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Armanda Zenhas Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQA do grupo 220 na Escola Básica de Leça da Palmeira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.
O novo Acordo Ortográfico
Armanda Zenhas | 19-10-2011
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Depois de muitos acordos e desacordos relativamente ao Acordo Ortográfico e ainda com a persistência de vários deles, o início do ano letivo trouxe consigo a sua aplicação no sistema educativo.
Já cheguei a ouvir protestos contra a adulteração da língua de Camões ou Fernando Pessoa. Mas a língua desses mestres da nossa literatura, o nosso português (tão nosso quanto dos brasileiros, moçambicanos e todos os povos de língua portuguesa), não se escrevia na sua época como se escreve hoje. Atentemos no seguinte exemplo, retirado de um poema de Fernando Pessoa, temporalmente bem mais próximo de nós, apesar de tudo, do que a obra de Camões:

A Grande Esphynge do Egypto sonha por este papel dentro...
Escrevo - e ella apparece-me atravez da minha mão transparente
E ao canto do papel erguem-se as pyramides...


Retirado do poema Chuva Obliqua de Fernando Pessoa (1914), publicado na Revista Orpheu 2 (p. 119 da 3ª reedição, Edições Ática, datada de 1984).

A língua sofre evolução ao longo dos tempos e, em Portugal, como noutros países, as normas oficiais que regem a ortografia foram/são alvo de revisões e de atualizações, quanto tal se torna necessário. O principal objetivo do presente Acordo Ortográfico é uniformizar a ortografia do português nos vários países de língua oficial portuguesa.

Com certeza, já se apercebeu de algumas das principais mudanças:

- Desaparecimento de consoantes mudas: Ex.: "ação" em vez de "acção"; "perentório" em vez de "peremptório", passando, neste caso, o "m" a "n".
- Reformulação das regras de utilização de hífen. Exemplos de palavras em que o hífen deixa de ser utilizado: "contraindicação" em vez de "contra-indicação"; "fim de semana" em vez de "fim-de-semana"; "hei de" em vez de "hei-de".
- Utilização de minúscula em vez de maiúscula. Ex.: nos nomes dos meses, nas estações do ano e nos pontos cardeais.
- Possibilidade de dupla grafia em diversas situações, para acautelar as diferenças de pronúncia dos vários países. Ex.: conservação ou supressão de consoante, conforme seja pronunciada ou não ("detectar" no Brasil, mas "detetar" nos restantes países); utilização de acento circunflexo ou de acento agudo ("Antônio" no Brasil, mas "António" em Portugal).

Não será muito fácil, nesta fase inicial, habituarmo-nos à mudança. Portanto, precisamos de estudar as regras e de utilizar os diversos recursos - hoje de mais fácil acesso, devido à Internet - que temos à disposição.

Deixo dois sites como sugestão:

- A Porto Editora possui uma página especial sobre o Acordo Ortográfico com diversas rubricas e recursos de grande utilidade: um conversor gratuito de textos ou de ficheiros on line, a História do Acordo e a legislação que o regulamenta, nomeadamente a que define as etapas da sua entrada em vigor; o texto completo do Acordo; uma coletânea das dúvidas mais frequentes e respetivas respostas; diversos vídeos explicativos das principais mudanças; sugestão de produtos e recursos úteis da Porto Editora.

- O EDUCARE.PT criou também uma página especial de recursos para professores, em que divulga videos, livros e resposta a dúvidas, com a colaboração do site da Porto Editora referido anteriormente.

Se costuma ajudar os seus filhos no estudo em casa, estes recursos podem ser um bom auxiliar. Utilize-os e dê-lhos a conhecer, para que os consigam usar de forma autónoma. Contudo, é preciso ter em conta que o conversor é um bom auxiliar, mas não substitui o conhecimento das novas regras, que é preciso estudar e aplicar.

Legislação consultada:
Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, de 25 de janeiro
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