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Nutrição
Paula Veloso Nutricionista e autora de Dietas sem DietaDieta sem Castigo.
Vantagens e riscos de uma dieta vegetariana (I)
Paula Veloso| 2008-04-09
A dieta ovolactovegetariana contém todos os alimentos da dieta omnívora com excepção dos produtos cárneos e do pescado.
Nunca se ouviu falar tanto de dieta vegetariana como agora. O que para muitas pessoas tem a ver com razões culturais, religiosas, filosóficas ou mesmo de saúde, para outras é uma questão de moda. E para outras ainda, sobretudo os adolescentes, um excelente mote de discussão e atrito com os pais, numa área que lhes é, ou aparenta ser, tão sensível. Por isso, de vez em quando, aparecem-me na consulta mães angustiadas porque os seus filhos decidiram enveredar por uma alimentação vegetariana. É justa esta preocupação? Depende do tipo de alimentação vegetariana que se propõem fazer.

Se é vegetarianismo puro, também chamado de veganismo, que exclui qualquer produto ou subproduto de origem animal, eu diria que é não só preocupante para os adolescentes, como para crianças, grávidas e mesmo adultos, uma vez que é uma dieta que pode resultar em anemia perniciosa ou alterações neurológicas, se não for complementada com suplementos de vitamina B12. No meu entender, uma dieta que tem que recorrer à farmácia ou à ervanária para obter produtos que não se encontram nos alimentos é tudo menos natural, uma vez que fora das cidades, onde estes produtos não são comercializados, a alimentação será seguramente deficitária.


Por outro lado, a dieta ovolactovegetariana, muito em voga sobretudo entre os defensores dos direitos dos animais, que inclui todos os produtos de origem vegetal, produtos lácteos e ovos é uma dieta bem mais saudável do que a geralmente praticada pelos pais, onde se abusa dos produtos cárneos (tão responsáveis pela elevada incidência de cancro de cólon em Portugal), gorduras saturadas e cereais refinados, a par do reduzido consumo de produtos hortofrutícolas com as sabidas consequências para os sistemas digestivo ou cardiovascular.

A soja é obrigatória em regimes vegetarianos?
Com um teor de proteínas superior ao das outras leguminosas como o grão-de-bico ou o feijão e mesmo ao da carne, não contendo colesterol e apresentando vitaminas e minerais em quantidades superiores aos dos outros alimentos deste grupo, é um alimento aconselhável para substituir a carne ou o pescado. A sua riqueza em isoflavonas parece ter algum papel (embora, quanto a isto, os estudos não sejam completamente conclusivos) no alívio dos sinais e sintomas da menopausa.

No entanto, é bom referir que não há só vantagens no seu consumo. Na realidade, a maior parte da soja que é comercializada, além de ser maioritariamente obtida a partir de grãos geneticamente modificados, sofre complexos processos industriais que obrigam a que o produto final seja suplementado para suprir as perdas industriais. Ora o que se sabe é que a adição destas substâncias, como cálcio ou vitaminas por exemplo, não tem a mesma biodisponibilidade, ou seja, o mesmo aproveitamento orgânico, que o produto original. E no que respeita aos organismos geneticamente modificados (transgénicos), há que ter muita cautela no seu consumo pois, sendo recentes, não estão ainda devidamente estudados os seus efeitos na saúde humana.

Para já, tudo o que se sabe é que a única vantagem que apresentam é para os produtores e não para os consumidores... Por isso, quando comprar soja, prefira a "biológica" que dá maiores garantias de não ser geneticamente modificada. Se vai consumir soja pela primeira vez, comece por uma pequena quantidade, pois além de poder provocar flatulência, pode desencadear uma reacção alérgica em quem é sensível.

A dieta vegetariana emagrece?
A dieta ovolactovegetariana contém todos os alimentos da dieta omnívora com excepção dos produtos cárneos e do pescado. Ora, a maioria das pessoas diz que engorda porque come muito pão, fritos, bolos, etc., e não porque come muita carne ou muito peixe. Então porque emagreceria apenas por excluir o seu consumo?

Na realidade, o que faz engordar é o consumo excessivo de calorias, venham elas de onde vierem: proteínas, hidratos de carbono ou gorduras que são os únicos nutrientes que fornecem energia. Se comermos almôndegas vegetarianas fritas (como já comi num restaurante vegetariano) acompanhadas de arroz cujo refogado foi feito com muita gordura e um monte de salada "regada" com muito azeite, bem podemos esperar por um milagre se a ideia era perder peso!

No próximo artigo voltarei com mais dicas e sugestões para quem quiser seguir um regime deste tipo.
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Antes de mais, gostaríamos, em nome do Centro Vegetariano, de felicitar o sítio educare.pt e a nutricionista Paula Veloso por abordarem um tema como o Vegetarianismo, que certamente interessa a uma vasta fatia da população e tem apresentado um crescimento significativo no nosso país - bem hajam, e esperamos que não seja a última vez.
No seguimento do que lemos gostaríamos, no entanto, de acrescentar:
- O vegetarianismo não é uma moda. Apenas se fala mais hoje de vegetarianismo do que há umas décadas atrás, porque a informação está mais acessível a toda a população e o vegetarianismo está sem dúvida a crescer. No entanto, em Portugal, há mais de um século que surgiu a primeira associação vegetariana e outros movimentos em favor deste regime alimentar e estilo de vida.
- Desconhecemos qualquer estudo credível nesse sentido, mas da nossa experiência poucos serão os adolescentes a deixar de comer carne para promover atritos com os pais e motes de discussão, se é que há alguns. Actualmente, os adolescentes têm cada vez acesso mais facilitado à informação, pelo que cada vez mais cedo se apercebem das razões de ser vegetariano e das suas vantagens.
- Qualquer vegano deve saber que a vitamina B12 é o único nutriente que dificilmente se obtém em quantidade suficiente em alimentos de origem vegetal, pelo que se devem ingerir alimentos enriquecidos com esse nutriente ou um suplemento vitamínico. Mas esse tipo de alimentos ou suplementos já não estão apenas acessíveis nas grandes cidades - até em lojas online se podem encontrar. A vitamina B12 é exclusivamente sintetizada por bactérias. Os produtos animais são ricos em B12 apenas porque os animais ingerem alimentos contaminados com essas bactérias, ou as têm residentes nos intestinos. De resto, parece-nos tão anti-natural usar um suplemento de B12 como suplementar o flúor em crianças, ou tomar vacinas, ou usar medicamentos para debelar doenças. No limite, tão anti-natural como vestirmo-nos, ou calçarmo-nos, ou andarmos de carro ou de outro meio de transporte «artificial».
- Da soja comercializada para consumo humano muito pouca será geneticamente modificada. A soja geneticamente modificada é sobretudo usada em rações para animais. Será muito difícil alguém, numa visita a um supermercado, encontrar soja com OGM - sendo que a legislação em vigor obriga à identificação da presença de OGM nos rótulos. Por enquanto, todos os produtos certificados como biológicos são também garantidamente sem OGM. Assim, e em nome do rigor e da qualidade informativa, sugerimos que colmatem as lacunas, ou pelo menos informem sobre o que por ora apontamos.
Sem mais, subscrevemo-nos com a mais elevada consideração.
António Paiva e José Ramos - Médicos Rita Varela - Bióloga
Centro Vegetariano -  Associação Ambiental para a Promoção do Vegetarianismo
18.04.2008
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