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 | Armanda Zenhas Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQA do grupo 220 na Escola EB 2,3 de Leça da Palmeira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos. |
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| E quando a ansiedade ?passa das marcas?? |
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| Armanda Zenhas| 2009-12-16 |
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| A ansiedade é importante, quando se encontra na dose certa. Dá energia e forças para vencer os desafios e lutar contra as dificuldades. Quando é exagerada, torna-se paralisadora. |
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E quando o desconforto e o sofrimento dificultam a entrada numa nova situação, que poderia até parecer um promissor desafio? E quando a incompreensão das pessoas aumenta a vergonha, a dificuldade de enfrentar e a vontade de fugir? E quando isto se passa com crianças? Primeiro dia de entrada na escola, primeiro dia do 2.º ciclo, primeiro dia do ensino secundário, primeiro dia de entrada na universidade. Estas são algumas datas marcantes na vida de um estudante. São momentos de felicidade, mas também de alguma angústia. Angústia que acompanha igualmente, muitas vezes, os testes e, principalmente, os exames.
A ansiedade é importante, quando se encontra na dose certa. Dá energia e forças para vencer os desafios e lutar contra as dificuldades. Quando é exagerada, torna-se paralisadora. O medo tolhe a acção ou esta torna-se muito penosa, muito sofrida.
Muitos se lembrarão de Fernando Mamede, um excelente atleta que, com a sua velocidade, chegou aos Jogos Olímpicos. O peso da responsabilidade de competições tão importantes, contudo, gerava nele uma ansiedade excessiva, produzindo pensamentos e emoções que o impediam de conseguir concretizar o que lhe era fácil quando livre dessa terrível ansiedade. Muitos portugueses não compreenderam o sofrimento deste atleta, que viu o seu esforço para atingir um sonho desfeito de forma inglória e dirigiram-lhe inúmeras acusações. São também muitos os familiares e os professores que não compreendem o sofrimento implicado pela ansiedade excessiva das crianças/jovens estudantes. "Isso é mimo", "Dois estalos e passava tudo", frases proferidas explicitamente ou nas entrelinhas do discurso, provocam-me revolta e levaram-me a escrever este artigo.
À entrada das escolas, nos seus bancos, em casa antes da ida ou depois da chegada, muitas crianças sofrem dessa ansiedade face à escola. Pode ter a ver com a adaptação. Pode ter a ver com a realização de testes/trabalhos de avaliação/exames. Pode ter a ver com o convívio com os colegas. Pode ter a ver com o relacionamento com determinado professor. Enfim, as causas podem ser muitas. Se algumas das crianças contam aos pais ou a um professor o que se passa, outras sofrem em silêncio. Com frequência são crianças bem-comportadas, muitas vezes até com muito bom rendimento escolar. Perante os silêncios, o problema tem que ser descoberto pela leitura dos sinais, em casa e/ou na escola: crianças que ficam sozinhas nos recreios ou procuram retardar a saída da sala de aula; crianças que têm dores de barriga ou de cabeça na véspera das aulas; crianças que, aparentemente sem razão, perdem o apetite ou mostram uma tristeza que não é habitual; crianças que choram sem apontarem motivo; crianças que se recusam a ir para a escola.
Descoberto o problema, é necessário iniciar uma intervenção que envolva o aluno, a família e a escola. Frequentemente, o início exige o combate a ideias como: "Alguma coisa fizeram ao meu menino na escola.", "Isto é tudo mimo e passa com umas boas palmadas.", "Os pais estragam as crianças com mimo.", "O meu papel é ensinar, não é aturar estas "maluquices".", "Parece mesmo um ?betinho'.", correspondentes a pais, professores ou pares da criança. A colaboração do Serviço de Psicologia e Orientação pode ser de crucial importância, sendo um obstáculo de monta a sua inexistência em muitas escolas e a insuficiência de técnicos noutras em que o Serviço existe. Descobrir as causas dos medos (nem sempre conscientes para quem os sofre) é importante para estabelecer um plano de "ataque" gradual, com etapas que, envolvendo um certo grau de dificuldade para a criança, não sejam, no entanto, tão inexequíveis que a impeçam até de tentar. Alcançadas as primeiras vitórias, redefinem-se os objectivos, estabelecendo-se uma nova etapa. Este processo pode sofrer avanços e recuos e os adultos nunca devem colocar pressão. Devem antes servir de apoio, de conforto, de estímulo, de promotores de confiança. Os ganhos são festejados. Os retrocessos são devidamente enquadrados e desvalorizados.
A ajuda a estas crianças requer persistência e uma grande compreensão. A batalha começa, como já referi, na luta contra os preconceitos e na aceitação de que a escola e os pais têm que dar as mãos na ajuda aos alunos. A escola joga um papel muito importante junto dos colegas destas crianças, criando estratégias de socialização que impeçam que elas sejam ostracizadas e que promovam a sua integração. Não deve ser posto de parte, quando os problemas persistem, o recurso a técnicos de saúde especializados (psicólogos, pedopsiquiatras).
Quantas vezes não se consideram alunos com problemas apenas aqueles que têm mau comportamento ou mau aproveitamento, sendo ignorados os olhares tristes de alunos que se comportam de acordo com o esperado pelo sistema. Quantas vezes o mau aproveitamento ou o mau comportamento não podem advir de problemas de ansiedade. Ajudar as crianças a lidarem com situações novas ou desconfortáveis estando a seu lado e ajudando-as a procurar e utilizar estratégias adequadas é contribuir para a sua felicidade presente e para a formação de adultos equilibrados e felizes. |
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