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Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
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Educação
Armanda Zenhas Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQND do 3.º grupo da Escola EB 2,3 de Leça da Palmeira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.
Receita (anti-psicológica) de omeleta sem ovos
Armanda Zenhas| 2006-11-22
Os psicólogos escolares, bem como outros profissionais, têm sido tratados como parentes muito pobres do sistema educativo, quando são parceiros indispensáveis.
"Sem ovos não se fazem omeletas." Todos conhecemos este provérbio e reconhecemos a sua evidência. Contudo, na educação parece estar a tentar-se fazer tudo "sem ovos" ou, pelo menos, com poucos ovos. Basta estar nas escolas e sentir, na pele e no espírito, a falta de diversos profissionais, para além dos professores, essenciais para assegurar a qualidade da educação, nomeadamente através do acompanhamento do percurso escolar dos alunos, particularmente daqueles que, por razões diversas, carecem de um apoio mais individualizado e especializado. Os psicólogos escolares contam-se entre os profissionais cuja falta se faz sentir em muitas escolas ou que, existindo, não são em número suficiente.

A importância dos psicólogos escolares surgia reconhecida no Decreto-Lei n.º 330/97 de 31 de Outubro, que estabelecia o regime jurídico da sua carreira. No preâmbulo desse diploma afirmava-se que "a qualidade da educação está intimamente dependente dos recursos pedagógicos de que a escola dispõe para acompanhamento do percurso escolar dos seus alunos, considerando-se que "o papel dos serviços de psicologia e orientação é o de possibilitar a adequação das respostas educativas às necessidades dos alunos".

O que vem a ser o Serviço de Psicologia e Orientação, também conhecido por SPO? Trata-se de um serviço especializado para apoio educativo que integra psicólogos escolares. A sua actividade dirige-se a toda a comunidade escolar: alunos, professores e conselhos de turma, pessoal auxiliar de acção educativa, encarregados de educação e famílias. Desenvolve actividades diversificadas, entre as quais se contam a participação na definição de estratégias e na aplicação de procedimentos de orientação educativa a alunos; a observação, a orientação e o apoio de alunos; o desenvolvimento de programas e acções de aconselhamento pessoal e vocacional; o apoio aos professores e conselhos de turma; atendimentos individuais a alunos e a encarregados de educação. As suas funções não se esgotam nos exemplos apontados e estão definidas no Decreto-Lei acima citado.

Sendo o trabalho descrito anteriormente de inquestionável importância, como se aplica nas escolas? A questão é pertinente, pois em muitas não existe qualquer psicólogo e noutras o rácio psicólogo-alunos é de tal forma elevado que qualquer trabalho esbarra com inúmeras dificuldades. Recorrendo a comparações na área da gastronomia, vejamos como se "cozinham omeletas" nas nossas escolas:

Receita n.º 1
Recorre-se à poupança de "ovos" (os psicólogos). No agrupamento em que se integra a minha escola, por exemplo, há uma psicóloga para cerca de dois mil alunos. Conclusão, como a "omeleta" tem que dar para todos, pois a educação é a menina-dos-olhos do nosso governo (como era dos anteriores), junta-se farinha e leite (ou água, que é mais barata) aos "ovos" e procede-se a uma boa gestão de recursos, parecendo a omeleta igualmente bonita. Ou então... os "ovos" esticam-se o mais que podem, pois a sua consciência profissional a isso os obriga e surgem diários de trabalho como o que referi no artigo anterior.


Receita nº 2
Afinal até se pode fazer uma boa omeleta sem ovos. Parece, aos nossos governantes, que qualquer bom professor experiente pode fazer as vezes de um psicólogo escolar se este não existir numa escola. E a verdade é que proliferam os agrupamentos em que não há qualquer psicólogo.

