| A Liberdade Responsável como um Valor Maior para Crianças e Jovens |
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| Maria da Conceição Lopes| 2010-07-19 |
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| Uma escola sem sino nem horários rígidos, rodeada de árvores, canteiros floridos, areia para sentar no chão, muros que davam para cumprimentar quem passava e ver à distância quem vinha buscar à saída... |
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Sou adepta do método Waldorf, sim, mas, infelizmente, está muito pouco divulgado em Portugal; contudo, e graças a uma directora de escola livre e empreendedora, participei num projecto semelhante, na região de Sintra, no final dos anos 90, regressada eu de ambiências franco-germânicas... Uma escola sem sino nem horários rígidos, rodeada de árvores, canteiros floridos, areia para sentar no chão, muros que davam para cumprimentar quem passava e ver à distância quem vinha buscar à saída... Com uma horta pedagógica (e compósito orgânico com a colaboração de todos: os alunos levavam para a escola e entregavam à D. Olinda, a única funcionária da escola, as cascas e detritos orgânicos do jantar da véspera, ou do fim-de-semana), com entrada livre de pais e familiares e educadores, festas de aniversário amplamente celebradas, i.e. sem pressas, etc.
Ficou para a história a festa de 6.º aniversário do meu Gil: bué de balões coloridos; os tios da Austrália em visita e umas mesas compridas no recreio, com toalhas de papel de desenhos entusiasmantes e cheias com tudo o que os putos mais gostam. Muita alegria no pátio em um dia soalheiro, com pais e familaires e professoras e a auxiliar, em pleno mês de Janeiro! Somos 9 irmãos e tenho 9 sobrinhos. Uma vintena de primos variados... Fora os outros sobrinhos e filhotes que fui adoptando pelo caminho...
Depois da festa, o que sobejou foi distribuído pelos alunos-amigos mais carenciados, sem dar nas vistas nem ferir sensibilidades.
A directora era e é uma mulher extraordinária, que jurou a si mesma não deixar aquela escola sem antes ter obtido autorização para torná-la numa Escola Integrada + Creche, com que sempre sonhara. Trabalhava no Centro Helen Keller, paralelamente. Psicóloga, era de uma grande ajuda no convívio entre os pais + outros familiares + alunos + restantes membros da população...
Tenho recordações de um passeio ao Portugal dos Pequenitos, em Coimbra (arrabaldes), em finais de Junho, acompanhando os meus sobrinhos mais novos, nessa época - dois calmeirões actualmente -, de ter ficado a tomar conta de 15 miúdos, sozinha ("Confio em si, porque sei que também é professora, gosta de crianças e tem cá os seus sobrinhos"), junto ao comboio lúdico-pedagógico próximo do parque das merendas, e de como todos se sentiam felizes e livres e participantes... Pensava eu: que bom os meus sobrinhos poderem viver esta experiência em Portugal, e comigo presente!
(Mais tarde, a minha Sara já não gozou do mesmo ambiente, a partir do 2.º ano 1.º ciclo do Ensino Básico, porque a directora se aposentou e veio um professor de longe e passou a haver um portão de controlo electrónico à distância, toque de sino, campainha obrigatória para os pais, horários rígidos e... "Nada de festas de aniversário nem parentes à hora de entrada-almoço-e-saída, que isto aqui é uma escola, não estão em vossa casa!"... E a minha Sara mudou de escola...)
Quantas vezes fiquei naquela escola (era a tia de todos) a tomar conta das crianças, minhas e de cujos pais trabalhavam longe e não podiam deslocar-se a casa à hora do almoço!... Várias vezes levei taças cheias de mousse de chocolate - que os meus sobrinhos me ajudavam a preparar desde os 3 anos de idade - para partilhar com os outros... Cheguei a levá-los, em dias de Novembro em que eles se agitavam mais e eu sabia de despedida do Sol radioso, para a entrada do pinhal e para junto de uma nascente/fonte onde-se-bebia-por-uma-gamela-de-alumínio-pendurada-há-montes-de-tempo-ao-lado-do-jorro-d´água-fresquinha-e-ninguém-apanhava-doenças...
(Mais tarde foi proibido o uso da gamela, retirada a dita, e lá se foi a nossa histórica agora-eu-depois-tu-ele-ela!...)
Enfim: se "Ser poeta é ser mais alto", poder aliar a Poesia à Educação/Pedagogia é o ideal, num mundo cada vez menos humanizado.
Conte-nos também a sua história. Envie-a para assistente@educare.pt
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