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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010
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Nutrição
Paula Veloso Nutricionista e autora de Dietas sem DietaDieta sem Castigo.
Pais informados e determinados, precisam-se!
Paula Veloso| 2010-05-26
E não se culpem sempre os mesmos, o Estado, as escolas, a publicidade, etc, porque não são estes que fazem as compras de casa...cada um tem a sua quota-parte de responsabilidade mas quanto ao que está no frigorífico e despensa lá de casa, não há dúvidas.
Todos os dias recebo notícias sobre obesidade infantil e do adulto. Algumas banais pela repetição constante, outras insólitas e que me provocam estupefacção, outras incompreensíveis, pelo menos para mim. E entre estas está a que passo a transcrever:
"Publicidade a ?comida de plástico' promove obesidade infantil
A obesidade infantil é um problema que causa grandes preocupações no seio das famílias. Mas o que fazer com a quantidade de anúncios que incitam os mais novos a consumir?
Perante a questão "Estou preocupada com a quantidade de anúncios publicitários a bolos, pastilhas e refrigerantes! Tento não comprar estes produtos para o meu filho, mas como ainda é "pequeno" não compreende. Nenhuma instituição pensa tomar medidas quanto a esta situação? A DECO informa que várias instituições estão a ponderar tomar medidas visando o combate desta doença, já considerada um dos maiores flagelos sociais dos tempos modernos.
A União Europeia está, neste momento, a equacionar a proibição de publicidade a determinados produtos alimentares, especialmente dedicados aos públicos mais jovens e emitidos nos programas que lhes são dedicados, por exemplo, séries juvenis."

por Observatório do Algarve

Também eu me repito todos os dias quando me aparecem crianças obesas ou com excesso de peso nas consultas. Embora a publicidade possa ter alguma influência nas crianças, facto que me parece indesmentível, embora as escolas possam ser, ou ter sido até à data, tudo menos um exemplo de boas práticas no que respeita à alimentação, parece-me questionável a influência que as crianças de hoje têm sobre os pais... É fácil delegar responsabilidades em todos e "sacudir a água do capote". Mas quem são afinal os primeiros educadores? Não serão os pais? A publicidade não versa também outros consumíveis muitas vezes impossíveis de adquirir por constrangimentos financeiros? Quantos jogos, brinquedos, telemóveis, etc., etc., são dirigidos a crianças? Será necessário também banir esse tipo de publicidade?

Pergunto: as crianças muito pequenas entendem se lhes explicarmos porque não devem meter os dedos numa tomada eléctrica, porque não pode ingerir lixívia ou um qualquer medicamento, debruçar-se numa janela ou atravessar uma rua cheia de trânsito? Como reagimos nestas situações? Claro, não deixamos, porque sabemos quais são as consequências! E no que respeita à obesidade infantil, com tanta informação repetida e disponível, não sabemos já sobejamente quais as suas consequências para a saúde?

É evidente que tem que haver regulamentação, sobretudo no que respeita ao exagerado tempo de publicidade dirigido a crianças (e adultos...). Mas não só! Também deve haver regulamentação quanto às quantidades de açúcar, gorduras e sal utilizadas nos alimentos para crianças (e adultos...). Mas tem que haver sobretudo a implementação de sistemas que dotem as crianças de sentido crítico e de conhecimento que lhes permita ver a publicidade, não como mais um programa de entretenimento, mas como um meio de ganhar dinheiro. Seja com alimentos, brinquedos ou automóveis. Por isso está já em funcionamento também em Portugal o Media Smart, programa de literacia da publicidade para crianças (www.mediasmart.com.pt). Quanto às mais pequeninas, também não adianta dizer que isto ou aquilo fazem mal à saúde. Saúde? O que é isso? Quando mais tarde perceberem o que isso é, poderá ser pela falta dela. Cabe aos adultos saberem dizer NÃO! Como em todas as outras situações que referi, em que se não forem os pais a intervir, as consequências podem ser muito graves. E não se culpem sempre os mesmos, o Estado, as escolas, a publicidade, etc. porque não são estes que fazem as compras de casa... Cada um tem a sua quota-parte de responsabilidade mas quanto ao que está no frigorífico e despensa lá de casa, não há dúvidas.

Cabe-nos a nós, pais e educadores, comprovar-lhes que a felicidade e o bem-estar não passam por estar sempre a comer tudo aquilo que se vende e nos impingem. E isso obriga a dar-lhes maior atenção e afecto, a brincar com eles, a proporcionar-lhes programas lúdicos e culturais e o contacto com a natureza (praia ou campo). Dirão que a vida não o permite, porque é um corre-corre diário... Mas se não encontrarmos escapes para a mesma, acaba por não fazer sentido. Mais ainda quando as consequências são a falta de saúde e uma vida sem qualidade.

Há uma coisa de que nos devemos sempre lembrar: o dinheiro não compra saúde. E em relação à felicidade, eu diria que ajuda, mas se as emoções e os afectos não forem bem geridos, de nada serve!


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