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 | Armanda Zenhas Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQND do 3.º grupo da Escola EB 2,3 de Leça da Palmeira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos. |
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| O caminho para a escola: uma aventura em segurança |
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| Armanda Zenhas| 2009-09-23 |
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Se os filhos vão utilizar transportes públicos pela primeira vez, especialmente se vão para uma nova escola, é conveniente que os pais façam o trajecto completo com eles antes de as aulas se iniciarem.
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Com as férias quase no fim, o início do ano lectivo aí está a bater à porta novamente. Para muitos jovens a ida para a escola é já uma rotina. Para outros é uma (nova) aventura. A rotina ou a novidade dependem de vários factores, entre os quais a idade da criança e o facto de ir frequentar a escola pela primeira vez, ir para uma nova escola ou continuar na mesma.
Frequentemente os pais questionam-se sobre as condições de segurança do trajecto entre a casa e a escola e sobre os cuidados que devem ter, entre os quais qual o grau de autonomia que devem dar aos seus filhos. Não pretendendo esgotar o tema, aqui ficam algumas sugestões.
Com a legislação que entrou em vigor há algum tempo, se a criança for para a escola em transporte escolar, o autocarro deverá possuir cintos de segurança e deverá haver um vigilante ou dois, conforme o número de passageiros seja inferior ou superior a trinta. Este(s) vigilante(s) deverá/deverão verificar a segurança das crianças dentro do veículo, incluindo a utilização dos cintos de segurança, e auxiliá-las na travessia da rua, se tal for necessário. Os sistemas de retenção próprios para crianças mais pequenas, como as cadeirinhas e assentos especiais, são igualmente obrigatórios. Todas as crianças devem viajar sentadas. Cabe aos pais estarem vigilantes para se certificarem de que estas normas são cumpridas. Se tal não acontecer, deverão questionar o órgão de gestão da escola e exigir a adopção das medidas definidas na lei.
Se os filhos vão utilizar transportes públicos pela primeira vez, especialmente se vão para uma nova escola, é conveniente que os pais façam o trajecto completo com eles antes de as aulas se iniciarem. Devem também ensiná-los a distinguir a carreira que lhes interessa.
Quando os pais levam os filhos para a escola de carro, devem observar diversas regras para salvaguardarem a segurança deles e das outras crianças. Em primeiro lugar, devem assegurar-se de que os seus filhos põem o cinto e não iniciar a viagem sem que tal aconteça, mesmo que o trajecto seja muito curto. Claro que primeiro deverão colocar o seu, pois não podem esperar a obediência a regras que eles próprios não seguem. Ao chegarem à escola, não devem parar em cima da passadeira, como, infelizmente, muitas vezes acontece, o que coloca em risco outros estudantes. A criança não deve sair do carro para o meio da rua, mas sempre do lado do passeio. Se for necessário, devem estacionar em local onde não estorvem a circulação e ajudar os filhos a atravessar na passadeira.
Muitas crianças moram perto da sua escola e fazem o trajecto a pé. Inicialmente vão acompanhadas pelos pais, mas, com o passar dos anos, começam a fazer esse trajecto sozinhos. Uma das primeiras questões é decidir quando se pode aconselhar/permitir que os filhos iniciem essa aventura. Não há uma resposta única. A idade em que tal acontece depende do trajecto (maior ou menor, com ou sem travessia de ruas, com ou sem trânsito, etc.) e das características da própria criança. É conveniente escolher um trajecto que evite pontos perigosos, tais como descampados, ruas/estradas muito movimentadas sem passeios, travessias em locais movimentados sem semáforos ou, pelo menos, passadeiras. Depois de este percurso ser feito várias vezes pela criança, acompanhada pelos pais, e estar bem memorizado por ela, poderá ter chegado a altura de lhe ser dada autonomia para ir sozinha.
Os pais devem ensinar várias regras de segurança muito importantes aos seus filhos, seguindo-se algumas delas:
- A criança deve saber bem o seu endereço, o nome dos seus pais e o seu número de contacto, para pedir ajuda, se necessitar. Às vezes fico ainda admirada com o número de alunos de turmas do 2.º ciclo que desconhecem vários destes dados.
- A criança deve seguir sempre o percurso casa-escola e escola-casa, sem se tentar a ir brincar para outros locais por onde passe.
- A criança não deve aceitar oferta de boleias de desconhecidos, nem sequer se deve aproximar de um carro, se ele parar e o condutor o chamar.
- A criança não deve levar muito dinheiro para a escola. Levará o estritamente necessário e não o deve andar a mostrar.
- A criança deve atravessar sempre nas passadeiras e obedecer aos semáforos.
Quanto aos pais, devem estar particularmente vigilantes nas primeiras vezes em que os seus filhos começam a ir sozinhos para a escola. Conhecer os horários escolares pode ajudar a controlar a hora a que eles devem chegar a casa. No caso de os filhos chegarem a casa primeiro, poderão pedir-lhes que lhes telefonem à chegada, para ficarem mais tranquilos. Se houver outras crianças na vizinhança, frequentando a mesma escola e com o mesmo horário, poderão combinar ir juntos.
Por fim, se conversar sobre o dia de escola em geral é importante, a conversa acerca do trajecto de e para a escola também o é. Se essas conversas forem frequentes e naturais (e não estilo "interrogatório"), as crianças poderão sentir-se mais à vontade para colocarem os seus problemas e os seus receios, aos quais os pais podem responder retirando a carga negativa colocada pelos filhos ou dando sugestões para eles os ultrapassarem. As crianças poderão igualmente contar episódios que possam não ter valorizado e que os pais considerem preocupantes.
O processo de autonomia dos filhos, nesta como noutras áreas, vai-se fazendo aos poucos, com um crescente abrandamento da supervisão inicial dos pais. Se bem que possa gerar, nos adultos, receios e ansiedade é fundamental que as crianças não sejam superprotegidas e possam seguir normalmente o curso do seu desenvolvimento. Como diz o ditado, "No meio está a virtude." Não devemos deixar as crianças desprotegidas, mas também não podemos sufocá-las com a nossa protecção.
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