Campanha alerta para problemas do 1.º ciclo

“Pela Valorização do 1.º Ciclo” é a campanha nacional que a FENPROF está a promover. Horários, gestão escolar, constituição de turmas, integração de alunos com necessidades educativas especiais são alguns dos temas em análise. No final, será elaborado um dossiê com propostas para entregar ao Ministério da Educação.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
A campanha nacional “Pela Valorização do 1.º Ciclo” da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) está em curso e, ao longo de um mês, andará por escolas de seis regiões do continente e ilhas. O objetivo é alertar para várias situações que acontecem no primeiro nível de ensino dos alunos, tentar alterar o rumo que a FENPROF não considera o mais adequado, e recolher opiniões e sugestões de professores, funcionários das escolas, alunos, autarcas, pais e encarregados de educação. Sugestões que serão integradas num dossiê que será enviado ao Ministério da Educação (ME) e aos grupos parlamentares com a intenção de iniciar um processo de negociação e de análise de algumas mudanças. “Não apenas em nome dos professores, mas, essencialmente, das crianças que são vítimas de políticas que as desrespeitam”, refere a Federação.

A FENPROF está assim disponível para escutar o que os atores educativos têm a dizer sobre o quotidiano do 1.º ciclo para depois apresentar propostas concretas com vista a “uma profunda alteração da situação negativa que se vive”. Durante a campanha, fazem-se registos em vídeo, recolhem-se imagens, pedem-se depoimentos e mobilizam-se órgãos de comunicação social de forma a dar a conhecer a realidade do 1.º ciclo. Os autarcas não ficam de fora. A FENPROF também procura compromissos nesta área por parte de quem tem nas mãos decisões importantes e que podem mexer com o dia a dia dos alunos do 1.º ciclo.

A primeira etapa do ensino obrigatório é muito importante no percurso escolar dos alunos. Constroem-se as bases, adquirem-se conhecimentos, desenvolvem-se capacidades, trabalham-se competências básicas fundamentais para o futuro. Mas para a FENPROF, este nível de ensino não tem tido a atenção merecida e continua com problemas de organização pedagógica e de capacidade de resposta perante solicitações cada vez mais exigentes.

“Quem sabe o que se passa nas escolas são os auxiliares, são os professores, são os coordenadores de departamento, são os vereadores da Educação, são os autarcas em geral. E precisamos da opinião de todos para levar isto à sociedade. A escola precisa da sociedade, mas a sociedade também precisa da escola”, afirmou Manuel Micaelo, coordenador do Departamento do 1.º ciclo da FENPROF, no arranque da campanha. “É preciso dignificar e respeitar a criança e dignificar e respeitar o professor. Esta campanha visa exatamente esses objetivos”, acrescentou.

A campanha já anda no terreno, arrancou com um debate em torno da constituição de turmas e da integração dos alunos com necessidades educativas especiais. A próxima iniciativa acontece em Coimbra, na Escola Básica 1.º CEB n.º 16, no bairro Nórton de Matos, a 11 de fevereiro às 10h30, e o destaque estará na gestão das escolas e na representação do 1.º ciclo na direção dos agrupamentos. Segue-se Sintra em 18 deste mês, na Escola Básica António Torrado, às 10h00, com as atenções viradas para a organização dos horários e disparidade de critérios. Nos dias 19 e 20 de fevereiro, a campanha está na Madeira, no auditório do Sindicato dos Professores da Madeira, com a seguinte questão “Escola a tempo inteiro: e se houvesse ventos de mudança?... Lançar sementes para o futuro”. Évora entra no roteiro em 23 de fevereiro com a escola a tempo inteiro e o aumento da carga horária dos alunos em realce na Escola Básica do Rossio pelas 10h30. A última ação está marcada para 1 de março na Escola Básica 1.º CEB da Fajã de Baixo, na ilha de S. Miguel, nos Açores, com as condições de trabalho e o exercício da profissão docente na agenda.

