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Psicologia
Adriana Campos Licenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de Consulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia Escolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia, entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Actualmente, é psicóloga na escola E B 2/3 de Leça da Palmeira, para além de dinamizar acções de formação em diversas áreas.
Estará a ser alvo de bullying?
Adriana Campos| 2009-04-15
O local da escola onde o bullying é mais frequente é o recreio, sendo a sua fraca supervisão uma das razões principais para que tal aconteça.
"Quando li o artigo "Vítima de bullying" tive de repente a impressão de que o meu filho mais novo pode estar a ser vítima de bullying! É uma criança que tem uma atitude de revolta em relação à escola, que desafia constantemente os professores e que se queixa dos colegas gozarem com ele. Revolta-se com os colegas e recusa-se a fazer o que os professores mandam, pois diz que tem vergonha de responder. Podem dar-me alguma orientação? Presentemente encontra-se a ser seguido por uma pedopsiquiatra, que diz não haver razão psíquica para estas reacções. Se pudessem responder a esta minha pergunta, ficaria agradecida."

Responder sim ou não à questão aqui colocada não é possível, porque os dados fornecidos são tão reduzidos que não permitem sequer arriscar hipóteses. De qualquer forma há alguns aspectos que poderão ajudar a clarificar se esta criança estará ou não a ser alvo de um processo de bullying.

Antes de mais, é necessário definir bem o conceito bullying. Segundo alguns peritos, o bullying pode ser definido como uma acção em que um ou mais indivíduos agridem física, verbal ou emocionalmente outro. Não se trata de uma zanga entre amigos, nem de uma cena de ciúmes, mas de um padrão repetido de intimidação física e psicológica, cuja intenção é provocar mal-estar, ganhar controlo sobre o outro e demonstrar poder.

Um outro aspecto que é importante ter presente, para tentar responder à questão lançada, é o perfil típico da vítima. Segundo alguns estudos, as vítimas são geralmente crianças que apresentam características físicas específicas (usar óculos, excesso de peso), maneirismos ou outras particularidades que as distinguem da maioria. As crianças portadoras de deficiência, de uma doença crónica ou cujos pais são demasiado protectores ou dominadores são frequentemente vítimas de agressão por parte dos seus colegas. Os bons alunos podem também ser alvos preferenciais, pois as boas notas são muitas vezes percepcionadas pelos agressores como resultado da "graxa" dada aos professores.

Os sinais de alerta são muito importantes e devem também ser tidos em consideração nesta análise. Segundo Allan Bean, especialista nesta área, uma mudança repentina na assiduidade e no desempenho escolar, a perda de apetite, sintomas físicos como dores de cabeça e de barriga, pesadelos, quebra de auto-estima e súbitas mudanças de humor são alguns dos principais sinais de alerta para os quais pais e professores deverão estar particularmente atentos. Se esta análise vem aumentar as suspeitas parentais, então é fundamental haver uma actuação por parte desta família, uma vez que esta tem também um papel determinante no combate à violência escolar. Sempre que a ligação entre a família e a escola é reforçada, estão a ser dados passos importantes no combate ao bullying, dado que o trabalho conjunto de pais e professores é determinante para identificar e retirar o papel de vítimas a alunos que, por qualquer motivo, o assumiram.

O local da escola onde o bullying é mais frequente é o recreio, sendo a sua fraca supervisão uma das razões principais para que tal aconteça. Por este motivo, numa circunstância como aqui é descrita, a existência de um auxiliar que assuma uma atitude de observação mais atenta poderá ajudar a determinar se esta criança está realmente a ser alvo de violência por parte dos colegas. Obviamente que este tipo de medida só pode ser implementado em resultado de uma articulação próxima entre pais e professores.

Ser vítima de bullying é sem dúvida fonte de grande perturbação emocional. Por isso, se esta reflexão veio reforçar mais aquilo de que já suspeitava, há que pedir urgentemente a colaboração dos elementos da comunidade educativa, no sentido de pôr fim a uma eventual situação de violência, se tal for o caso. Se não for, outras estratégias terão de ser encontradas, no sentido de esta criança percepcionar a escola como um local onde é bom estar.
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COMENTÁRIOS DE UTILIZADORES
Bullying
Este ano, na escola onde estou, tenho um aluno vítima de bullying há pelo menos 3 anos. Vou envidar todo o esforço no sentido de lhe dar apoio, como seja ele não andar sozinho, consciencializar os colegas para o acompanharem no recreio, o segurança da escola vai ser ainda mais atento a esta situação específica. É uma situação complicada e muitas vezes, por mais injusto que seja, parece que as nossas acções na escola são limitadas por muitos factores... neste caso, o agressor devia ser expulso, mudar de escola e não o agredido pois não agiu de forma errada. O que lamento é o comentário depreciativo do porfessor contra os próprios colegas, enaltecendo-se , parecendo que não tem nada para fazer e podendo passar os intervalos no recreio... parabéns! deve ser um ser humano extraordinário! Pela minha parte, passo os meus intervalos a trabalhar, tal como os outros, sem tempo por vezes para tomar o pequeno-almoço ou ir à casa de banho... parece ridículo... mas é assim.
Regina Maria Ramos, Trafaria
04.10.2009
Srº
Antes de mais, os meus parabéns ao Srº M.G.Silva, pois deverá ser um raro atento a este problema. Digo raro pois como pai de uma aluna em que esteve até há bem pouco tempo a passar por uma situação de bullying e depois de ter dado mil e uma volta e de ter tentado falar com várias pessoas, desde professores, pais e auxiliares, a única hipótese de ajuda que tive foi ter que transferir a minha filha de escola agora no 3º periodo! Qual apoio psicológico, qual atenção de auxiliares,.... tudo deveria de haver, mas não para o caso! Infelizmente, ainda estamos a viver numa sociedade que se tenta "abster" de situações que incomodam! O mais engraçado da situação, é que desde cartas enviadas á direcção da escola, ao presidente do agrupamento e até á Min. da Educação,... parecem ter todas caido em saco sem fundo!... Pois até hoje ainda não tive nenhuma resposta! Por isto, o meu bem haja a pessoas como o Srº M.G.Silva!... E para os pais em situações parecidas, não hesitem em transferir!
Nuno Elvas, Muge
16.04.2009
professores-bullying
O que me entristece é ver que os professores - e eu sou professor - continuam desatentos a esse fenómeno. Eu estou, há vários anos, diariamente presente no recreio da minha escola, quer seja para evitar situações de bullying, quer seja para animar o próprio espaço (e assim também evitar tal flagelo), ao contrário de muitos colegas que preferem permanecer na sala de professores, a beber o seu café e a dizer mal dos outros colegas de profissão (histórias de escárnio e maldizer, como costumo dizer). Mas como este tipo de atitude não "entra" na avaliação, Deus proteja estas crianças vitimas de filhos cujos pais não os souberam educar convenientemente. Os auxiliares não têm formação para saber lidar com estes comportamentos. Os professores até têm - e se não a têm basta ler uns livros sobre a temática (tal como eu fiz) - mas são demasiado comodistas. Conheço vários casos de bulliyng, e apercebi-me de que quanto dificil é para uma mãe ou pai conseguir a ajuda dentro da escola. Triste pais...
Miguel Gameiro  Silva, Ponta delgada
16.04.2009
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