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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010
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Educação
Armanda Zenhas Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQND do 3.º grupo da Escola EB 2,3 de Leça da Palmeira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.
Uma história real de indisciplina (Parte 1: A descrição)
Armanda Zenhas| 2010-06-02
Imaginem uma turma de 5.º ou 6.º ano, com 25 alunos turbulentos e conversadores. Entre eles, dois com hiperactividade e dois com défices cognitivos (excluídos de apoios específicos à luz do Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de Janeiro) e ainda vários alunos com problemas emocionais mais ou menos graves, devidos a contextos familiares problemáticos. Há também um aluno, vindo de outra escola, com um sério historial de agressividade.
Nesta turma (valha-nos isso!) todos os alunos são amigos e integram bem os que têm os problemas mencionados. Há, contudo, o reverso da medalha: as aulas são óptimas oportunidades de convívio e de conversa, que os "chatos" dos professores insistem em interromper com a matéria e as actividades a ela ligadas. Dois alunos disputam entre si o papel de "palhaço" principal e fazem comentários em voz alta para provocarem o riso da turma, levantam-se sem autorização, muitas vezes terminam fora da sala de aula. À sua volta, gravita um pequeno grupo que estimula o show e incentiva as palhaçadas, participando nelas, por vezes. Os restantes não incentivam, mas riem-se. E é difícil agir sobre uma turma que, colectivamente, além de conversar para o lado (comportamento que não acha grave, mas não lhe permite trabalhar com atenção e proveito), ainda se diverte.

Qual o professor que não teve já uma/muitas turma/s destas ou pior? Como resolver tal situação? Não é fácil e não há receitas. No entanto, há condições a obedecer:
- definir regras claras e consequências a aplicar quando elas são desrespeitadas;
- identificar bem os problemas, os tipos de comportamento e os alunos que os executam, os que os estimulam e os que se controlam;
- envolver todos os parceiros interessados: alunos, professores, família (e outros, eventualmente, como a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, médicos ou psicólogos acompanhantes dos alunos, Serviço de Psicologia e Orientação da escola).

Turmas como esta têm sido recorrentes ao longo da minha vida profissional. Não caberia neste espaço o relato das estratégias utilizadas com elas e de outras tantas possíveis de utilizar.

Passarei a correr pela tal definição de regras por alunos e professores e das consequências do desrespeito pelas mesmas; pelo contacto frequente com os encarregados de educação e seu envolvimento no acompanhamento dos seus educandos; pelos contratos de comportamento estabelecidos entre aluno, professores e EE; pelos registos de comportamento aula a aula, por vezes associados a esses contratos; pelo estabelecimento de pares de entreajuda, em que um aluno responsável e bem comportado ajuda outro a resolver os seus problemas (de comportamento, de dificuldade de concentração, de execução das tarefas).

Para o próximo artigo deixarei a descrição mais pormenorizada de uma outra estratégia, que surtiu efeitos muito positivos na modificação dos comportamentos disruptivos e na entreajuda e coesão da turma para atingir esses objectivos.


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