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 | José Pacheco Mestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto, foi professor da Escola da Ponte. Foi também docente na Escola Superior de Educação do IPP e membro do Conselho Nacional de Educação. |
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| "É tudo teoria" |
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| José Pacheco| 2007-04-10 |
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| Não me surpreende que os professores reajam negativamente perante uma iniciativa como a da escola de "turno integral". Se não compreendem a utilidade e se lhes afigura difícil a viabilidade, "é tudo teoria". |
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"Nunca lamentei tanto a ausência de uma educação prática e sólida e nunca reconheci tanto a inutilidade das maravilhas teóricas com as quais nos iludimos nos tempos académicos." - À perplexidade de um Euclides da Cunha, perante as surpresas que o sertão lhe destinara, eu associei a interpelação daquela professora: "Ouvi o senhor, ontem, no congresso. Posso mandar-lhe um e-mail? Preciso que me dê a sua opinião sobre o "turno integral". Na minha escola não tem dado bons resultados. É tudo teoria!" "É tudo teoria" - dizia a professora. Poderia não ser correcta a afirmação, mas o que a sua prática lhe dizia contrariava a teoria: na sua escola, o "turno integral", tinha-se transformado numa dose dupla de tédio.
É pública a minha defesa da escola em tempo integral, mas não de um tempo integral de mesmice. Não defendo o turno integral por decreto, introduzido de qualquer modo. Os professores reivindicarão a escola em tempo integral, se compreenderem as suas vantagens e reconfigurarem as práticas. E isso apenas se consegue através da reflexão das práticas à luz das... teorias.
A propósito, recordo-me de um episódio ocorrido, quando eu tentava preparar futuros professores para a dura realidade das escolas. Tudo começou com a frase que caracterizava o início de cada um dos meus dias: "O que quereis saber?"
"Fale-nos de Bruner."
"Porque quereis que eu fale do Bruner?" - inquiri.
"Porque vamos ter uma prova noutra disciplina e vai sair o Bruner."
"E o que já sabeis de Bruner?" - quis saber.
"Nada!" - exclamou a turma, em coro.
"Deixai ver se eu entendo: a prova é já na próxima semana e vós ainda não lestes nada sobre o Bruner?"
"Para quê? Quando formos trabalhar numa escola, não vamos precisar disso! Isso é só teoria! Só queremos que você nos dê aula como faz o professor da outra cadeira."
"E como faz o vosso professor dessa cadeira?"
Responderam: "Traz uns papéis, projecta uns slides, umas transparências, e vai falando daquilo que o Bruner escreveu nos livros."
"E vós, que ides ser professores, não sabeis ler?
"Sabemos. É claro que sabemos ler!"
"Então ide até à biblioteca e lede o que quiserdes sobre o Bruner. Depois, trazei para aqui as dúvidas que a leitura vos tiver suscitado pois, para que haja diálogo, todos nós teremos de estar por dentro do assunto."
"Nós preferimos que você dê uma aula sobre o Bruner." - e já aprontavam papel e caneta, para apontamentos.
"Não, meus amigos! Não vou dar a aula sobre o Bruner! Sou professor, não sou papagaio!"
E por aí ficou a conversa.
Não me surpreende que os professores reajam negativamente perante uma iniciativa como a da escola de "turno integral". Se não compreendem a utilidade e se lhes afigura difícil a viabilidade, "é tudo teoria". Se não lhes forem dadas condições dignas para o exercício da profissão, assumem atitudes relutantes, que desvirtuam a "inovação". Se a formação que lhes foi servida não estimula uma profícua reflexão da prática, a teoria tem má reputação.
Mas os professores não podem prescindir da teoria. Quanto mais não seja para contestar... "teorias". |
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| COMENTÁRIOS DE UTILIZADORES |
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A teoria é o essencial
Se os "teóricos da educação" não incomodassem, o "Emílio" não teria sido queimado na praça pública, Rousseau exilado e esse livro não constaria ainda do Index em 1948!!! Graças a Deus, as patranhas do Crato nunca entrarão num Index.
Fredeico Moro
14.04.2007
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Luto
Ninguém no seu juízo perfeito é contra a escola a tempo inteiro. O que revolta é ver que a mesma resulta (noutros países e há dez anos na Madeira) e aqui é esta trapalhada! Por que é que têm de ser as autarquias a colocar os professores para as actividades extracurriculares e não podem ser os agrupamentos (completando os horários dos professores)? Assim já a componente não lectiva poderia ficar após a lectiva e não existiria esta baralhação.
Rita Tavares Vicente Faustino, Catelo Branco
11.04.2007
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teorias
A teoria é a nossa estrela. Guia-nos! Mas não quer dizer que não tenhamos a coragem de pensar e encontrar um caminho um pouco diferente. Estou farto destes teóricos! - diz-me constantemente um colega de profissão. Há um grande desfasamento entre a teoria e a prática - dizem outros. As teorias vão e vêm, eu quero é resultados - disse-me um presidente de um conselho executivo. Por vezes, as teorias servem de desculpa de mau pagador para aqueles que querem permanecer comodamente na profissão. Eu também já estou cheio de teoria......porque acho que ando a ler um pouco de mais. É altura de despejá-la na sala de aula!
Miguel Gameiro Silva
10.04.2007
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