Modo de ler dos alunos do 4.º ano está a ser avaliado

Testes internacionais PIRLS e ePIRLS querem avaliar a compreensão da leitura no final do 1.º Ciclo. Até 18 de março, cerca de 5300 crianças de 220 escolas portuguesas respondem a várias questões que permitirão perceber, entre outras capacidades, se estes alunos têm ou não competências para utilizar as novas tecnologias de informação.
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O PIRLS – Progress in International Reading Literacy Study, estudo internacional desenvolvido pela IEA – International Association for the Evaluation of Educational Achievement, que avalia a compreensão da leitura dos alunos do 4.º ano do 1.º ciclo do Ensino Básico, está novamente no terreno em cerca de 60 países. Em Portugal, cerca de 5300 alunos de 220 escolas respondem, até 18 de março, a estes testes que não contam para nota. Avaliar a compreensão da leitura para tentar perceber o que influencia a forma como se aprende a ler é o principal objetivo destes testes.

O PIRLS, que se realiza de cinco em cinco anos, está em curso desde o primeiro dia de fevereiro. Além do PIRLS, há o ePIRLS que o IAVE – Instituto de Avaliação Educativa apresenta como um “estudo altamente inovador que vai avaliar a literacia de leitura em formato digital”. O que é o PIRLS e o que é o ePIRLS? A prova PIRLS é, como explica o IAVE, constituída por um conjunto de cadernos com itens que envolvem diferentes finalidades e processos de compreensão da leitura. Cada aluno responde a um caderno da prova.

O teste ePIRLS realiza-se em ambiente web com o propósito de avaliar se as crianças do 4.º ano conseguem ler e utilizar a informação que leem online. “Os resultados vão permitir aferir se estes alunos têm capacidade e competências para utilizar as novas tecnologias de informação (por exemplo e-books) em processos de ensino e aprendizagem”, adianta o IAVE.

Os itens do PIRLS não são públicos para permitir a comparação dos resultados dos alunos ao longo das várias edições do estudo e identificar tendências desses mesmos resultados. Em cada ciclo dos testes, são, no entanto, divulgados alguns itens que deixam de fazer parte das provas e que ilustram as questões apresentadas aos alunos. A par dos testes, são aplicados questionários que recolhem informação de contexto e outros fatores que podem influenciar o desempenho em literacia de leitura.

 A primeira aplicação do PIRLS aconteceu em 2001, há 14 anos, um espaço temporal que possibilita analisar as tendências dos resultados apurados e proceder a uma caracterização dos ambientes familiar e escolar em que os alunos aprendem a ler nos vários países.

A análise da literacia de leitura numa plataforma digital não é propriamente uma novidade. Literacia 3D: O Desafio pelo Conhecimento, iniciativa inédita apresentada pela Porto Editora no ano passado, promove a literacia em três dimensões: leitura, matemática e ciência no 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico. Os alunos do 5.º ano testam conhecimentos de leitura, os do 7.º de matemática e os do 8.º de ciência, em provas interativas disponibilizadas na plataforma online Escola Virtual.

Este projeto inovador é um concurso aberto a todas as escolas públicas e privadas do nosso país, ilhas incluídas, e a participação é gratuita. Depois de uma fase piloto, o Literacia 3D entrou em ação este ano letivo. O projeto tem três fases: escolar, distrital e nacional. As provas individuais, que não se restringem aos conteúdos curriculares e ao que é tradicionalmente objeto de avaliação, foram feitas nas escolas participantes durante o primeiro período. Durante o segundo período, serão marcados os dias e locais em cada distrito para as provas que selecionarão os alunos que participarão na final nacional, que acontecerá no terceiro período com os melhores alunos de cada distrito.  
 
“Por acreditarmos que esta iniciativa beneficiará os nossos alunos, ajudando-os a consolidar as aprendizagens e elevar os níveis de conhecimentos num contexto similar ao das avaliações internacionais, queremos envolver todos os que se preocupam com o desenvolvimento dos índices educacionais e culturais do nosso país na concretização deste projeto”, lê-se no dossiê de apresentação do Literacia 3D.
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O delírio do robotismo continua
Prof. Raul da Franca Leal de Carvalho Guerreiro
Décadas de multiplicação da fabulosa tecnologia digital enquanto ferramenta Nº 1 para acelerar, transformar e refinar sobretudo processos industriais, comunicativos, utilitários e militares, fascinaram empresários e educadores de ocasião para o sonho do robotismo na educação. Tal como nas modernas e fantásticas fábricas, trata-se de diminuir ao mínimo a presença atuante do elemento humano, e substituí-lo por um engenho robótico. Semelhante conceito encontra hoje seguidores devotos e fanáticos cegos, que desconhecem por completo a dimensão psico-global do tema da educação. E quando alertados pelos modernos resultados das pesquisas sociológicas, pedagógicas, antropológicas (inclusive da neuro-cirurgia, onde já foi evidenciada a degradação cerebral pelo uso prematuro de meios eletrónicos na educação), simplesmente dão as costas. Espantamo-nos e horrorizamo-nos hoje com cadáveres de crianças que vão dar a praias mediterrânicas, ou crianças abatidas uma a uma com tiros na cabeça em escolas na Ásia, ou crianças a nascer deformadas pelo vírus zika transportado por um simples mosquito. Tudo isso são "horrores para já", são escândalos que sacodem a nossa consciência racionalidade e humanidade por que estão "imediatamente" evidentes e documentados. O vírus do robotismo na educação, esse delírio da miscigenação homem-máquina alimentado por cientifistas ignorantes do papel civilizacional e espiritual superior da educação na nossa era de mutações radicais, esse necessita de muitos anos para mostrar a sua face. O que estará então patente não serão corpos, mas sim almas deformadas e doentes, que alimentarão ainda mais um mundo em estado febril.
03-02-2016
 
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