar de frente para as questões. “(…) uma coisa é passar os problemas para debaixo do tapete, outra coisa é enfrentá-los”. E, nesse sentido, aconselha a que se continue o caminho de apoio às primeiras dificuldades dos alunos.

O discurso de rigor e exigência, adotado durante o seu mandato, transparece na entrevista. “A avaliação externa é um apoio ao trabalho dos professores, um trabalho de exigência e que os ajuda a puxar os alunos para patamares mais elevados”, refere. Crato assegura que as medidas que tomou tiveram em conta os professores e sente que o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano está a dar frutos. Com números acabados de conhecer, que dão conta que a taxa de abandono precoce diminuiu 3,7% - descendo de 17,4% em 2014 para 13,7% em 2015 -, o ex-governante mostrou-se satisfeito por esses dados e destacou a “resposta eficiente” que as escolas secundárias deram ao receber mais alunos. “Precisamos de oferecer vias alternativas aos alunos porque nem todos precisam das mesmas respostas. O sucesso das vias profissionais significa que mais estudantes se mantiveram no sistema. E isto está diretamente ligado aos números da redução do abandono escolar precoce.”

Nuno Crato não tem dúvidas de que o rigor do ensino aumentou, que os percursos alternativos ganharam outra dimensão e que as soluções criadas para os alunos com dificuldades também explicam a redução da taxa de abandono escolar. “O que havia antigamente é que, de forma encapotada, havia percursos alternativos. O que fizemos foi estruturar e recuperar os alunos, permitindo que os cursos tivessem um tronco comum para, caso os alunos quisessem, regressar aos cursos gerais”. No final da entrevista, quando questionado sobre as mudanças do novo executivo, Crato responde que não quer criticar o que está a ser feito por quem veio a seguir. Mas deixa um conselho na sua última frase. “Julgo que se devia refletir sobre o sucesso do que foi feito e continuá-lo.”
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Comentários
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“Os exames e provas finais não aumentaram as reten
mariafacarvalho@hotmail.com
O Sr. Ex Ministro engana-se. O exame conduz o docente a avaliar negativamente os seus alunos ( refiro-me aos mais frágeis, com problemas familiares gravíssimos) porque TÊM VERGONHA dos resultados que estes alunos possam ter no exame. Por esta razão, tenho imensos alunos com 18 anos no 9º ano. Alunos humildes, assíduos, com histórias de vida terríveis, que encontram na escola a única refeição do dia, o único local de convívio Espero, sinceramente que este novo Ministro legisle a proibição da retenção até ao 9º ano.
17-02-2016
 
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