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Psicologia
Adriana Campos Licenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de Consulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia Escolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia, entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Actualmente, é psicóloga na escola E B 2/3 de Leça da Palmeira, para além de dinamizar acções de formação em diversas áreas.
Onicofagia - o hábito de roer as unhas
Adriana Campos| 2008-08-20
A complicar ainda mais, roer as unhas trata-se de um acto compulsivo que surge de forma repetitiva e irracional, ou seja, quando se rói as unhas às vezes só se tem consciência de que tal está a acontecer ao fim de algum tempo.
"A minha filha tem 13 anos e passa a vida a roer as unhas e as peles em volta. Já utilizei o verniz, mas este já não lhe faz qualquer efeito pois ela já não se preocupa com o sabor - acho que até gosta!
Há algo que eu possa fazer? Quando está perto de mim, e se eu olho para ela, tira logo a mão da boca, mas passados poucos minutos volta outra vez ao mesmo...
"
Madalena Silva

Que grande embrulhada esta! Vou agora dar um parecer sobre aquilo que nunca consegui deixar de fazer: roer as unhas! Também eu, quando era criança e adolescente, fui alvo das investidas da minha família, no sentido de me demover de meter as mãos na boca. Agora que vários anos se passaram, posso afirmar que gastaram inutilmente o seu tempo, pois o hábito de roer unhas mantém-se.

Se também rói as unhas e já é crescidinho como eu, então porque não acaba de vez com este hábito, que na verdade é tudo menos higiénico?

A mudança faz-se, ou pelo menos tenta fazer-se, quando algo é percepcionado como um problema. Roer as unhas nunca foi para mim um verdadeiro problema. Por isso, a pressão externa nunca teve o efeito desejado. Enquanto não houver motivação por parte desta adolescente em deixar as unhas crescer, o mais provável é que roer seja mesmo inevitável. A mãe funciona aqui como "polícia", que só consegue fazer cumprir quando está presente. Se vira costas, como não há, provavelmente, motivação nem autocontrolo por parte da filha, lá vão novamente as unhas para onde não deveriam. A complicar ainda mais, roer as unhas trata-se de um acto compulsivo que surge de forma repetitiva e irracional, ou seja, quando se rói as unhas às vezes só se tem consciência de que tal está a acontecer ao fim de algum tempo. Ainda que previamente a pessoa tenha decidido que vai mesmo deixar de as roer, de repente dá consigo a fazê-lo, sem ter tomado consciência disso.

Roer as unhas é considerado normal no período entre os 4 e os 18 anos, devido ao facto de este hábito ter uma elevada prevalência nesta faixa etária. Está estimado que 28% a 33% das crianças entre os 7 e 10 anos e 45% dos adolescentes sejam roedores de unhas. Atendendo à idade da jovem em questão, tudo parece encontrar-se dentro da normalidade. O mesmo não se poderá dizer da minha pessoa, uma vez que há já muito tempo ultrapassei esta faixa etária.

À ansiedade e ao stress é atribuída a principal responsabilidade por este hábito. Por isso, a sua eliminação efectiva passaria por uma intervenção no sentido de tratar as causas da ansiedade. A minha experiência diz-me que há outras pequenas estratégias que, embora não resolvam definitivamente o problema, o minimizam. Manter as unhas arranjadas ou seja, polidas e pintadas, evita, pelo menos durante algum tempo, que se caia em tentação. Com os elementos do sexo feminino, esta estratégia quase sempre dá alguns frutos. Os elementos do sexo masculino, como provavelmente não recorrerão à manicure, deverão manter as unhas bem cortadas, evitando que pontas mal aparadas sirvam de tentação.

Um outro aspecto que me parece muito importante para um eventual tratamento bem sucedido é motivar o "roedor" a auto-observar o comportamento indesejado, de forma a perceber quando e onde é que este ocorre. A tomada de consciência e a melhoria do autoconhecimento podem ser formas de motivação para tentar persistir na tentativa de mudança.

À medida que os filhos crescem, a capacidade que os pais têm em controlá-los vai diminuindo e a possibilidade de mudança é cada vez mais um processo interno. Se o desejo vem de fora e não de dentro, a mudança torna-se quase impossível!
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