“Horários desfeitos pela gula economicista”
Antes do arranque da campanha, a FENPROF tomou o pulso à realidade para lembrar que há estudos internacionais que revelam que as crianças portuguesas do 1.º ciclo são as que têm um maior número de horas semanais em atividades escolares e para recordar que as condições de exercício da profissão neste nível de ensino têm-se agravado de ano para ano. Além disso, lembra, os últimos anos foram marcados pelo “encerramento de mais de 5000 escolas do 1.º ciclo, pelo retorno das turmas com diversos anos de escolaridade, pela perda de apoios necessários a milhares de crianças, por uma organização pedagógica desregulada, por horários de trabalho (de professores e alunos) desfeitos pela gula economicista do governo anterior, por um regime de coadjuvação que não o é nem deixa de ser, pelos mega-agrupamentos que tudo esmagam e por um desrespeito enorme do poder político e de muitos dos chamados superiores hierárquicos em relação aos docentes deste setor”. “Não surpreende, pois, que cresçam os gritos de revolta dos professores e a FENPROF quer ampliá-los para que os problemas deixem de ser ignorados e passem a ser resolvidos”, sustenta.

A FENPROF volta a chamar a atenção para a necessidade de reorganização do 1.º ciclo que, em seu entender, se encontra “completamente desestabilizado pela aplicação, por governos anteriores, de medidas avulsas, adotadas numa perspetiva de redução de despesa com consequências graves para a qualidade do ensino”. Em relação ao regime de docência no 1.º ciclo, a Federação conta o que se passa. Há turmas que se organizam em regime de monodocência puro e duro, turmas onde existe coadjuvação em que os docentes coadjuvante e coadjuvado trabalham juntos, turmas em que se substitui o professor titular da turma pelo que coadjuvar, turmas em que o titular de turma ensina Matemática, Português e Estudo do Meio (no caso da monodocência pura, exerce ainda as demais disciplinas) e turmas em que, por permuta de disciplinas, o professor só exerce Matemática ou Português, além de ser responsável pelo Estudo do Meio na turma em que continua a ser titular. “Isto significa que há alunos que têm um só professor, como dantes, e outros que têm muitos professores: Português e Estudo do Meio, Matemática, Inglês, Expressões Artísticas e Físico-Motoras e ainda, se frequentarem, mais dois nas Atividades de Enriquecimento Curricular e, se necessitarem, o professor de apoio”.

A FENPROF defende a criação de equipas educativas coordenadas pelo docente da turma e atividades específicas desenvolvidas em regime de coadjuvação, ou seja, sempre com o envolvimento do docente titular. “O funcionamento das escolas do 1.º CEB com base em equipas educativas permitirá às escolas e aos professores uma mudança efetiva na organização e dinâmica pedagógicas. Abrir-se-á caminho a um trabalho mais cooperativo, articulado e sustentado entre os professores, com ganhos significativos para as aprendizagens dos alunos”, realça. É, na sua perspetiva, um modelo que permite conjugar a exigência da competência disciplinar sem descurar a importância do vínculo pedagógico, da relação de proximidade e do conhecimento interpessoal - aspetos considerados fundamentais na faixa etária dos alunos do 1.º ciclo.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Com papas e bolos...
coeh
https://oduilio.wordpress.com/.../opiniao-de-ilda.../
…O secretário-geral da FENPROF faz-me lembrar um ilusionista de fraca categoria que com truques mágicos banais procura iludir os “ingénuos” professores do 1º ciclo, os quais ele parece associar à classe pouco reivindicativa e de menor estatuto do estado novo, fazendo que vai tirar da cartola a salvação da espécie, fazendo jus ao provérbio “com papas e bolos se enganam os tolos”. Nas palavras daquele dirigente “não surpreende, pois, que cresçam os gritos de revolta dos professores e a FENPROF quer ampliá-los para que os problemas deixem de ser ignorados e passem a ser resolvidos.” Quer mesmo?!!! E quais são as propostas para a resolução dos problemas há muito sabidos e nunca resolvidos? As soluções são bem conhecidas, de todos os interessados, e razoáveis na proporção, pelo mais parece que a FENPROF quer capitalizar o descontentamento que grassa neste nível de ensino e cavalgar o mérito da sua pseudo-resolução.
Julgo que, com esta campanha, se pretende uma vez mais, a exemplo do que tem sido a regra, jogar com as expetativas legítimas dos profissionais deste nível de ensino (1ºciclo), em troca de uma reforma, para todos os professores, em iguais condições…
17-02-2016
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.