| O que é natural nem sempre é bom |
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| Paula Veloso| 2010-03-17 |
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| Apesar de se poderem comprar sem receita médica, não confie em todos os produtos ditos naturais, sobretudo se tem alguma patologia ou se está a fazer algum tipo de medicação prescrita pelo médico. |
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É convicção da maioria das pessoas que os produtos rotulados como naturais apenas trazem benefícios, não tendo quaisquer efeitos adversos para o organismo. Embora a maioria deles esteja ainda pouco estudada, há já muitas certezas quanto ao inconveniente do uso de alguns, sobretudo quando tomados em simultâneo com outros medicamentos convencionais. Por isso, embora ache que o chazinho ou o medicamento que comprou na farmácia ou na ervanária é absolutamente inofensivo, deve informar o seu médico sempre que vai iniciar algum tratamento com um produto alegadamente "natural" ou sempre que o médico lhe receita um medicamento e já estava a tomar algum desses produtos.
Costumo dar dois exemplos de produtos naturais que têm efeitos adversos e que se colhem como qualquer outro produto da terra: alguns tipos de cogumelos, muitas vezes confundidos com os inofensivos e que já têm provocado a morte de algumas pessoas; e a cannabis ou marijuana, planta que constitui uma droga ilegal. Há drogas legais e ilegais, mas mesmo as legais e as de venda livre são muitas vezes prejudiciais ao organismo, e disso o exemplo mais comum são as bebidas alcoólicas.
Apesar de ser obrigatório vender medicamentos à base de sibutramina sob receita médica e de ser obrigatória uma vigilância médica durante o tratamento, em muitas farmácias estes venderam-se de forma muito fácil e acessível, alegadamente para emagrecer à custa de uma supressão do apetite. Esta substância foi retirada do mercado, depois de se concluir que poderia ter efeitos secundários graves sobretudo em doentes cardíacos! Até aí milhares de pessoas foram sendo "cobaias" da mesma... O uso de sibutramina pode ocasionar efeitos colaterais graves, que incluem problemas de visão e aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Além disso, por interferir com os níveis de serotonina, não deve ser tomada em simultâneo com antidepressivos.
Remédios naturais são medicamentos! Por isso, os produtos naturais devem ser tomados com as precauções de qualquer outro medicamento. As designações "derivado de plantas" ou "produto natural" não significam necessariamente que sejam inócuos - lembremo-nos que grande parte dos medicamentos foram desenvolvidos a partir dos componentes poderosos das plantas. Qualquer medicamento, digamos, qualquer substância com indicação terapêutica, tem potenciais efeitos secundários e adversos. Poderíamos generalizar dizendo que, se faz bem a alguma coisa, certamente fará mal a outra...
Interacção com medicamentos convencionais (fonte: FDA, U.S.A)
- Erva de S. João (Hypericum perforatum): pode reduzir a concentração de alguns medicamentos no sangue como drogas para baixar o colesterol ou para a disfunção eréctil (como Viagra) e antidepressivos.
- Vitamin E: tomar vitamina E com medicação para fluidificar o sangue pode aumentar a actividade anticoagulante e assim aumentar o risco de hemorragias.
- Ginseng: esta erva pode interferir também com os efeitos dos medicamentos anticoagulantes. Além disso, pode aumentar os efeitos hemorrágicos da aspirina e drogas anti-inflamatórias como ibuprofeno. Combinado com certas drogas antidepressivas pode causar dores de cabeça, insónia, nervosismo e hiperactividade.
- Ginkgo Biloba: em grandes doses, pode diminuir a eficácia de medicamentos antiepilépticos.
Mas estes são apenas alguns exemplos...
Grupos de maior risco (não devem tomar este tipo de medicação):
- Grávidas ou mulheres que estão a amamentar;
- Crianças;
- Idosos;
- Qualquer pessoa com historial ou queixas de foro hepático ou renal.
Conclusão: apesar de se poderem comprar sem receita médica, não confie em todos os produtos ditos naturais, sobretudo se tem alguma patologia ou se está a fazer algum tipo de medicação prescrita pelo médico. Porque nem tudo o que é natural é bom...
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