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 | José Pacheco Mestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto, foi professor da Escola da Ponte. Foi também docente na Escola Superior de Educação do IPP e membro do Conselho Nacional de Educação. |
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| Porque não existe o Nobel da Educação? |
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| José Pacheco| 2007-02-06 |
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| As "profecias" do mestre Agostinho poderão vir a concretizar-se. Talvez lá para 2050, na Idade da Educação (e tal como Saramago), os educadores de Portugal possam fazer jus à distinção de um Nobel. Quem sabe?!... |
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Existe o Prémio Nobel da Química, o Nobel da Física, o da Paz. Há o da Literatura, da Economia... Porque não existe um Nobel da Educação?
Os galardoados em Química passaram pela escola, os génios da Economia absorveram as bases do seu saber numa escola... ou não será assim? Einstein e outros "maus alunos" são a resposta. Se lermos as biografias de grandes vultos da humanidade, concluiremos que quase todos contornaram a escola - foram grandes, apesar da Escola.
Não será bem assim... A escola atravessa uma crise de legitimidade, já não é o único lugar de produção de conhecimento.
Mas, apesar da sua mesmice, liberta talentos que transformam o mundo e alcançam a dignidade de um Nobel. A Escola é uma instituição caduca num modelo de sociedade caduco, mas ainda poderá redescobrir o seu sentido, reconfigurar-se.
Na sua obra As Profissões do Futuro, consciente de que "as oportunidades de sobrevivência digna estarão cada vez mais condicionadas pelas possibilidades de criação e multiplicação de redes de conhecimento", Schwartz resume em três palavras o que a Escola (enquanto construção social) deveria considerar como esteios de projecto: rede, conhecimento e cidadania. A prática da maior parte das escolas terá alguma coisa a ver com isso?
Agências internacionais investem na inovação tecnológica, depreciando as capacidades da pesquisa educacional. Os financiamentos patrocinam, prioritariamente, outras áreas de desenvolvimento humano, porque, apesar dos biliões gastos em estudos, os resultados são decepcionantes e a pesquisa em Educação é como "saco sem fundo". Nas últimas décadas, foram esbanjados recursos em "estudos" que nada acrescentaram à qualidade das práticas escolares. Dos estudos maiores aos menores estudos, quase todos incidem em escolas onde nada se cria e tudo se copia, produzindo conclusões em circuito fechado. Os pesquisadores adoptam um léxico velho de séculos, jogam com conceitos obsoletos, reinventam terminologias e nomenclaturas, reescrevem literatura de ficção científica. O fosso entre a teoria e a prática mantém-se, ou aprofunda-se. A Escola agoniza.
No nosso país, as práticas dissonantes são meros objectos de curiosidade (nem sempre científica) ou alvos a abater, quando deveriam ser locus de pesquisa e fonte de inspiração para a mudança. O "insucesso educativo" é um paradoxo e custa aceitá-lo, quando alimentamos um dos mais caros sistemas educativos da Europa. Aumenta o número de docentes, diminui o número de alunos por turma, mas ao acréscimo da despesa não corresponde sucesso.
Os países que apresentam melhores resultados não alimentam pesadas máquinas burocráticas. No nosso país, o excesso de intervencionismo da administração central (ou da "desconcentrada") em domínios para os quais não está capacitada (como o da pedagogia) impõe o primado da burocracia às escolas. Uma gestão feita a partir de gabinetes, esvazia-as de qualquer ideia de projecto.
O modelo "tradicional" reproduz-se como uma praga: turmas, aulas, horários uniformes, currículos segmentados em anos e ciclos. Mais "data show" menos pau de giz, em pleno século XXI, a Escola mantém-se tributária de necessidades sociais do século XIX.
O saudoso João dos Santos falava-nos da sua tristeza quando, ao voltar em crescido à escola para ver novamente as peças de teatro que um dia havia representado, constatou que tudo se mantinha inalterado e que os professores continuavam a falar em discursos vazios e como únicos donos da verdade e do saber. Como escreveu a Adriana, "ainda há muitos educadores que perseguem o mito da turma homogénea, como se esta realmente existisse; se este tipo de turma algum dia existiu, actualmente encontra-se, sem dúvida, em vias de extinção".
Desperdiçamos a competência de muitas gerações de professores, mas ainda é possível suster a tendência para, ciclicamente, carpir a sina de ocupar os últimos lugares dos rankings internacionais. Bastará que haja coragem política, uma efectiva autonomia das escolas e tempo para avaliar práticas que rompam com vícios onde se instalaram as raízes do insucesso.
As "profecias do mestre Agostinho poderão vir a concretizar-se. Talvez lá para 2050, na Idade da Educação (e tal como Saramago), os educadores de Portugal possam fazer jus à distinção de um Nobel. Quem sabe?!... |
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| COMENTÁRIOS DE UTILIZADORES |
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A obsessão pelas Tecnologias
Se analisarmos as Bolsas de Investigação que são concedidas anualmente pelo nosso Estado, logo verificamos o desprestígio das Ciências da Educação! Talvez os professores não devam investigar - é perigoso para o ¿funcionarismo¿ os docentes terem espírito crítico e inovador!
Quanto ao que investigar e como investigar, também concordo que as nossas práticas pedagógicas devem ser o ponto de partida da pesquisa, que nos devia levar às práticas dissonantes. É com grande apreensão que verifico que alguns doutorados em Ciências da Educação nunca reflectiram, nem sequer ouviram falar em projectos como o ¿Fazer a Ponte¿.
Daniel Rocha, Castelo de Paiva
09.02.2007
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A obsessão pelas Tecnologias
A inovação deveria surgir como uma necessidade da própria comunidade educativa. Contudo, com a ingerência e burocratização da pedagogia por parte da administração central cada vez temos menos comunidade. E isto não vai parar por aqui! Já preparam caminho para os mega-agrupamentos - é mais fácil o controlo!!
Lamento Professor, mas começo a perder a esperança que 2050 seja a idade da Educação. A escolarização continuará a dominar!
Daniel Rocha, Castelo de Paiva
09.02.2007
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Nobel da Educação?
Não concordo. Já viram se por acaso esse Nobel ainda á parar a algum suposto especialista em "ciências" da Educação?
Seria lamentável ...
Dinis Lima, Lisboa
08.02.2007
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Juiz
Hoje pergunta o Manel de seis anos: -juiz e não juis, porquê? Lê-se da mesma maneira, é o mesmo som! Respondi -bem a norma...há um papel onde está escrito que é com z que é certo, mas não sei porquê. Há cem anos decidiu-se que era melhor todos escrevermos com as mesmas letras senão era uma confusão. E continuei -então há um Conselho Nacional... (aqui parei a pensar indeciso, será linguistico, ortográfico,...será Conselho?) e concluiu em grande o Manel: -de Perguntas! não é? Telefona-se para o Conselho Nacional de Perguntas e já se sabe. E pede-se para ser com s.
João Miguel Vaz Ribeiro
07.02.2007
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