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Pediatria
Serviço de Pediatria do Hospital de Braga Este espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
Púrpura de Henoch-Schönlein
Serviço de Pediatria do Hospital de Braga| 2009-11-04
Apesar do nome pouco comum e das manifestações clínicas por vezes exuberantes, esta é uma doença habitualmente benigna, com resolução natural, a curto prazo, e sem deixar sequelas.
A púrpura de Henoch-Schönlein (PHS), apesar de ter, realmente, um nome algo pomposo, é uma doença que não deve ser motivo de exagerada preocupação.

Cerca de 90% dos casos ocorrem em idade pediátrica (até aos 18 anos). É uma vasculite, isto é, uma patologia em que há inflamação dos vasos sanguíneos em diferentes partes do organismo. Não se sabe a sua causa mas supõe-se que poderá estar relacionada com a produção, de forma transitória, por parte do nosso sistema imune (as nossas defesas) de anticorpos contra os vasos sanguíneos.

A síndrome foi baptizada após as descrições, por Schönlein, da entidade clínica caracterizada por púrpura (manchas na pele de cor púrpura) e dor articular, e por Henoch, da frequente associação entre estes e sintomas gastrointestinais e envolvimento renal.

A patologia é caracterizada por manifestações ao nível da pele, das articulações, do abdómen e dos rins.

A pele é sempre atingida. Inicialmente aparecem umas "pintas vermelhas", chamadas petéquias (que não desaparecem quando as pressionamos com o dedo), tipicamente ao nível dos membros inferiores e de forma simétrica entre os dois membros. Estas vão-se juntando e formam conglomerados de cor vinosa, com relevo à palpação - púrpura.

Na grande maioria dos casos há também envolvimento das articulações, com dor e, menos frequentemente, inflamação. As articulações mais afectadas são as dos membros inferiores, nomeadamente anca, joelho e tornozelo.

O atingimento abdominal é também comum, com dor abdominal e mais raramente com emissão de fezes com sangue.

Os rins são afectados num número menor de doentes. Neste caso, as manifestações são mais difíceis de detectar, podendo ocorrer elevação da tensão arterial ou alterações na urina como, por exemplo, aumento da excreção de proteínas. O envolvimento dos rins é o mais raro e é também o que causa mais preocupação a longo prazo.

É uma doença autolimitada, isto é, que se resolve por si num período de tempo que, regra geral, não ultrapassa um mês. Os tratamentos são dirigidos à resolução dos sintomas, por exemplo, paracetamol no controlo da dor abdominal e articular.

Apesar de ser considerada relativamente rara, pensa-se que deverão ocorrer muitos casos não diagnosticados por se confundir com outras patologias. Pode confundir-se com doenças igualmente benignas e autolimitadas mas também com outras doenças, bastante mais raras e mais graves. Os pais devem estar atentos aos sinais de gravidade como febre alta e prostração. É sempre importante que as crianças com as referidas petéquias sejam observadas por um médico, com maior ou menor urgência em função do estado geral da criança e da presença ou não de febre. O diagnóstico de PHS será estabelecido por um médico, que delineará o plano de seguimento, habitualmente vigilância das tensões arteriais e da urina (para excluir atingimento significativo do rim).

Em suma, apesar do nome pouco comum e das manifestações clínicas por vezes exuberantes, a PHS é uma doença habitualmente benigna, com resolução a curto prazo, de forma natural e sem deixar sequelas. Causa por vezes grande apreensão e confusão, mas os pais deverão ter em mente que o prognóstico é, na grande maioria dos casos, excelente e que com alguma paciência, repouso e medicação para alívio dos sintomas tudo se resolverá.

Miguel Costa, com a colaboração de Helena Silva e Matos Marques, pediatras do Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos, Braga
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