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Armanda Zenhas Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQA do grupo 220 na Escola Básica de Leça da Palmeira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.
A escrita na família
Armanda Zenhas | 02-11-2011
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As práticas de leitura e de escrita na família, mesmo que de uma forma não intencional, influenciam muito o gosto pela sua aprendizagem e as possibilidades de sucesso das crianças.
A escola é um mundo em que a cultura escrita impera. Um bom domínio da leitura e da escrita é fundamental para o sucesso escolar. As práticas de leitura e de escrita na família, mesmo que de uma forma não intencional, influenciam muito o gosto pela sua aprendizagem e as possibilidades de sucesso das crianças.

Referi-me já, em vários artigos, a práticas de leitura e adiantei sugestões para as famílias promoverem o gosto por ela nas suas crianças ("Para que a leitura seja um prazer" e "Ideias para fazer da leitura um prazer"). O mesmo sucedeu com a escrita ("A família e o prazer da escrita I" e "A família e o prazer da escrita II"). Neste artigo, vou centrar-me sobre práticas familiares de escrita que podem influenciar positivamente a aprendizagem escolar, apoiando-me nas conclusões de estudos desenvolvidos por Bernard Lahire, sociólogo francês.


É habitual a utilização de escrita na família? Quem a usa? O pai, a mãe, um irmão mais velho, a avó? Para que fins? É uma tarefa feita com facilidade ou muito penosa? E é feita com prazer ou como um aborrecimento? Todos estes fatores influenciam a forma como as crianças crescem a considerar a escrita, vendo-a como útil e agradável ou não, desejando aprendê-la ou não. Lahire acrescenta que, além de constituírem um exemplo, muitas dessas práticas de escrita são também formas de organização doméstica com significativos efeitos indiretos positivos na vida das crianças.


O calendário e a agenda são apontados por Lahire como instrumentos de grande utilidade. Costumam ser utilizados na família para planificar as suas atividades? Se assim é,pode-se tomar em conta um determinado período de tempo (um ano, um mês, uma semana, um dia, etc.) e repartir as tarefas a desenvolver, de maneira que todas possam ser feitas. As tarefas mais urgentes tomam a dianteira, sendo as outras programadas para um tempo posterior, mas adequado ao seu cumprimento. O tempo a dedicar a cada uma é outro aspeto a ter em conta. Isto implica refletir sobre o tempo passado, presente e futuro e gerir as atividades de uma forma mais racional e menos espontânea e imediata. Exige também autocontrolo dos desejos, pois o critério de programação é a prioridade da tarefa e não a vontade pessoal de a realizar. As crianças aprendem e habituam-se, assim, a regular e a estruturar o tempo e ainda a respeitá-lo, controlando os seus impulsos.

Catalogar fotografias ou colecionar e organizar receitas de culinária são outras atividades úteis. Para além da prática da leitura e da escrita, promovem competências de organização e gosto por ela.
Lahire salienta ainda que a escrita obriga a uma organização do discurso mais precisa e ordenada, implicando reflexividade, rigor e cuidado. Por outro lado, a escrita possibilita uma relação especial com o tempo, na medida em que os registos escritos perduram e podem ser utilizados mais tarde.


Como conclusão, e retomando Lahire, as práticas de escrita familiar e de gestão doméstica implicam uma relação com a linguagem, o tempo e a ordem que é valorizada pela cultura escolar. Por conseguinte, além das vantagens da sua utilização para a vida familiar, estas práticas são também importantes na educação das crianças e facilitadoras do seu sucesso escolar.


Bibliografia:
Lahire, B. (2004). Sucesso escolar nos meios populares: As razões do improvável. S. Paulo: Ática.

 

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