Confesso que, na gastronomia como na educação, continuo a achar que "sem ovos não se fazem omeletas" e que não se deve "vender gato por lebre". Se se pretende contrariar o abandono escolar e os resultados escolares negativos, se se pretende que a escola seja fonte de igualdade e não de desigualdade, é preciso dotá-la de recursos. Os psicólogos escolares, bem como outros profissionais, têm sido tratados como parentes muito pobres do sistema educativo, quando são parceiros indispensáveis. Os professores, esses, cada vez mais se encaminham para uma classe profissional indistinta, que vai servindo "de pau para toda a colher": docente, psicólogo, assistente social, animador cultural... e sabe-se lá que mais aí virá num futuro temivelmente próximo.
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COMENTÁRIOS
Omo lava mais branco
Não será pior ideia substituir as omoletas por omeletes ou omeletas...
Passos Dias Aguiar Mota, Porto
24.11.2006
CLAMAM PARA SER FELIZES! 3
Como podem estas crianças gostar da escola, como podem estas crianças querer aprender? Como podem estas crianças ter estabilidade afectiva e emocional? De que interessa a escola se nem direito a ser felizes têm?... Não dotar as escolas e a educação em geral, dos meios que precisam para dar resposta a problemas tão monstruosos, é discriminar estas crianças, jovens e adolescentes que clamam para ser FELIZES!
Cristina Maria Ferreira da  Costa Ribas, Sacavém
22.11.2006
CLAMAM PARA SER FELIZES! 2
Se qualquer um de nós tivesse tido o azar de ter nascido neste meio, estaria na mesma situação, não teria chegado a professor, a engenheiro, a enfermeiro, a político, a médico, a... e, sobretudo, não teria chegado a ser feliz... Sim, porque é isso que importa! Com a falta de medidas adequadas estamos a contribuir para que a sociedade não se desenvolva, para a que a qualificação profissional seja deficiente, para que a cultura seja deficitária... mas sobre tudo e uma vez mais, o que é verdadeiramente crucial é que há crianças, jovens e adolescentes que não são felizes e talvez não saibam sequer o que significa a palavra felicidade! Crianças que nascem num ambiente de droga, de prostituição, que crescem sozinhas na rua, que sempre têm alguém a dizer que são más e que não servem para nada, que têm sempre quem as manipule e só aparentemente lhes encha um poço que afinal, não tem fundo, como podem estas crianças ser bem sucedidas?
Cristina Maria Ferreira da  Costa Ribas, Sacavém
22.11.2006
CLAMAM PARA SER FELIZES!
É exactamente aqui que reside a questão central da educação e das reformas educativas. Se nos perguntarmos o que é que esta alteração do estatuto da carreira docente trouxe de novo e de facto eficaz, às soluções que a educação precisa, verificamos que muito pouco. Ainda que algumas destas alterações se impusessem, mesmo algumas mais polémicas, a questão central são os alunos, os seus problemas e o seu contexto. A questão central da educação são as dificuldades que as nossas crianças, jovens e adolescentes vivem e que os impedem de ter sucesso educativo, mas, sobretudo, que os impedem de viver dignamente como seres humanos, que os impedem de viver com os mesmos direitos das outras crianças, jovens e adolescentes! Sim, estas crianças, jovens e adolescentes são discriminados em pleno século XXI em que tanto se fala de direitos humanos e de direitos das crianças!
Cristina Maria Ferreira da  Costa Ribas, Sacavém
22.11.2006
Diário de Psicóloga Clínica
Em primeiro lugar gostaria de lhe agradecer e dar os parabéns pelo seu artigo, Gostaria também de partilhar o meu diário de psicóloga. 7h30: Sair de casa e apanhar 3 transportes públicos 9h: Início das consultas (numa IPSS, onde o pagamento é feito a recibos verdes e onde ainda pago o espaço onde trabalho) 13h-14h: almoço e telefonemas (feitos com o meu telemóvel pessoal e pagos por mim) para professores, com o objectivo de resolver diversas situações 14h-18h (ou 19h) consultas Algumas vezes por semana: reuniões em escolas, idas a tribunais, conversas com pais (trabalho 100% não remunerado) 20h: chegada a casa depois de mais 3 transportes públicos Depois de jantar: relatórios de avaliação psicológica, cartas para professores, preparação de consultas e materiais (trabalho 100% não remunerado)...
sonia  pereira, 
22.11.2006
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